thumb|upright|Três candidatas a concursos de beleza com silhueta em formato de ampulheta A silhueta ampulheta é um dos quatro formatos tradicionais do corpo feminino descritos pela indústria da moda; os outros tipos são retângulo, triângulo invertido e colher (ou pera). O formato ampulheta é definido pelas medidas corporais da mulher: as circunferências do busto, da cintura e dos quadris. Corpos com esse formato apresentam busto largo, cintura estreita e quadris largos, com medida semelhante à do busto. O nome desse tipo de corpo deriva de sua semelhança com uma ampulheta, na qual as metades superior e inferior são largas e aproximadamente iguais, enquanto a parte central tem circunferência estreita, criando uma configuração geral do tipo "largo-estreito-largo".
Observou-se que mulheres com silhueta ampulheta são mais admiradas, o que pode pressionar aquelas com formatos corporais visivelmente diferentes a buscarem alcançar esse padrão. Isso pode levar à insatisfação com o próprio corpo, podendo causar transtornos alimentares em mulheres (muitas vezes jovens) de todo o mundo.
Estrutura thumb|upright|Esse formato de corpo recebe esse nome devido à sua semelhança com uma ampulheta A chamada pelve "ginecoide" é baixa e larga, apresentando um arco púbico amplo. Esse formato é considerado ideal para o parto, pois mulheres que o possuem conseguem dar à luz com mais facilidade. Mulheres altas têm menor probabilidade de apresentar o formato de pelve ginecoide. Também foram observadas variações étnicas, visto que mulheres do Leste Asiático êm maior probabilidade de apresentar o formato de pelve ginecoide do que mulheres brancas.
Evolução da forma do corpo feminino Cientistas propuseram que a razão evolutiva para a forma do corpo feminino deve-se, em parte, a essa seleção sexual. Formas corporais típicas de cada sexo (o físico musculoso do homem e a silhueta em formato de ampulheta da mulher) são resultado de adaptação evolutiva voltada para a aptidão reprodutiva, pois transmitem informações sobre a qualidade genética, a saúde e a fertilidade — elementos importantes na escolha de parceiros.
A antropóloga Holly Dunsworth criticou a suposição comum de que as formas corporais femininas evoluíram devido aos motivos mencionados. Ela sugere que, embora o dimorfismo sexual possa explicar em parte as formas corporais das mulheres, elas provavelmente também refletem adaptações à reprodução e à locomoção. Um estudo constatou que, durante a gravidez, o corpo da mulher se transforma para permitir que ela carregue o bebê adequadamente. Acredita-se que, para evitar o desequilíbrio do centro de gravidade do corpo feminino, a evolução possa ter favorecido o acúmulo de gordura na região glútea e nas coxas.
Uma revisão sistemática de múltiplos estudos constatou que a idade e o sexo eram os fatores mais fortemente correlacionados com a relação cintura-quadril (RCQ). Os autores escreveram que não há evidências suficientes para concluir que uma RCQ baixa seja um indicador de saúde, fertilidade ou maior sucesso reprodutivo. Os pesquisadores resumiram suas descobertas afirmando: "A RCQ é uma medida poderosa (como demonstram as inúmeras características físicas e fisiológicas a ela correlacionadas), mas pode não ser tão 'mágica' quanto frequentemente se supõe..."
Dados do período de 1996 a 2005 indicaram que mulheres com maiores razões cintura-estatura (> 0,5) apresentavam maior risco de morte prematura e problemas de saúde significativos.
Formato corporal e hormônios Os hormônios sexuais podem influenciar o formato do corpo. O estrogênio reduz o acúmulo de gordura na região abdominal e estimula o acúmulo de gordura na parte inferior do corpo.
O estrogênio também alarga a estrutura interna da pelve (conferindo-lhe o formato "ginecoide"). O hormônio relaxina provoca o relaxamento dos músculos e tendões da pelve, resultando em maior expansão pélvica, aumento da mobilidade e no chamado espaço entre as coxas.
