Maria José de Macedo, conhecida artisticamente como Zezé Macedo (Silva Jardim, 6 de maio de 1916 – Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1999), foi uma comediante e atriz brasileira de rádio, cinema e televisão. Foi a recordista feminina no Brasil em participações de cinema, tendo feito 108 filmes. Seu tipo físico, magra e baixa, sempre lhe garantiu papéis cômicos, apesar de ter sempre afirmado que também gostaria de representar papéis dramáticos em novelas. Oscarito dizia que ela era a maior comediante do cinema brasileiro. Grande Otelo chamava-a de Carlitos de saia; e Ivan Cardoso, de primeira-dama do cinema brasileiro. Na época das chanchadas, também ficou conhecida como a empregadinha do Brasil, numa referência aos inúmeros papéis de empregada doméstica que interpretou ao longo de sua carreira.

Também se destacou como poetisa, tendo publicado quatro livros de poemas seus.

Biografia Juventude e início de carreira Nasceu no município fluminense de Capivari, hoje chamado Silva Jardim. Seu padrasto, Columbano Santos (Posse, Rio Bonito - RJ, 22 de dezembro de 1879 - São Domingos, Niterói - RJ, 27 de julho de 1977), tabelião e prefeito da cidade, era partidário dos atores.

Estreou no teatro aos quatro anos de idade, interpretando a protagonista na peça As Pastorinhas. Na época, como não sabia ler, decorava os textos ao ouvi-los lidos por seu padrasto, o qual lhe encorajava bastante. Também desde cedo manifestou inclinação pela poesia.

Aos quinze anos de idade, casou-se com o mecânico e eletricista Alcides Manhães, desistindo de ser atriz e mudando-se para Niterói. Com ele teve seu único filho, Hércules, morto com apenas um ano de idade ao cair do colo da avó paterna e fraturar o crânio. Ao saber da morte do filho deu um imenso grito e calou-se por muito tempo, devido ao estado de choque que a acometeu. Quando voltou a falar a voz havia mudado e permaneceu assim por toda sua vida. O casal separou-se pouco depois. Zezé passou a trabalhar como escriturária e funcionária pública, antes de voltar a ser atriz.

Através das amizades de seu padrasto, começou a ler poemas seus no Grande Jornal Fluminense, transmitido aos domingos pela Rádio Tamoio. O diretor artístico da emissora, Paulo de Grammont, gostou de suas declamações e contratou-a, sem salário, para o setor de radioteatro. No entanto, como não havia vagas, tornou-se secretária de Dias Gomes e Rodolfo Mayer, permanecendo três anos nesta função. Aos poucos, porém, foi começando a fazer pontas nos programas de rádio, substituindo atrizes, lendo poemas, e, por conta disso, publicou seu primeiro livro de poesias, Coração Profano, em 1954, um grande êxito de vendas. Publicou ainda mais três livros de poesia.

Por essa época, participou do programa Lar, Doce Lar substituindo a atriz que fazia a empregada doméstica, agradando bastante o público, e, logo no dia seguinte, foi convidada por Paulo Porto e Olavo de Barros a se transferir para a Rádio Tupi (tanto a Rádio Tamoio quanto a Tupi faziam parte da rede de Assis Chateaubriand), o que lhe possibilitou o ingresso para a televisão.

Cinema e televisão Foi através da sua poesia e participações em rádio e televisão que Watson Macedo a conheceu e convidou-a para estrelar em Aviso aos Navegantes (1950) e O Petróleo É Nosso (1954).Como 'a mulher mais feia do Brasil' se tornou a inesquecível Dona Bela A partir de então, Zezé tornou-se presença marcante no cinema, atuando primeiramente para diversas produtoras como a Watson Macedo Produções Cinematográficas, Cinelândia Filmes, Cinedistri, Brasil Vita Filmes, Flama Filmes, UCB, celebrizando-se como comediante. Dentre os vários filmes de que participou nessa época, merecem destaque De Vento em Popa (1957), de Carlos Manga, no qual interpreta uma cantora de ópera, fugindo da imagem estereotipada de empregada doméstica; O Homem do Sputnik (1959), considerado pelos cinéfilos como um das melhores chanchadas; e Esse Milhão É Meu (1959). Nesses três filmes, atuou ao lado de Oscarito, o qual exigiu sua presença neles.

