thumb|right|Cartaz baathista iraquiano exibindo Saddam Hussein ao centro, um mapa de um Estado pan-árabe e, ao longo das bordas do cartaz, as bandeiras do Partido Baath e do Iraque da era baathista. O saddamismo é uma ideologia política baathista baseada nas ideias e no pensamento político de Saddam Hussein, que serviu como presidente do Iraque de 1979 a 2003. A ideologia defende o nacionalismo árabe, o socialismo árabe e o pan-arabismo, bem como uma visão do mundo árabe centrada no Iraque, conclamando os países árabes a adotar o discurso político saddamista e a rejeitar o "discurso nasserista", que, segundo ela, teria colapsado após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. De caráter militarista, o saddamismo encara disputas políticas e conflitos sob uma ótica militar, tratando-os como "batalhas" que exigem "combate", "mobilização", "campos de batalha", "baluartes" e "trincheiras". O saddamismo foi oficialmente apoiado pelo governo de Saddam Hussein e pelo Partido Socialista Árabe Baath iraquiano — então no poder — e promovido pelo jornal diário iraquiano *Babil*, de propriedade de Uday Hussein, filho de Saddam. thumb|Saddam Hussein em 1980 O saddamismo é frequentemente descrito como uma ideologia autoritária e totalitária que visava controlar todos os aspectos da vida iraquiana. Críticos o acusam de incorporar "nacionalismo árabe sunita, um stalinismo confuso e um zelo fascista pela pátria e por seu líder", além de permitir que Saddam criasse um culto à personalidade em torno de si mesmo. No entanto, a aplicabilidade desses rótulos tem sido contestada. A natureza de direita do saddamismo contribuiu para a rivalidade interna ao movimento baathista, opondo-o aos neobaathistas de esquerda e à família al-Assad, que detinha o poder na Síria Baathista.

Princípios Baathismo Saddam Hussein baseou suas visões políticas e sua ideologia nas ideias de Michel Aflaq, o principal fundador do baathismo. Saddam Hussein também era um leitor ávido de temas relacionados às forças morais e materiais na política internacional. O governo de Saddam Hussein criticava o marxismo ortodoxo e opunha-se aos conceitos marxistas de luta de classes, ditadura do proletariado e ateísmo, bem como à tese marxista-leninista de que partidos não marxistas-leninistas são automaticamente de natureza burguesa — argumentando, em vez disso, que o Partido Baath era um movimento revolucionário popular e que, como tal, o povo rejeitava a política pequeno-burguesa.

Saddam Hussein afirmava que a nação árabe não possuía a mesma estrutura de classes de outras nações e que a divisão de classes ocorria mais ao longo de linhas nacionais — entre árabes e não árabes — do que no interior da própria comunidade árabe. No entanto, ele falava com apreço de Lênin e o elogiava por conferir ao marxismo russo uma especificidade tipicamente russa, algo que o próprio Marx não teria sido capaz de fazer. Ele também expressava admiração por outros líderes comunistas, como Fidel Castro, Ho Chi Minh e Josip Broz Tito, devido ao espírito de afirmação da independência nacional que demonstravam, e não por causa de seu comunismo.

Nacionalismo árabe Saddam Hussein e seus ideólogos buscaram estabelecer uma conexão entre as antigas civilizações babilônica e assíria do Iraque e o nacionalismo árabe, alegando que os babilônios e os antigos assírios eram ancestrais dos árabes. Assim, Saddam Hussein e seus apoiadores sustentavam que não havia conflito entre a herança mesopotâmica e o nacionalismo árabe.

Durante a Guerra Irã-Iraque, Saddam apresentou o Iraque como o baluarte do mundo árabe contra a expansão iraniana. Com o apoio de outros Estados árabes — particularmente os do Golfo —, Saddam firmou-se como "o defensor do mundo árabe" diante de um Irã expansionista, revolucionário, fundamentalista e de orientação islâmica xiita. A Jordânia e os Estados do Golfo reconheciam Saddam como o defensor do nacionalismo árabe. Para impedir que os xiitas iraquianos adotassem o khomeinismo e se unissem aos seus correligionários no Irã, Saddam enfatizava o caráter árabe do Iraque em contraposição ao caráter persa dos iranianos.

Socialismo árabe O Partido Baath, no poder durante o governo de Saddam, era oficialmente socialista árabe. Apesar disso, o socialismo de Saddam foi descrito pelo historiador israelense-britânico Efraim Karsh como "nada mais do que um populismo incoerente, que combinava uma economia estatal rigidamente controlada com certa dose de livre iniciativa", tendo como suposto objetivo fortalecer a sua própria posição política.

Islamismo Saddam foi um defensor proeminente do nacionalismo árabe-islâmico. Durante a Guerra Irã-Iraque, ele enfatizou sua ascendência xarifiana para recorrer a uma forma clássica de legitimidade religiosa. Saddam apoiou a revolta islâmica na Síria entre 1980 e 1982, fornecendo à insurgente Irmandade Muçulmana um fluxo constante de armas e suprimentos.

Em junho de 1993, Saddam lançou a Campanha da Fé, sob a supervisão de Izzat Ibrahim al-Douri. Essa nova política visava promover o islamismo e incentivar a devoção popular ao Islã na sociedade iraquiana. A iniciativa foi descrita como uma "politização do Islã em larga escala" por parte do regime Baath e marcou um afastamento do governo mais secular das décadas de 1970 e 1980. A campanha concedeu maiores liberdades a grupos islamistas, alocou mais recursos para programas religiosos, aumentou a aplicação de punições islâmicas e colocou maior ênfase no Islã em todos os setores da vida iraquiana, embora mantendo o nacionalismo árabe.

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