Craspedacusta sowerbii, também conhecida como medusa doce, alma-de-afogado, fantasminha ou apenas água-viva de água-doce é uma espécie de cnidário de água doce da classe hydrozoa. As medusas hidrozoa diferem das escifomedusas por possuírem uma estrutura muscular em forma de prateleira chamada velo na superfície ventral. São nativas da bacia do Rio Yangtzé, na China, mas atualmente estão presentes como uma espécie invasora em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.

Taxonomia Craspedacusta sowerbii foi descrita formalmente pela primeira vez em 1880 pelo zoólogo Ray Lankester. O epíteto sowerbii foi dado após o tipo biológico da espécie ser coletado pelo botânico William Sowerby, de um tanque de vitória-régia em uma estufa no jardim da Regent's Park em Londres. Sowerby enviou espécimes para colegas, incluindo Ray Lankester e George James Allman, e Lankester publicou a descrição na revista Nature, colocando a espécie no gênero Craspedacusta. C. sowerbii é a espécie-tipo de seu gênero, que está incluído na família Olindiidae, na ordem Limnomedusae, pertencente à classe Hydrozoa.

Anatomia thumb|direita|280px|Diagrama da anatomia de Craspedacusta sowerbii em fase de medusa. As águas-vivas C. sowerbii tem aproximadamente 20–25 mm de diâmetro, com um formato semelhante à uma tigela, e são extremamente delicadas na fase adulta. Elas possuem um verticilo de até 400 tentáculos densamente agrupados ao redor da margem da umbrela. Pendendo do centro do interior da umbrela, encontra-se uma grande estrutura estomacal chamada manúbrio, que possui uma abertura bucal com quatro lábios cheios de pregas. A circulação de nutrientes é facilitada por quatro canais radiais que se originam nas bordas do estômago (manúbrio) e que também estão conectados a um canal circular, localizado próximo à margem da umbrela. A maior parte do corpo é transparente ou translúcida, com uma tonalidade esbranquiçada ou esverdeada. Os (geralmente) quatro grandes órgãos sexuais planos (gônadas) estão fixados aos quatro canais radiais e costumam ser de cor branca opaca. Cada um dos múltiplos tentáculos contém milhares de células chamadas cnidócitos, que abrigam os nematocistos (também conhecidos como cnidocistos) e são utilizados para capturar presas e transferí-las para a boca. O alimento é ingerido pela mesma abertura onde os dejetos expelidos.

Alimentação C. sowerbii é um predador de zooplâncton, incluindo dáfnias e copépodes. A água-viva flutua com os tentáculos estendidos até que uma presa entre em contato. O toque dispara os nematocistos contra a presa, injetando uma neurotoxina, enquanto o próprio tentáculo se enrola ao seu redor. Em seguida, os tentáculos levam a presa até a boca, onde ela é liberada e digerida.

Assim como as águas-vivas marinhas, elas possuem cnidócitos (células uritcantes), mas estes são adaptados para plâncton e não perfuram a pele humana.

Ciclo de vida C. sowerbii inicia a vida como um pólipo, que vive em colônias fixadas ao substrato se alimentando alimentando e reproduzindo assexuadamente. Nessa reprodução assexuada, todos os indivíduos tem o mesmo gênero do pólipo progenitor. Parte dessa prole desenvolve a forma de medusa/água-viva, que precisam de fazem reprodução sexuada. Os ovos fertilizados desenvolvem-se em pequenas larvas ciliadas chamadas plânulas, que pode ser machos ou fêmeas. As plânulas fixam-se no fundo, dando origem a novos pólipos.

A maioria das populações de C. sowerbii existentes nos Estados Unidos e no Brasil é composta exclusivamente por indivíduos do mesmo sexo (apenas machos ou apenas fêmeas), o que indica que o principal modo de propagação é a reprodução assexuada..

No Brasil

Foi registrada pela primeira vez no Brasil em 1963. Em um estudo do Programa Biota/FAPESP, foi confirmado que a Craspedacusta sowerbii foi introduzida no Brasil em pelo menos dois momentos distintos. A linhagem do Paraná tem proximidade genética com espécimes do Chile, enquanto a de Santa Catarina descende de linhagens do sul da Ásia (como China e Singapura). A hipótese mais aceita é que a espécie se espalhou globalmente através de plantas aquáticas invasoras, como os aguapés (Eichhornia).

A espécie apresenta explosões populacionais que duram de 3 a 4 dias, geralmente após eventos com alta mortalidade de peixes.

Em um lago analisado no Paraná, os pesquisadores observaram uma população constituída totalmente por fêmeas, indicando que toda a colônia pode ter se originado de um único pólipo por reprodução assexuada. Como a fase séssil de pólipo é minúscula e praticamente invisível a olho nu, a equipe passou a empregar o rastreamento por DNA ambiental (eDNA) para mapear a presença e monitorar o avanço do organismo em cavernas, rios e lagos das regiões Centro-Oeste e Norte do país.

Também foi encontrada na Lagoa Misteriosa, uma caverna alagada de origem calcária localizado no município de Jardim (Mato Grosso do Sul). A coleta ocorreu ao final da estação chuvosa, em águas marcadas pela presença de sedimentos originados da pecuária extensiva no entorno. Na ocasião, a comunidade zooplanctônica local apresentava-se dominada por rotíferos. Isso ampliou a distribuição geográfica da espécie no Brasil — que até então englobava oito estados.

Referências

Ligações externas

USGS' page about C. sowerbyi An authoritative and detailed website about Craspedacusta sowerbyi https://web.archive.org/web/20190721110836/http://www.microscopy-uk.org.uk/mag/artdec99/fwjelly2.html https://web.archive.org/web/20190718162523/http://www.microscopy-uk.org.uk/mag/artnov99/fwjelly.html Kaeng Bang Rachan at Tourism Authority of Thailand (reference to freshwater jellyfish in the Wang Thong River in Thailand) GLANSIS Species FactSheet

Categoria:Animais descritos em 1880 Categoria:Invertebrados