Com o declínio da chanchada no começo da década de 1960, Zezé passou a se dedicar mais ao teatro e à televisão, mas sem se afastar do cinema. A partir de 1965, tornou-se contratada da Rede Globo de Televisão, onde atuaria até o fim de sua vida. No cinema, participou, dentre outros, de Lana - Königin der Amazonen (1964), filme alemão feito no Brasil em parceria com a Atlântida, e Macunaíma (1969).

Na década de 1970, sua carreira no cinema foi impulsionada com o surgimento da pornochanchada. Chegava a fazer três filmes por ano. Enquanto isso, na televisão, dava início à parceria com Chico Anysio, que lhe rendeu seus dois personagens mais emblemáticos: Biscoito, a esposa feia, porém rica, do bêbado Tavares; e Dona Bela, uma aluna pudica da Escolinha do Professor Raimundo que, acreditando ser pornografia tudo que o mestre lhe perguntava, jogava-se ao chão histérica e acusava-o com o bordão: "Só pensa naquilo!". Outra participação marcante dessa época na televisão foi no Sítio do Picapau Amarelo, no qual interpretou a antagônica Dona Carochinha.

Últimos anos Nos anos seguintes, passou a diminuir seu ritmo de trabalho, dedicando-se cada vez mais à televisão. Em 1983, estrelou como a protagonista em Eteia, a Extraterrestre em Sua Aventura no Rio, de Roberto Mauro, uma sátira ao E.T., de Steven Spielberg. Três anos depois, ganhou um prêmio especial do júri no Festival de Gramado por sua atuação em As Sete Vampiras, de Ivan Cardoso. Seu último filme longa-metragem foi O Escorpião Escarlate, de Ivan Cardoso, em 1990, mais uma vez interpretando uma secretária do lar. Todavia, voltou às telas de cinema quatro anos depois, no curta-metragem Jaguardarte, de André Klotzel, no qual aparece declamando versos de Lewis Carroll.

Dedicou seus últimos anos a programas humorísticos na televisão, tendo atuado até pouco antes de falecer.

Vida particular Zezé começou a namorar o ator e dublador Vasco Lino "Ronaldo" Magalhães em 1950, o quem a ajudava a ir para a televisão. Separaram-se dez anos depois.

Voltou a se casar, em 1961, com o ator e cantor Victor Zambito, dez anos mais novo, o qual conheceu enquanto atuava no Teatro Recreio. Válter Pinto e Virgínia Lane foram seus padrinhos. Os dois não tiveram filhos e permaneceram juntos por 38 anos, até o falecimento de Zezé.

Morte Em 26 de agosto de 1999, Zezé sofreu um derrame cerebral e foi internada na Clínica Bambina, no bairro carioca do Botafogo. De acordo com os médicos, ela tinha um aneurisma cerebral que havia se rompido. Ela seria operada, mas devido ao seu estado fragilizado, os médicos optaram por lhe fazer uma drenagem de coágulo. Depois de 46 dias de internação, a atriz morreu às 2h55min de 8 de outubro, aos 83 anos. Seu corpo foi cremado no Cemitério do Caju.

Legado Em 2012, a vida de Macedo foi retratada na peça A Vingança do Espelho: a História de Zezé Macedo, escrita por Flávio Marinho e estrelada por Betty Gofman.A Vingança do Espelho homenageia Zezé Macedo Gofman consequentemente foi chamada para interpretar a Dona Bela no revival da Escolinha do Professor Raimundo, em 2015.Betty Gofman integra o elenco da nova versão da “Escolinha do Professor Raimundo”

Prêmios Festival de Gramado 1996: Prêmio Especial do Júri, Kikito de Ouro, por sua atuação em As Sete Vampiras