Nas mulheres, níveis elevados de estrogênio estão associados à largura da pelve, enquanto níveis baixos de estrogênio estão associados a uma circunferência da cintura maior. Mulheres com maior peso corporal tendem a apresentar níveis mais baixos de estrogênio e níveis mais elevados de andrógenos.
História thumb|right|upright|Vista traseira de uma mulher nua com quadris largos e nádegas grandes, características associadas à silhueta em formato de ampulheta O ideal de corpo em formato de ampulheta tem sido documentado há muito tempo em diversas culturas. Nas obras de arte da Grécia e do Egito antigos, as esculturas de mulheres geralmente apresentam cinturas finas e quadris largos. Na arte indiana e africana, a proporção cintura-quadril (PCQ) das estátuas femininas é ainda mais acentuada. Na região do baixo Níger, na África, uma canção tradicional do povo Bamana descreve a jovem ideal: Uma moça de belas formas jamais é rejeitada, Namu... Seus seios preenchem plenamente o busto, Namu...
Suas nádegas projetam-se com firmeza na parte de trás...
Observe sua cintura esbelta e jovem, como o bambu... Na Europa, as primeiras representações de mulheres verdadeiramente ligadas à moda surgem no século XIV. Entre os séculos XIV e XVI, no norte da Europa, barrigas proeminentes eram consideradas desejáveis; no entanto, o restante da silhueta era, em geral, esbelto. Isso é mais facilmente perceptível em pinturas de nus da época. Ao observar imagens de mulheres vestidas, a barriga frequentemente se destaca em meio a vestes largas e volumosas que, fora isso, ocultavam o corpo. Como o ventre era a única característica anatômica visível, ele acabava sendo exagerado nas representações de nus, enquanto o restante do corpo recebia menos destaque. O mesmo ocorria no sul da Europa por volta da época do Renascimento.
Nas pinturas de nus do século XVII, como as de Rubens, as mulheres nuas aparecem bastante gordas. No entanto, ao observar mais de perto, percebe-se que a maioria delas tem uma silhueta bastante normal; Rubens simplesmente pintou seus corpos com mais gordura e dobras do que era habitual na época. Isso pode ser um reflexo do estilo de vestimenta feminina daquele período: um vestido longo, cilíndrico e ajustado por espartilho, com detalhes em cetim drapeado. Assim, as mulheres de Rubens apresentam uma silhueta tubular com excesso de gordura.
Embora o espartilho tenha permanecido na moda durante o século XVIII, ele tornou-se mais curto e cônico, passando, consequentemente, a enfatizar a cintura. Também elevava e separava os seios, ao contrário dos espartilhos do século XVII, que os comprimiam e minimizavam. Por isso, as representações de mulheres nuas no século XVIII tendem a exibir uma cintura muito fina e seios altos e bem definidos, quase como se estivessem usando um espartilho invisível. La maja desnuda é um exemplo claro dessa estética. O século XIX manteve a silhueta geral do século anterior. Exemplos disso podem ser observados nas obras de muitos artistas da época, tanto acadêmicos, como Cabanel, Ingres e Bouguereau, quanto impressionistas, como Degas, Renoir e Toulouse-Lautrec. Com o início do século XX, a ascensão da prática de esportes levou a um emagrecimento drástico da silhueta feminina, culminando no estilo "melindrosa" da década de 1920.
A partir da década de 1920, a silhueta geral do corpo feminino ideal tornou-se substancialmente mais esbelta. Houve um achatamento acentuado de todo o corpo, resultando em uma estética mais jovial e na busca por um ideal de juventude.
