thumb|A antiga sala dos doentes do Hôtel-Dieu de Coëffort, atual igreja de Santa Joana d'Arc, no Mans. O Hôtel-Dieu de Coëffort (também conhecido, em francês, como Maison-Dieu de Coëffort) é um antigo hospital medieval situado em Le Mans, no departamento da Sarthe, na região do País do Loire, em França. A sua fundação é tradicionalmente atribuída a Henrique II Plantageneta, rei de Inglaterra e conde do Maine, através de uma carta régia datada de entre 1180 e 1182. O edifício, um dos principais testemunhos da arquitetura românico-gótica dita "plantageneta" na região do Maine, está classificado como monumento histórico de França desde 20 de outubro de 1947. Desde 1923, alberga a igreja paroquial de Santa Joana d'Arc.
História
Fundação A tradição historiográfica do século XIX associou a fundação do Hôtel-Dieu de Coëffort a um gesto de penitência de Henrique II Plantageneta pelo assassínio do arcebispo de Cantuária Tomás Becket, ocorrido em 1170. O historiador Bryan Guillaume, em trabalho de 2015, questiona esta leitura, defendendo que a carta régia de 1180-1182 correspondeu sobretudo à confirmação, por Henrique II, do patrocínio real sobre um estabelecimento hospitalar já existente, e não à sua fundação ex nihilo. O ato de fundação original desapareceu precocemente, subsistindo apenas uma cópia do século XV, datada de 10 de julho de 1458.
Em 1189, por ocasião da tomada de Le Mans, o cavaleiro Guilherme, o Marechal, ao serviço de Henrique II, testemunhou que o edifício já se encontrava então concluído. Segundo estudos arquitetónicos mais recentes, atribuídos à historiadora de arte Bénédicte Fillion-Braguet, a construção decorreu em duas fases distintas: a parte inferior do edifício remontará a cerca de 1150-1160, e a parte superior terá sido concluída por volta de 1220-1230.
O estabelecimento destinava-se a acolher doentes, pobres e peregrinos que percorriam uma via de peregrinação próxima, situando-se então afastado das muralhas da cidade medieval.
Administração religiosa A instituição esteve inicialmente sob autoridade episcopal, sendo gerida por irmãos e irmãs leigos organizados em confraria; entre 1231 e 1234, o bispo do Mans, Geoffroi de Laval, estabeleceu-lhe uma regra própria. Em 1397, a confraria hospitalar foi transformada em comunidade de cónegos regrantes de Santo Agostinho.
No século XVII, o estabelecimento passou para a responsabilidade de Vicente de Paulo e da sua comunidade, os padres lazaristas (Congregação da Missão), que dele se tornaram capelães. O bispo do Mans, Louis de la Vergne de Tressan, confiou também aos lazaristas a direção do seminário diocesano, instalado no mesmo edifício a partir de 1648. Em 1658, os doentes foram transferidos para o hospital geral do Mans, resultante da fusão dos estabelecimentos hospitalares da cidade.
Revolução Francesa e usos posteriores Com a Revolução Francesa, os lazaristas deixaram o estabelecimento em 1791, que foi então vendido como bem nacional. O edifício serviu, nesse período, de prisão para sacerdotes refratários ao juramento constitucional.
Transformação em igreja paroquial Em 1923, foi criada a paróquia de Santa Joana d'Arc, à qual o antigo edifício hospitalar ficou destinado. A cidade do Mans tornou-se proprietária do imóvel em 1946, e o conjunto foi parcialmente classificado como monumento histórico em 20 de outubro de 1947. As obras de restauro decorreram entre 1950 e 1955, sob a direção dos arquitetos Robert Vassas e Lagrange e do pároco, cónego Jean Briand; a primeira bênção das naves restauradas realizou-se em 28 de outubro de 1951. Em 1952, o edifício foi consagrado ao culto sob a invocação de Santa Joana d'Arc pelo cardeal Georges Grente, arcebispo do Mans. Os vitrais, da autoria do vitralista Max Ingrand, foram abençoados em 11 de maio de 1958.
Arquitetura O edifício apresenta planta retangular com cabeceira plana e é constituído por sete tramos separados por contrafortes exteriores. O interior forma uma nave única, coberta por vinte e uma abóbadas de ogivas com oito nervuras cada uma. Os capitéis, ainda de tradição românica, apresentam motivos de folhas alongadas, dentes de serra e fitas plissadas, característicos da escultura da região do Maine e do Anjou no século XII.
Tesouro de Coëffort Em 1953, durante obras de restauro, foi descoberto no edifício um conjunto de ourivesaria civil medieval em prata, datado do século XIV, integrando colheres, taças e outras peças. Segundo a tradição local, o conjunto terá sido ocultado durante a Guerra dos Cem Anos, para o proteger de eventuais saques. As peças encontram-se expostas no museu de arqueologia e história do Mans, o Carré Plantagenêt, também designado museu Jean-Claude Boulard.
Classificação como monumento histórico O edifício está classificado como monumento histórico de França desde 20 de outubro de 1947, sob a referência PA00109818 na base Mérimée do Ministério da Cultura francês.
Ver também Le Mans Sarthe Henrique II de Inglaterra Congregação da Missão Tomás Becket
Referências
Bibliografia
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