O poder senhorial surgiu na transição do século X para o século XI, com o aparecimento de senhores detentores de vastos territórios e que usufruíam de imunidades, cuja formação esteve associada ao costume de doar terras (dar préstamos) pelo rei como recompensa por serviços prestados, dado o facto de a moeda cunhada não ser recorrente nem tão-pouco abundante. As terras concedidas pelo rei aos senhores que administravam vastos territórios pertencentes à Coroa eram denominadas honras, passando estas a ser transmitidas por via hereditária e o termo a designar os domínios dos senhores da nobreza.
Entre os direitos dos detentores de domínios senhoriais encontravam-se privilégios sobre moinhos, lagares, casamentos, transporte e comércio, enquanto os habitantes das terras senhoriais podiam ser sobrecarregados com taxas e impostos, tendo ocorrido também apropriação de terras pertencentes aos que não pagavam os tributos. No Portugal do século XV, os procuradores dos concelhos apresentaram nas Cortes de 1472-1473 e de 1481-1482 uma imagem da nobreza senhorial marcada pelo abuso, pelo dano, pela opressão e pela tirania, destacando particularmente a questão da justiça.
Os procuradores contestaram igualmente a excessiva liberalidade régia nas doações de jurisdições à nobreza e defenderam que a justiça deveria estar concentrada no rei, considerando que a alienação de jurisdições e o exercício da justiça fora da Coroa contribuíam para a perversão da ordem e da justiça. No Portugal do século XV, os abusos associados ao exercício do poder senhorial foram objeto de crítica nas Cortes de Coimbra e Évora de 1472-1473 e nas Cortes de 1481-1482. Os procuradores dos concelhos construíram uma imagem da nobreza senhorial em torno do abuso, do dano, da opressão e da tirania, destacando particularmente a questão da justiça. Contestaram também a excessiva liberalidade régia nas doações de jurisdições à nobreza e defenderam que a justiça deveria estar concentrada no rei, apresentando a justiça senhorial como uma perversão da ordem ideal.
Categoria:Feudalismo