Nájeda ibne Amir Alhanafi (; c. –691/2) foi um líder carijita árabe da tribo dos hanifaítas e fundador epônimo dos najeditas. Durante a Segunda Guerra Civil Islâmica, estabeleceu um domínio carijita que, em seu apogeu, abrangia grande parte da Península Arábica. Inicialmente aliado de Abedalá ibne Azobair contra o Califado Omíada, Nájeda posteriormente rompeu com os zobaíridas e assumiu a liderança dos carijitas de Iamama. A partir de 685, conquistou o Barém e estendeu sua autoridade ou influência a partes de Omã, Iêmem, Hadramaute, Taife e outras regiões da Arábia. Seu poder entrou em declínio em meio a dissensões internas entre os najeditas, e Nájeda acabou morto por seu antigo lugar-tenente Abu Fudaique em 691/692.
Vida
Nájeda nasceu por volta de 655 e pertencia aos hanifaítas, ramo dos becritas rebiaítas estabelecido em Iamama, na Arábia Central. Ainda jovem, já exercia considerável influência entre os carijitas hanifaítas de sua região natal. Em 680, iniciou uma revolta em Iamama contra o Califado Omíada, aproximadamente na mesma época em que os omíadas reprimiram a revolta de Huceine ibne Ali na Batalha de Carbala. Durante o cerco omíada de Meca de 683, onde o líder da oposição antiomíada Abedalá ibne Azobair se encontrava entrincheirado, Nájeda e seus cavaleiros acorreram em auxílio de ibne Azobair. Após o levantamento do cerco, ibne Azobair proclamou-se califa, e Nájeda e outros líderes carijitas partiram para Baçorá. Ali, sob a liderança do carijita , enfrentaram o exército de seu antigo aliado, ibne Azobair, que tentou tomar a cidade em 684 depois da expulsão de seu governador omíada. A cidade e sua guarnição árabe acabaram reconhecendo a suserania de ibne Azobair, e os carijitas transferiram-se para a vizinha Avaz. Surgiram divergências políticas entre Nájeda e Nafi, levando o primeiro a romper com ele e regressar a Iamama, onde os carijitas eram liderados por . Abu Talute havia se apoderado de , uma vasta propriedade agrícola de Iamama que pertencera anteriormente aos hanifaítas, mas fora confiscada pelo califa omíada , e distribuiu entre seus seguidores as terras e os quatro mil escravos que Moáuia havia enviado para cultivá-las. Em 685, Nájeda e seus seguidores interceptaram em Jabala uma caravana que seguia de Baçorá para Meca e distribuíram os despojos entre seus partidários carijitas em Jaune Alcadarim, aos quais também aconselhou que continuassem utilizando no cultivo dos campos os escravos capturados, depois que estes haviam sido dispensados desse trabalho.
Suas ações e conselhos deram-lhe prestígio entre os carijitas de Iamama e, quando propôs assumir sua liderança, recebeu apoio unânime, inclusive de Abu Talute, que renunciou ao posto em seu favor. A partir de então, o movimento carijita da Arábia liderado por Nájeda passou a ser conhecido como najeditas. Pouco depois de assumir a liderança, Nájeda lançou uma incursão contra os cabitas, ramo dos amiritas, no Barém, na Arábia Oriental, e infligiu-lhes uma pesada derrota na , apoderando-se dos cereais e tâmaras que os cabitas haviam saqueado de um mercado próximo. A vitória de Nájeda marcou o início de uma série de conquistas que acabaria por lhe conferir o controle da maior parte da Arábia, em detrimento de ibne Azobair, que se mostrou incapaz de enfrentar os carijitas. Em 686, regressou ao Barém e atacou os abedalcaicitas, que se opunham aos carijitas. Com o auxílio dos azeditas, matou ou capturou numerosos abedalcaicitas em Catife, onde posteriormente estabeleceu seu quartel-general. O crescente poder de Nájeda e seu controle do Barém e de Iamama ameaçavam a continuidade territorial do califado de ibne Azobair, pois bloqueavam as rotas entre sua capital, Meca, e sua importante província de Baçorá. O filho de ibne Azobair e governador de Baçorá, , tentou reverter as conquistas de Nájeda no Barém enviando contra os carijitas um exército de 14 mil homens comandado por . Nájeda e seus homens, contudo, emboscaram e dispersaram as forças zobaíridas em 686. Após sua vitória sobre o exército zobaírida, Nájeda enviou seu lugar-tenente para conquistar Omã de seus chefes e dos filhos deste, e .