Filmografia Cinema Ano Título Personagem 1999 Parceiros & Palermas Prostituta 1990 O Escorpião Escarlate Governanta1988Fogo e Paixão Socialite Natal da Portela Maria Elisa O Casamento dos Trapalhões D. Marieta O Diabo na Cama Prostituta 1986As Sete Vampiras Rina 1985 O Rei do Rio Apostadora 1984Os Bons Tempos Voltaram: Vamos… Avó 1983 Etéia, a Extraterrestre em Sua Aventura no Rio Etéia 1980 Ele, Ela, Quem? Madame Grignac 1979 A Virgem CamufladaSolteirona 1978 O Erótico Virgem Eulália1977 Secas e Molhadas As Eróticas Profissionais Tosca1976Sete Mulheres Para Um Homem Só Dudu Gordos e Magros Virgem Maria Pedro Bó, o Caçador de Cangaceiros Maria Feiosa1975Com as Calças na Mão Moribunda O Monstro de Santa Teresa Solteirona O Padre Que Queria Pecar Cliente As Loucuras de um Sedutor Margarida1974Robin Hood, o Trapalhão da Floresta Organista Onanias o Poderoso Machão Cibele Oh Que Delícia de PatrãoLouca As Mulheres Que Fazem Diferente Viúva1973Tati Dona Aurora Os Mansos Velha Como É Boa Nossa Empregada Empregada Mais ou Menos Virgem Adélia 1972 Salve-se Quem Puder - Rally da Juventude Cliente 1970 Os Monstros de Babaloo Mulher da família 1969 MacunaímaMãe 1966 As CariocasMulher Ciumenta 1965 Lana - Königin der Amazonen 1964 O Santo Módico 1962 Três Colegas de Batina Funcionária da Caixa Econômica1960Minervina Vem Aí Melita Cala a Boca, Etelvina Pancrácia Virou Bagunça Biluca1959Dona Xepa Camila Esse Milhão é Meu Augusta O Homem do Sputnik Cleci1958O Camelô da Rua Larga Possidônia Aguenta o Rojão E o Espetáculo Continua Prudência É de Chuá! Biluca A Grande Vedete Fifina1957De Vento em Popa Madame Frou-Frou Treze Cadeiras Rio Fantasia Empregada da Pensão Rico Ri à Toa Empregada Maluco por Mulher Garotas e Samba Inocência Tem Boi na Linha 1956Quem Sabe, Sabe! Tira a Mão Daí! 1955 Trabalhou Bem, Genival Carnaval em Marte Justina Sinfonia Carioca Faustina O Feijão É Nosso 1954O Petróleo é Nosso Moça com o telefone 1950 Aviso aos navegantes MoçaCinemateca Brasileira, Aviso aos navegantes [em linha]

Televisão Ano Título Personagem Notas 1999 Zorra Total Dona Bela Quadro: "Escolinha do Professor Raimundo" 1996 Chico Total Biscoito 1992 Os Trapalhões Olívia Palito Participação especial 1991 Estados Anysios de Chico City Várias Personagens 1990–93 Escolinha do Professor Raimundo Dona Bela 1986 Cambalacho Camareira Participação especial 1985 Armação Ilimitada Faxineira Episódio: "O Caso Júnior Filho" 1983 Guerra dos Sexos Mulher no restaurante Participação especial 1982-90 Chico Anysio Show Biscoito/ Dona Bela / Várias personagens 1981Chico TotalBiscoito e várias personagens 1979 Feijão Maravilha vendedora de bombons Episódio: "14 de junho" 1977–82 Sítio do Pica Pau Amarelo Dona Carochinha 1973–80 Chico City Várias Personagens 1973 João da Silva 1972 O Primeiro Amor Astúria 1968–70 Balança Mas Não Cai Várias Personagens 1965–66 Bairro Feliz Várias Personagens 1965 Padre Tião Jacqueline A Moreninha Zezé 1958-59 Escolinha da Juju 1953 Mesa Quadrada

Bibliografia Oração Profana (1954) Uma Estrela Caiu (1981) Meu Breviário (1981) A Menina do Gato (1997)

Ligações externas

Zeze Macedo Categoria:Humoristas do estado do Rio de Janeiro Zeze Macedo Zeze Macedo Categoria:Sepultados no Cemitério do Caju Categoria:Atrizes brasileiras do século XX