Espartilhos thumb|Esboço de uma mulher usando um espartilho em formato de ampulheta Entre meados e o final do século XIX, durante a era vitoriana, o espartilho estilo "ampulheta" era utilizado para realçar a silhueta de ampulheta, que se tornara popular e o padrão de beleza ideal. Ele acentuava a cintura feminina ao comprimi-la e reduzir sua medida à força, permitindo que mulheres de silhueta mais reta exibissem o formato de ampulheta. Embora os modelos de espartilho tenham variado ao longo da história, o design básico e o objetivo da peça permaneceram os mesmos: reduzir a linha da cintura para criar a silhueta ideal de ampulheta, na qual as medidas do busto e dos quadris eram semelhantes e significativamente maiores do que a cintura estreita. Apesar de proporcionarem às mulheres o corpo com o qual sonhavam, esses espartilhos também causavam danos e prejuízos à saúde ao longo do tempo. Essa conhecida tentativa histórica de alterar a silhueta feminina — o uso de espartilhos para criar uma figura de ampulheta — teve efeitos duradouros no esqueleto, deformando as costelas e desalinhando a coluna vertebral.
Moda feminina O retorno da silhueta em formato de ampulheta foi influenciado pelos diversos papéis que as mulheres desempenham tanto em casa quanto no ambiente de trabalho. Isso reflete o fato de que, na sociedade atual, as mulheres têm mais controle sobre a própria aparência do que em épocas passadas. Na década de 1960, as mulheres celebraram a libertação usando minissaias ousadas; nos anos 70, a moda boho surgiu graças ao movimento feminista; e, nos anos 80, a luta pela igualdade no trabalho levou muitas mulheres a optar por vestimentas que atraíssem menos atenção para seus corpos.
Tendências modernas A silhueta ampulheta é, talvez, a mais icônica das quatro principais formas corporais, conforme refletido pela indústria da moda. Por exemplo, Christian Dior criou roupas tendo em mente a silhueta feminina em formato de ampulheta. Os estilistas continuam a criar roupas que se ajustam a esse tipo de corpo, mesmo que a silhueta das mulheres modernas esteja mudando e se tornando muito mais variada devido a alterações no estilo de vida e na alimentação. Com a inclusão do segmento plus-size na indústria da moda, a silhueta ampulheta exerce grande influência no design de roupas para tamanhos maiores. Os modelos de roupas plus-size preservam a cobiçada silhueta ampulheta, embora em proporções mais largas e volumosas do que as peças de tamanhos convencionais. Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha pela University College London e pelo London College of Fashion constatou que menos de 10% das mulheres possuíam silhueta em formato de ampulheta. A cintura delineada e estreita continua a predominar nas criações voltadas para mulheres plus-size, mesmo que esse tipo de corpo específico — a ampulheta — seja raramente encontrado.
Pesquisa thumb|upright|Foto pin-up de Sheila Ryan Pesquisas indicam que os homens têm uma preferência acentuada por mulheres com silhueta em formato de ampulheta. Esses estudos constataram que essa forma era ainda mais valorizada do que o tamanho dos seios ou os traços faciais. Embora seja verdade que a maioria dos homens se sentisse inicialmente atraída pelo decote de uma mulher, eram os quadris e a cintura que eles consideravam mais atraentes. Cientistas observaram que a proporção cintura-quadril mais desejável era de 0,7 — ou seja, uma cintura que mede 70% da circunferência dos quadris. Alguns exemplos de mulheres que possuem ou possuíram o corpo "perfeito" incluem Marilyn Monroe, Jessica Alba e Alessandra Ambrósio. Um cientista envolvido em um dos estudos especulou que a proporção de 0,7 poderia sinalizar fertilidade feminina. Um estudo mostrou que apenas cerca de 8% das mulheres possuem o tipo de silhueta em ampulheta exibido por estrelas de cinema curvilíneas da década de 1950, como Sophia Loren. Das 6.000 silhuetas femininas analisadas, 46% foram descritas como retangulares, com uma cintura menos de nove polegadas menor do que os quadris ou o busto. Pouco mais de 20% das mulheres apresentavam um formato de "colher" — tipo pera, com quadris duas polegadas ou mais largos que o busto —, enquanto quase 14% eram "triângulos invertidos" — mulheres cujo busto era três ou mais polegadas maior que os quadris.
Ver também Distribuição de gordura ginoide
Referências
Categoria:Forma do corpo humano Categoria:Beleza feminina Categoria:Feminismo e saúde Categoria:Metáforas que se referem a objetos