Atia teve êxito e manteve a região durante alguns meses, deixando-a depois sob o comando de seu representante, um certo Abu Alcácime. Este, porém, foi morto pouco depois por Saíde e Solimão, que, com apoio local, reconquistaram Omã. As relações entre Nájeda e Atia deterioraram-se, possivelmente em consequência da distribuição desigual dos soldos promovida pelo primeiro e de seus contatos com o califa omíada Abedal Maleque, que controlava a Síria e o Egito. Em 687, Nájeda havia conquistado o norte do Barém, obrigando os tamimitas de a pagar tributo. Nos meses seguintes, entrou em Saná, no Iêmem, e enviou seu representante ao Hadramaute; ambos os territórios reconheceram a autoridade de Nájeda e lhe pagaram tributo. Em consequência dessas conquistas territoriais, Nájeda tornou-se mais poderoso na Arábia do que ibne Azobair, cuja autoridade na península ficou então limitada ao Hejaz. A crescente influência de Nájeda levou Abedal Maleque, então ocupado com crises internas e externas, a procurar seu apoio e o reconhecimento de seu califado. Abedal Maleque ofereceu ao líder carijita o governo formal de Iamama e o perdão pelo derramamento de sangue e pelas perdas financeiras que havia causado na Arábia caso o reconhecesse como califa. Nájeda rejeitou a proposta, mas manteve relações amistosas com o califa omíada. Segundo o historiador Abd al-Ameer Dixon, Abedal Maleque alcançou seu objetivo ao abordar Nájeda, pois pretendia conquistá-lo e utilizá-lo temporariamente contra ibne Azobair ou, caso não conseguisse fazê-lo, ao menos provocar uma cisão entre Nájeda e seus partidários. Nájeda conduziu seus partidários à peregrinação do haje em Meca, em junho de 687, participando ao lado dos partidários de ibne Azobair e de Abedal Maleque. Segundo Dixon, isso demonstrava a incapacidade de ibne Azobair de impedir Nájeda de entrar em sua capital e que, naquele momento, Nájeda se equiparava em poder tanto a Abedal Maleque quanto a ibne Azobair.
Ao término do haje, Nájeda tentou marchar para o norte e tomar Medina, mas abandonou a campanha por escrúpulos religiosos. Os defensores zobaíridas de Medina haviam se preparado para resistir ao ataque, e seu líder, Abedalá ibne Omar, era tido em grande consideração pelos carijitas. Em vez disso, Nájeda dirigiu-se a Taife, nas proximidades de Meca, onde o líder local lhe prestou fidelidade. Nájeda transferiu-se para a vizinha , nomeou governador de Taife, Sarate e Tabala e encarregou de recolher tributos dos hilalitas de Najrã, antes de regressar a seu quartel-general no Barém. Ao retornar ao Barém, ordenou que fossem bloqueados os suprimentos de alimentos destinados a Meca e Medina para pressionar ibne Azobair; revogou a ordem após apelos de figuras religiosas, particularmente Ibne Abas. No auge do poder de Nájeda, divisões entre seus partidários carijitas acabaram provocando sua queda. A oposição interna às relações amistosas de Nájeda com Abedal Maleque, à distribuição desigual dos soldos militares e ao tratamento favorável dispensado a seus associados apesar das infrações religiosas que cometiam culminou com Abu Fudaique matando Nájeda no Barém em 691/692.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VII Categoria:Rebeliões contra o Califado Omíada Categoria:Carijitas Categoria:Pessoas envolvidas na Segunda Guerra Civil Islâmica Categoria:Hanifaítas