A septoriose é uma das patologias fúngicas mais devastadoras e disseminadas no mundo agrícola, afetando uma vasta gama de culturas economicamente cruciais, como o trigo, o tomate e diversas espécies hortícolas. Esta doença é causada por fungos pertencentes ao género Septoria, sendo a Septoria tritici (no trigo) e a Septoria lycopersici (no tomate) as variantes mais proeminentes e estudadas devido ao seu impacto direto na segurança alimentar global. O ciclo biológico destes fungos inicia-se geralmente com a sobrevivência dos esporos em restos culturais ou sementes infetadas, aguardando condições ambientais favoráveis, como humidade elevada e temperaturas moderadas, para iniciar o processo de infeção. Uma vez estabelecido no hospedeiro, o fungo penetra nos tecidos foliares, desencadeando um processo de necrose celular que compromete severamente a capacidade fotossintética da planta, resultando em perdas de rendimento que podem ultrapassar os 50% em anos de epidemias severas e sem intervenção adequada.https://ihara.com.br/wp-content/uploads/sites/54/2021/03/ficha-tecnica-septoriose-ihara.pdfhttps://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/767616/1/cot116.pdfhttps://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/779837/1/cot37.pdfhttps://sistemas.ifgoiano.edu.br/sgcursos/uploads/anexos_9/2021-09-11-01-12-56Disserta%C3%A7%C3%A3o_Monica%20Vieira.pdf

Os sintomas característicos da septoriose manifestam-se inicialmente como pequenas manchas cloróticas ou necróticas nas folhas inferiores, que progressivamente evoluem para lesões maiores, muitas vezes delimitadas pelas nervuras foliares, adquirindo uma coloração acastanhada ou acinzentada. O traço distintivo mais importante para o diagnóstico visual é a presença de picnídios, que são pequenas estruturas de frutificação negras, semelhantes a pontos de pimenta, visíveis no centro das lesões a olho nu ou com o auxílio de uma lupa. Estes picnídios são responsáveis pela produção e libertação de milhões de conídios (esporos), que são disseminados principalmente através dos salpicos da chuva ou da irrigação por aspersão, permitindo que a doença suba rapidamente pelo dossel da planta e atinja as folhas superiores, incluindo a folha-bandeira no caso dos cereais, que é vital para o enchimento do grão.

O controlo eficaz da septoriose exige uma abordagem de gestão integrada que combine métodos culturais, genéticos e químicos para mitigar a resistência do fungo e reduzir o impacto ambiental. A rotação de culturas é uma das práticas mais fundamentais, pois interrompe o ciclo de vida do fungo ao remover o hospedeiro específico por vários anos, enquanto a escolha de cultivares resistentes ou tolerantes oferece a defesa mais sustentável a longo prazo. No entanto, em climas propícios ao desenvolvimento fúngico, o uso de fungicidas torna-se frequentemente indispensável, exigindo uma monitorização rigorosa e a aplicação preventiva ou aos primeiros sinais da doença. A evolução da resistência a certas classes de fungicidas, como os triazóis e as estrobilurinas, tem colocado desafios crescentes à comunidade científica, impulsionando a investigação de novas moléculas e de modelos de previsão climática que otimizem o momento exato do tratamento.

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