As drilodefensinas constituem uma classe homogénea de metabolitos e tensioativos biológicos à base de ácidos dialquifuranossulfónicos, sintetizados nas vias digestivas de anelídeos da família Lumbricidae, cuja função adaptativa primária assenta na facilitação da alimentação através da desativação de defesas químicas de origem botânica. Identificadas originalmente no ano de 2015 por equipas de investigação do Imperial College London, estas substâncias operam como um escudo contra o stress químico na parede intestinal das minhocas, interpondo-se e fixando-se de forma preferencial a polifenóis agressivos, tais como os taninos condensados presentes na folhada e na matéria vegetal em decomposição. Num trato gastrointestinal desprovido deste mecanismo protetor, as macromoléculas polifenólicas ligar-se-iam irreversivelmente às proteínas e enzimas digestivas endógenas do animal, desencadeando a sua precipitação e inibição funcional, o que redundaria na subnutrição ou morte do espécime; no entanto, a ação surfactante das drilodefensinas inibe este processo ao salvaguardar as hidrolases e assegurar a correta assimilação lipídica e proteica. Dada a abundância destes anelídeos na biosfera terrestre, a produção endógena destas moléculas reveste-se de uma centralidade ecológica basilar à escala planetária, visto que o seu papel na conversão e fragmentação de detritos florestais viabiliza o fluxo global do ciclo do carbono e previne o aprisionamento estéril de nutrientes minerais à superfície, sustentando a fertilidade e a regeneração biológica contínua dos horizontes orgânicos do solo.
Categoria:Bioquímica Categoria:Fisiologia animal