"The Best of Both Worlds" é um episódio em duas partes, o último da terceira temporada e o primeiro da quarta, da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. São o 74º e 75º episódios gerais da série e foram exibidos pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 18 de junho e 24 de setembro de 1990. Ambas as partes foram escritas por Michael Piller e dirigidas por Cliff Bole. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da USS Enterprise-D. Neste episódio, os Borg iniciam uma invasão para conquistarem a Terra.
A história foi concebida como um meio de trazer os Borg de volta após sua estreia em "Q Who", na segunda temporada, com Piller usando suas experiências pessoais de insegurança para escrever o roteiro a partir do ponto de vista do comandante William Riker. A maquiagem dos Borg foi modificada para facilitar e acelerar o processo de aplicação. Os efeitos visuais envolveram a reciclagem de materiais de produções anteriores, bem como a criação de imagens e miniaturas novas exigidas pela história. A música foi composta por Ron Jones, que desenvolveu composições que tinha criado para "Q Who".
"The Best of Both Worlds" foi o primeiro episódio em duas partes da franquia Star Trek desde Star Trek: The Original Series e a primeira vez que uma temporada foi encerrada com um gancho. Houve rumores entre a exibição das duas partes de que o ator Patrick Stewart, intérprete do capitão Jean-Luc Picard, iria deixar a série. Os dois episódios tiveram bons números de audiência, especialmente a segunda parte, sendo aclamados pela crítica especializada como dois dos melhores episódios de The Next Generation e também de Star Trek como um todo. A segunda parte venceu dois Prêmios Emmy do Primetime.
Enredo Parte I Uma colônia da Federação dos Planetas Unidos desaparece e os Borg são os principais suspeitos. O almirante J. P. Hanson sobe a bordo da nave estelar junto com a tenente-comandante Elizabeth Shelby, esta uma especialista nos Borg. Hanson revela ao capitão Jean-Luc Picard que foi oferecido ao comandante William Riker o comando da nave estelar USS Melbourne. Riker já recusou dois comandos anteriormente e sente-se inseguro sobre tornar-se capitão, apesar de ser seu desejo. Enquanto isso, Shelby confirma o envolvimento dos Borg no desaparecimento da colônia e rapidamente entra em conflito com Riker, pois deseja a posição de primeiro oficial dele.
A Enterprise intercepta um Cubo Borg e os Borg exigem a rendição especificamente de Picard. A Enterprise escapa para uma nebulosa próxima, onde o tenente-comandante Geordi La Forge e o alferes Wesley Crusher sugerem adaptar uma ideia de Shelby para usar a antena defletora da Enterprise como um canhão de energia contra o cubo. Os Borg forçam a Enterprise sair da nebulosa e sequestram Picard, partindo em direção da Terra. Uma equipe avançada se infiltra no cubo e descobre que Picard foi assimilado pelos Borg. Estes entram em contato e Picard, se identificando como Lucutus dos Borg, exige a rendição de todos. Riker, no comando da nave, ordena o disparo da antena defletora.
Parte II O disparo não tem efeito no Cubo Borg, pois Locutus detém todo o conhecimento de Picard. O cubo segue em direção da Terra, deixando a Enterprise incapaz de segui-lo. Riker é promovido a capitão e faz de Shelby temporariamente sua primeira oficial. Os Borg enfrentam e derrotam uma grande frota liderada por Hanson em Wolf 359, destruindo inclusive a Melbourne. A Enterprise consegue interceptar o cubo e Riker, adaptando uma sugestão de Shelby, separa a seção do disco da seção da engenharia. Enquanto as naves se enfrentam, o tenente-comandante Data e o tenente Worf conseguem entrar no cubo e sequestrar Locutus, porém os Borg ignoram isso e continuam em direção da Terra.
Data estabelece uma conexão neural com Locutus a fim de acessar a consciência coletiva dos Borg. Data tenta desativar suas armas e sistemas defensivos, porém não consegue por causa de protocolos de segurança. A consciência de Picard consegue se libertar tempo suficiente para sugerir que Data acesse outra área menos protegida da consciência dos Borg. Data faz isso e consegue emitir um comando para que os Borg entrem no modo de regeneração, o que leva à destruição do cubo. Picard sobrevive e seus implantes e aprimoramentos cibernéticos são removidos. Riker decide permanecer como primeiro oficial da Enterprise e Shelby é designada para ajudar na reconstrução da frota.
Produção Roteiro Star Trek: The Next Generation era exibida nos Estados Unidos diretamente por redifusão, significando que diferentes emissoras pelo país exibiam seus episódios em dias, horários e ordens diferentes. Especialmente por este último motivo, a Paramount Television queria evitar narrativas que durassem mais de um episódio. Os produtores da série há muito tentavam fazer a Paramount afrouxar essa posição, com os executivos finalmente cedendo no final da terceira temporada. Isto ocorreu apenas porque a primeira parte seria o último episódio da terceira temporada e a segunda o episódio de estreia da quarta, o que minimizaria problemas de programação para as emissoras locais.
thumb|esquerda|170px|Michael Piller no cenário do Cubo Borg Os roteiristas de The Next Generation conversaram várias vezes sobre a possibilidade de trazerem os Borg de volta desde que estes fizeram sua estreia em "Q Who", da segunda temporada. Entretanto, por conta da mente coletiva da espécie, muitos dos roteiristas os achavam chatos porque não tinham personalidade, assim sempre sugeriam a criação de uma "abelha-rainha" que atuasse como porta-voz para os Borg e fosse uma personagem que os telespectadores poderiam se interessar. Entretanto, o coprodutor executivo Michael Piller achava que a mente coletiva era o que fazia dos Borg únicos e resistiu a essas sugestões, comentando que "para mim existia algo de especial e assustador sobre os Borg que sua falta de personalidade trazia". Mesmo assim, foi Piller quem criou a ideia de um "abelha-rei" na forma do capitão Jean-Luc Picard sendo assimilado pelos Borg, porém em uma versão inicial Picard e o tenente-comandante Data seriam combinados em um único Borg.
