Idade óssea é o grau de desenvolvimento esquelético de uma pessoa. Em crianças, a idade óssea serve como medida de maturidade fisiológica e auxilia no diagnóstico de anormalidades de crescimento, distúrbios endócrinos e outras condições médicas. À medida que uma pessoa cresce desde a vida fetal, passando pela infância, puberdade e terminando o crescimento na idade adulta jovem, os ossos do esqueleto mudam de tamanho e forma. Essas mudanças podem ser observadas por meio de radiografias e outras técnicas de imagem. Uma comparação entre a aparência dos ossos de um paciente e um conjunto padrão de imagens ósseas reconhecidamente representativas da forma e tamanho médios dos ossos para uma determinada idade pode ser usada para atribuir uma "idade óssea" ao paciente.
A idade óssea é distinta da idade biológica ou cronológica de um indivíduo, que é o tempo decorrido desde o nascimento. Discrepâncias entre a idade óssea e a idade biológica podem ser observadas em pessoas com atraso no crescimento, onde a idade óssea pode ser menor que a idade biológica. Da mesma forma, uma idade óssea maior que a idade cronológica de uma pessoa pode ser detectada em uma criança que cresce mais rápido que o normal. Um atraso ou avanço na idade óssea está mais comumente associado à variabilidade normal do crescimento, mas desvios significativos entre a idade óssea e a idade biológica podem indicar uma condição médica subjacente que requer tratamento. A altura atual e a idade óssea de uma criança podem ser usadas para prever a altura adulta. Outros usos das medições da idade óssea incluem auxiliar no diagnóstico de condições médicas que afetam crianças, como atraso constitucional do crescimento, puberdade precoce, disfunção da tireoide, deficiência do hormônio do crescimento e outras causas de estatura anormalmente baixa ou alta.
Nos Estados Unidos, a técnica mais comum para estimar a idade óssea de uma pessoa é comparar uma radiografia da mão e do punho esquerdos do paciente com um atlas de referência contendo imagens radiográficas das mãos esquerdas de crianças consideradas representativas da aparência da estrutura esquelética da mão para a pessoa média em uma determinada idade. Um radiologista pediátrico especialmente treinado em estimar a idade óssea avalia a radiografia do paciente quanto ao crescimento, forma, tamanho e outras características ósseas. A imagem no atlas de referência que mais se assemelha à radiografia do paciente é então usada para atribuir uma idade óssea ao paciente. Existem outras técnicas para estimar a idade óssea, incluindo comparações radiográficas dos ossos do joelho ou do cotovelo com um atlas de referência e abordagens de ressonância magnética.
Métodos O método usado mais frequentemente é baseado em um único raio-x da mão e punho. Uma mão é facilmente radiografada com radiação mínima, e tem a vantagem de mostrar vários ossos de uma vez só. Os ossos do raio-X são comparados com os de um atlas padrão, geralmente o de Greulich & Pyle.Greulich WW, Pyle SI: Radiographic Atlas of Skeletal Development of the Hand and Wrist, 2nd edition. Stanford, CA: Stanford University Press, 1959.
Um método mais complexo também baseado em raios-X das mãos é o "TW2".Tanner JM, Whitehouse RH, Marshall WA, et al.: Assessment of Skeletal Maturity and Prediction of Adult Height (TW2 Method). New York: Academic Press, 1975. Um atlas baseado na maturação do joelho também foi compilado.
As mãos das crianças não mudam muito no primeiro ano de vida e, se for necessário verificar precisamente a idade óssea, um raio-X de cerca de metade do esqueleto (uma visão "hemiesqueletal") pode ser obtido para verificar algumas das áreas que mudam mais durante a infância, tais como ombros e pélvis.
Em 1972 LamparkiLAMPARSKI, D. G. Skeletal age assessment utilizing cervical vertebrae. 1972. 163 p. Dissertação - University of Pittysburg, 1972 , notou que as vértebras cervicais presentes nas radiografias laterais da cabeça presente nas documentações odontológicas de rotina, sofrem alterações no decorrer da maturação óssea. Relatou que estas alterações ocorrem entre a segunda e a sexta vértebra cervical podem ser empregadas na avaliação da idade óssea, de forma confiável e com o mesmo valor clínico da avaliação da região da mão e do punho.
O Método de Lamparski foi simplificado por Hassel & FarmanHASSEL, B.; FARMAN, A.G. Skeletal maturation evaluation using cervical vertebrae. Am J Orthod. Dentofacial Orthop, , v. 107, n. 1, p. 58-66, Jan. 1995. em 1995 utilizando somente as vértebras cervicais C2, C3 e C4. Vários aplicativos para smartphone foram desenvolvidos para facilitar o uso ,dos métodos vertebrais, como exemplo o Easy Age
Em 2002, o japonês Mito desenvolveu um novo método para calcular a idade óssea baseado em medidas feitas nas vértebras C3 e C4 a partir de uma Telerradiografia Lateral e aplicou esse método a adolescentes do sexo feminino. Sua conclusão foi de que essas medidas, quando aplicadas na fórmula proposta, poderiam ser utilizadas para estimar a maturação óssea tanto em homens quanto em mulheres.
Em 2007, a cientista brasileira Maria de Paula Caldas fez uma nova pesquisa aplicando os métodos de calculo e medição de Mito em homens e mulheres brasileiros com idades entre 7 e 14 anos. O estudo encontrou uma relação entre a idade óssea e as fórmulas propostas pelo cientista japonês para mulheres porém não para homens. Diante disso, Caldas propôs e comprovou uma nova fórmula para as medições feitas nas vertebras C3 e C4 que poderia ser aplicada em indivíduos do sexo masculino.
No Brasil, a empresa de tecnologia Radio Memory desenvolveu um programa que aplica os métodos de Mito e Caldas em uma Telerradiografia Lateral e estima a idade óssea usando inteligência artificial.
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