Alcebíades Dracon de Albuquerque Lima (Mossoró, 30 de março de 1866 — São Paulo, 21 de dezembro de 1939), mais conhecido apenas como Dracon de Albuquerque, foi um advogado, juiz e político brasileiro.
Família e Formação
Alcebíades Dracon de Albuquerque Lima nasceu em Mossoró, província do Rio Grande do Norte, em 30 de março de 1866, filho do desembargador Vallades Dracon de Albuquerque Lima e de Filomena Figueiredo Albuquerque Lima. Formado na Faculdade de Direito de Recife, província de Pernambuco, construiu grande carreira na magistratura potiguar.AUTOR DESCONHECIDO. Dr. Dracon de Albuquerque. Gente de Porto. 21 de maio de 2025. Disponível em:https://gentedeporto.com.br/dr-dracon-de-albuquerque/. Acesso em: 3 de maio de 2026.
Carreira no Império
Em 1882, foi nomeado promotor público de Martins, tomando posse em 1883. No mesmo ano, deixou o cargo, sendo substituído por Manoel André da Rocha.ARQUIVO PÚBLICO. História. Martins (RN). Disponível em:https://www.martins-rn.com.br/historia.htm. Acesso em: 3 de maio de 2026. Nos últimos anos do Império, retornou à cidade natal, onde fez parte do movimento abolicionista, que, em 30 de setembro de 1883, aboliu a escravatura na cidade. Segundo exposto pelo mestre em Direito pela UFERSA Jeferson Santos Teixeira da Silva e pelo doutor em Direito pela mesma faculdade Felipe Araújo Castro, Dracon de Albuquerque, que compunha a elite mossoroense, teve ligações, antes de se juntar ao nobre movimento, com a escravatura.SILVA, Jeferson Santos Teixeira da; CASTRO, Felipe Araújo. Escravos e libertos no movimento abolicionista mossoroense: 1882-1883. UFG. 2023. Disponível em:file:///C:/Users/nelso/Downloads/rfd-art038-2-1-1.pdf. Acesso em; 3 de maio de 2026.
Em 25 de março de 1884, quando abolida a escravatura no Ceará, Dracon escreveu pequeno artigo publicano no Correio do Natal, comemorando o acontecimento:ALBUQUERQUE, Dracon. Vinte cinco de Março. Correio do Natal. Natal, 25 de março de 1884. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=822493&pesq=%22Dracon%20de%20Albuquerque%22&pagfis=108. Acesso em: 3 de maio de 2026.
Dracon também se juntou ao republicanismo no Rio Grande do Norte, sendo partidário do líder político Pedro de Albuquerque Maranhão, garantindo, assim, a continuação de sua carreira na República.PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VELHO,%20Pedro.pdf. Acesso em: 3 de maio de 2026.
Carreira na República
Terceiro-Vice-Presidente do Rio Grande do Norte
Em novembro de 1889, foi nomeado para presidir a comissão de socorros públicos de Mossoró, para assistência social em meio à seca, o que popularizou seu nome como importante agente social mossoroense.GOVERNO DO ESTADO. EXPEDIENTE DO DIA 30 DE NOVEMBRO. A República. Natal, 9 de janeiro de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Dracon%20de%20Albuquerque%22&pagfis=493. Acesso em: 3 de maio de 2026. Em 1890, foi nomeado promotor, novamente, de Martins, abandonando o cargo ao ser nomeado juiz de direito de Mossoró. Em 18 de março, fundou, junto a outras personalidades, o Centro Republicano Mossoroense.MELLO, Manoel Benício de; BORGES, Antônio Ferreira; OLIVEIRA, Francisco Alves de; RODRIGUES, Antônio Joaquim; LIMA, Alcebíades Dracon de Albuquerque; ALBUQUERQUE, Paulo Leitão Loureiro de. CENTRO REPUBLICANO. A República. Natal, 26 de março de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Dracon%20de%20Albuquerque%22&pagfis=585. Acesso em: 3 de maio de 2026.
Na data de 2 de maio, houve um despacho do Governo Provisório, nomeando Pedro de Albuquerque Maranhão primeiro vice-presidente do estado; Amaro Cavalcanti, segundo vice-presidente; e Dracon de Albuquerque, terceiro vice-presidente. O despacho foi elogiado pelo jornal A República, órgão do Partido Republicano Rio-Grandense, que escreveu o seguinte excerto em homenagem a Dracon:AUTOR DESCONHECIDO. Vice Governadores. A República. Natal, 2 de maio de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&Pesq=%22Albuquerque%20Maranh%c3%a3o%22&id=5480803225366&pagfis=623. Acesso em: 1 de abril de 2026.
Em 19 de julho, foi nomeado procurador fiscal do Tesouro do Estado da comarca de Martins pelo então presidente potiguar Xavier da Silveira Júnior.GOVERNO DO ESTADO. Dia 19. A República. Natal, 26 de julho de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Dracon%20de%20Albuquerque%22&pagfis=703. Acesso em: 3 de maio de 2026. Em 1891, foi nomeado juiz de direito de Natal. Marcada, pelo presidente do estado Francisco Amintas da Costa Barros, a eleição para a Assembleia Estadual Constituinte para 10 de maio, o jornal A República publicou, em 2 de maio, os nomes abonados por Pedro Velho e José Bernardo para a competição. Entre eles estavam os ex-presidentes Nascimento Castro e Jerônimo Câmara, o juiz Joaquim Ferreira Chaves, Dracon de Albuquerque, Janúncio da Nóbrega Filho e Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, irmão de Pedro Velho.PEIXOTO, Renato Amado. BERNARDO, José. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BERNARDO,%20Jos%C3%A9.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Nascimento. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Nascimento.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Jerônimo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Jer%C3%B4nimo.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.PEIXOTO, Renato Amado. FERREIRA, Chaves. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CHAVES,%20Ferreira.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.BARROS, Henrique Lins de. SEVERO, Augusto. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/SEVERO,%20Augusto%20rr.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Na eleição, Amintas Barros obteve vitória integral, pois a oposição pedrovelhista não conseguiu eleger nenhum deputado estadual.PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Amintas. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Amintas.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.
Porto Feliz
Em 4 de setembro, já fora da terceira vice-presidência, cargo abolido, deixou o cargo de juiz para ser desembargador do estado de Goiás.GOVERNO DO ESTADO. EXPEDIENTE DO DIA 5. Rio Grande do Norte. Natal, 26 de setembro de 1891. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=219355&pesq=%22Dracon%20de%20Albuquerque%22&pagfis=57. Acesso em: 3 de maio de 2026. No mesmo ano, foi removido para Porto Feliz, no estado de São Paulo, tornando-se o primeiro juiz de direito da comarca. Em 1893, casou-se com Albertina Fernandes de Camargo, natural da cidade. Apesar de mossoroense, seu coração tornou-se de Porto Feliz, vivendo na cidade até 1921, quando transferido para Agudos, onde exerceu a mesma função.
Aposentou-se em 1924, passando a vagar entre a capital, São Paulo, e São José dos Campos. Faleceu em 21 de dezembro de 1939, na cidade de São Paulo.
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