Piller na época não estava com um bom relacionamento com a equipe de roteiristas, muitos dos quais deixariam a série ao final da terceira temporada, assim ele decidiu escrever o episódio sozinho sem consultar os outros, passando a história apenas para o roteirista Ira Steven Behr dar suas opiniões. Piller também tinha um contrato de apenas uma temporada e estava considerando se ficava ou não na série, com essa indecisão e insegurança o levando a perceber que estava na mesma posição que o comandante William Riker, algo que o fez escrever o roteiro do ponto de vista deste personagem. A tenente-comandante Elizabeth Shelby foi criada para desafiar Riker e, segundo Piller, "brincar com as emoções de Riker e o conflito sobre aceitar o outro trabalho ou não, e isto constrói em cima da questão se ele é grande o bastante para sentar na cadeira". Segundo Behr, transformar Picard em Borg também explorava sua humanidade e abordava críticas dos fãs de que o personagem era "muito frio".
O roteirista não tinha ideia de como resolver o gancho do final da primeira parte quando escreveu seu roteiro, principalmente porque ele não esperava retornar para a quarta temporada, comentando que "Eu imaginei que seria o problema de outra pessoa!". Desta vez a história foi discutida desde o princípio com a equipe de roteiristas da série. Piller começou escrevendo a segunda parte ainda sem saber como derrotar os Borg, afirmando que "Eu basicamente descobri a solução ao mesmo tempo que os personagens". Foi apenas dois dias antes das filmagens começarem que ele teve a ideia de transformar uma das qualidades dos Borg em uma fraqueza: sua interpendência. Piller considerou que a história da segunda parte não era tão interessante quanto a da primeira, pois precisava "cumprir o que fora prometido" antes e incluir cenas de batalhas, coisas que ele pessoalmente não gostava de escrever. O dilema de Riker continuou na segunda parte na forma de um confronto de "mestre versus pupilo" contra o Picard assimilado.
Filmagens "The Best of Both Worlds" foi dirigido por Cliff Bole. O elenco convidado teve George Murdock como o almirante J. P. Hanson, que antes tinha interpretado "Deus" em Star Trek V: The Final Frontier. Elizabeth Dennehy interpretou a tenente-comandante Elizabeth Shelby, afirmando que teve grandes dificuldades na primeira parte porque não conhecia nada sobre Star Trek, especialmente os diálogos: "Era como aprender um idioma estrangeiro por fonética"; entretanto, ela achou que foi muito mais fácil na segunda parte. Whoopi Goldberg também apareceu como Guinan. O ator LeVar Burton, intérprete do tenente-comandante Geordi La Forge, precisou fazer uma cirurgia de emergência durante as filmagens da segunda parte, o que fez com que seu papel na resolução da história fosse reescrito para o ator Colm Meaney no papel do chefe Miles O'Brien. Um dublê de corpo foi usado nas cenas em que La Forge está com outros personagens e Burton posteriormente filmou seus diálogos em planos fechados ou em que só ele aparecia.
A experiência da filmagem de "Q Who" influenciou a produção de "The Best of Both Worlds", com os cenários, as maquiagens e figurinos dos Borg sendo alterados de acordo com as lições aprendidas. Para facilitar e acelerar a aplicação da maquiagem, o supervisor de maquiagem Michael Westmore criou uma única prótese de cabeça básica que poderia ser alterada e usada por qualquer ator, enquanto novas aplicações faciais e próteses oculares foram criadas para poderem serem usadas em diferentes combinações. Todos os itens de maquiagem foram pintados antes de serem aplicados, incluindo pequenos implantes que eram colados na pele dos atores. O mestre de objetos de cena Alan Sims criou as próteses de braço que tinham vários elementos e aberturas móveis, com estes sendo controlados pelo próprio Sims atrás das câmeras com um controle remoto.
Westmore considerou a maquiagem para o Picard assimilado na forma de Locutus dos Borg como um dos maiores desafios do episódio. Para a cena em que ele é operado pelos Borg, o ator Patrick Stewart recebeu uma maquiagem para deixá-lo mais pálido "para mostrar sua humanidade sendo gradualmente sugada". Sua maquiagem de Borg incluía uma prótese parcial na cabeça que ia desde seu olho direito até a nuca, na frente da qual ficava um mecanismo de varredura conectado com um servomotor e ligado a baterias com fios que ficavam escondidos dentro da prótese. O figurino limitava bastante os movimentos de Stewart. Michael Wesmore Jr., filho de Westmore, comprou um laser de duzentos dólares e também o montou na prótese. Como um laser assim nunca tinha sido usado na televisão estadunidense, a equipe não sabia ao certo como filmá-lo, com o diretor de fotografia Marvin V. Rush usando fumaça para destacar o feixe. Para aumentar o efeito dramático, Stewart foi instruído a olhar diretamente para a câmera com o laser.