A Princesa Iya Adedoyin Talabi Faniyi é uma alta sacerdotisa da religião tradicional Iorubá, acadêmica, ativista cultural e diplomata nigeriana. Nascida na família real Iyadudu na cidade de Osogbo, estado de Osun, ela é internacionalmente reconhecida por seu trabalho na preservação das práticas espirituais africanas, da arte sagrada e do Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, designado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.O título Iya, frequentemente posicionado antes de seu nome, é um termo de respeito e reverência na língua iorubá que significa "mãe" ou é utilizado para designar sacerdotisas seniores. Ela é a filha adotiva e principal guardiã do legado da artista plástica e sacerdotisa austríaco-nigeriana Susanne Wenger, também conhecida como Adunni Olorisa.
Biografia Adedoyin nasceu na histórica cidade de Osogbo, descendente direta da linhagem real dos fundadores da cidade e dos primeiros guardiões e adoradores do Rio Osun. Imersa desde a infância na espiritualidade iorubá, foi adotada por Susanne Wenger, que liderou o movimento da Nova Arte Sagrada ("New Sacred Art Movement") para reconstruir e proteger os santuários da região contra a exploração comercial e o abandono.
Sob a tutela de Wenger e dos anciãos da comunidade, Adedoyin recebeu amplo treinamento teológico e ritualístico, ascendendo à posição de alta sacerdotisa de Osun. Visando construir uma ponte entre o conhecimento tradicional e o universo acadêmico formal, ela ingressou na Universidade de Ibadan, uma das mais prestigiadas instituições da África Ocidental, onde obteve seu diploma de Mestrado em Estudos Africanos.
Atuação e Legado Cultural Com o falecimento de Susanne Wenger em 2009, a Princesa Adedoyin assumiu a responsabilidade primária de manter a infraestrutura e os propósitos do movimento da Nova Arte Sagrada, garantindo a proteção contínua do Bosque Sagrado de Osun-Osogbo.
Em seu papel como diplomata e educadora global, Faniyi viaja pelo mundo articulando palestras, rituais e diálogos acadêmicos. Em 2008, participou de atividades associadas ao Musée du quai Branly em Paris. Nos Estados Unidos, já palestrou em instituições como o Centro de Pesquisas Africanas e Afro-Americanas da Universidade Duke. Em 2020, foi destaque em um colóquio da Graduate School of Design da Universidade de Harvard, onde discutiu a manutenção de paisagens sagradas (Sacred Groves) frente aos desafios urbanos modernos.
Relação com o Brasil A Princesa mantém uma forte ligação com as religiões de matriz africana no Brasil. Em 2018, ela realizou uma missão acadêmica e histórica no país, onde foi recebida com festividades e honrarias no tradicional Terreiro do Gantois, em Salvador. Durante sua estadia, Faniyi participou de debates sobre a cultura dos orixás na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e recebeu o título de Iya Abo ti Ilê (A mãe protetora da casa) durante um encontro na Casa de Oxumarê, ressaltando os diálogos transatlânticos sobre a divindade Oxum.
Títulos e Prêmios Ao longo de sua trajetória de empoderamento de comunidades, Iya Adedoyin obteve títulos honoríficos na tradição iorubá, destacando-se o de Yeye Apesin Alabola.
Em 2024, seu ativismo internacional foi agraciado com o prêmio de "Mulher Isese do Ano" (2024 Isese Woman of the Year), concedido pela Fundação de Arte e Cultura Ladekoju, em reconhecimento aos seus inestimáveis esforços em expandir e proteger a herança cultural iorubá no mundo.
Ver também Bosque Sagrado de Osun-Osogbo Susanne Wenger Mitologia iorubá Candomblé
Notas
Citações
Leitura adicional
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