Axamaque ibne Dirar (), cujo nome completo era Abu Sada (Saíde) Axamaque Maquil ibne Dirar ibne Harmala ibne Sinane ibne Omaia Almazini Adubiani Algatafani (), foi um poeta árabe mucadrame dos dubianitas, ramo dos gatafanitas. Seu nome pessoal era Maquil, enquanto Axamaque era uma alcunha. Pertencente a uma família de poetas, viveu durante a transição da Jailia para o islamismo e converteu-se antes da conversão coletiva de sua tribo. As fontes divergem sobre se chegou a encontrar Maomé e, consequentemente, sobre sua condição de companheiro.
Axamaque participou das primeiras conquistas muçulmanas, incluindo a Batalha de Cadésia e campanhas no Azerbaijão e na Armênia. As tradições divergem sobre as circunstâncias de sua morte: uma versão situa-a em combate em Mugã por volta de 30 A.H. (650), enquanto outras evidências indicam que ainda estava vivo depois desse episódio. A TDV considera mais provável que tenha morrido durante novos confrontos em Mugã, entre 30 e 32 A.H. (650–652).
Na tradição literária árabe, Axamaque foi colocado por Ibne Salame Aljumai na terceira classe dos poetas da Jailia. Sua produção distingue-se sobretudo pela poesia descritiva, dedicada ao deserto, às viagens, aos animais, às plantas e a objetos da vida beduína, e pelo emprego de vocabulário raro e arcaico, que levou gramáticos e lexicógrafos a utilizarem seus versos como testemunhos da língua árabe. Seu divã, transmitido em diferentes recensões, incluindo uma associada a Ibne Aciquite, preserva cerca de vinte cássidas, nove composições em rajaz e aproximadamente cinquenta fragmentos ou versos isolados.
Vida
Abu Sada (Saíde) Axamaque Maquil ibne Dirar ibne Harmala ibne Sinane ibne Omaia Almazini Adubiani Algatafani foi um poeta árabe mucadrame, pertencente aos dubianitas, ramo dos gatafanitas. Seu nome pessoal era Maquil, enquanto Axamaque era uma alcunha, tradicionalmente relacionada à posição de sua família dentro da tribo ou à elevada confiança que demonstrava em si próprio. Era conhecido também por enxergar apenas de um olho e foi contado entre os cinco poetas caicitas que apresentavam essa característica. Pertencia a uma família na qual a poesia era cultivada por diferentes membros: seus irmãos e eram poetas, assim como , , filhos de Almuzarride, e , filho de Jaz. Axamaque perdeu o pai ainda criança e foi criado, juntamente com os irmãos, por sua mãe, . As fontes preservam notícias de relações difíceis dentro da família, particularmente entre Axamaque e seu irmão mais velho Almuzarride. Segundo a TDV, a mãe teria demonstrado maior afeição por Axamaque e Jaz, que assumiam responsabilidades familiares, circunstância que teria provocado ciúmes em Almuzarride. Axamaque, ao contrário do irmão, manteve boas relações com os sobrinhos e chegou a levá-los consigo em algumas viagens. Sua vida conjugal foi igualmente atribulada. Quando pretendia casar-se com , partiu em viagem e, antes de seu retorno, ela se casou com Jaz; Axamaque rompeu então relações com o irmão e o satirizou. Casou-se posteriormente com mulheres chamadas Duba, Aixa e Hinde, esta pertencente aos soleimitas, mas nenhum desses casamentos teria sido feliz. A separação de Hinde, descrita como uma mulher de grande beleza, teria exercido influência particularmente profunda sobre ele. Seus poemas mencionam ainda Laila, Sulaima, Maila e Ume Haxer como amadas.
As frequentes viagens de Axamaque aparecem refletidas em sua poesia. Percorreu regiões desérticas e esteve na Síria, no Iraque, no Egito e em Medina. Convertido ao islamismo antes da conversão coletiva de sua tribo, é tradicionalmente classificado como mucadrame, embora as fontes divirjam sobre se chegou a encontrar Maomé e, consequentemente, sobre sua inclusão entre os companheiros. Participou de uma expedição enviada a Hira antes da Batalha de Cadésia e posteriormente combateu na própria batalha. Esteve ainda entre os oradores e poetas reunidos por Omar em Cadésia. Axamaque participou também das primeiras conquistas muçulmanas e seu nome aparece relacionado às campanhas do Azerbaijão e da Armênia em 22 A.H. (642–643), juntamente com . As tradições divergem sobre as circunstâncias e a data de sua morte. Segundo uma versão, teria morrido em combate em Mugã por volta de 30 A.H. (650), aos cerca de 65 anos; Albaladuri, contudo, afirma que Axamaque não participou do episódio ao qual essa tradição associa sua morte e menciona uma elegia que lhe teria sido dedicada posteriormente por seu sobrinho Jabar. A TDV observa igualmente que a atribuição de sua morte à primeira campanha de Mugã é incompatível com seu nome constar do acordo celebrado depois do confronto. Considera mais provável que tenha morrido numa das novas lutas contra os habitantes de Mugã, quando acompanhava Saíde ibne Alas, depois que este se tornou governador de Cufa em 30 A.H. (650), situando sua morte aproximadamente entre 30 e 32 A.H. (650–652). Seu sobrinho Jabar compôs uma elegia em sua memória.
Poesia
Axamaque foi incluído por Ibne Salame Aljumai na terceira classe dos poetas da Jailia, juntamente com , e . Sua poesia preserva numerosos elementos da vida beduína e um vocabulário particularmente rico, marcado pelo emprego frequente de palavras raras e arcaicas. Essa característica, que tornou sua linguagem difícil mesmo para estudiosos antigos, levou gramáticos e lexicógrafos a empregarem seus versos como testemunhos da língua árabe. Arazi observa que pesquisas modernas contribuíram para tornar sua obra mais acessível e considera Axamaque um dos representantes mais característicos da poesia árabe clássica. A poesia descritiva constitui a parte predominante de sua produção: aproximadamente dois terços de seus poemas apresentam esse caráter e abrangem o deserto, viagens, animais, plantas e objetos associados à vida beduína. Entre suas descrições mais celebradas encontram-se as do asno selvagem e do arco. Numa passagem dedicada ao primeiro, Axamaque descreve o animal depois de um período de abundância e prazer, quando conduz seu rebanho à água e se defronta com cães de caça e um caçador armado. A narrativa acompanha a perseguição e a fuga dos animais, e Arazi destaca a capacidade do poeta de conferir movimento e intensidade à cena por meio da descrição minuciosa das ações.
Particularmente célebre é uma composição de 56 versos dedicada a um arco. Nela, Axamaque descreve extensamente o processo de fabricação do objeto, desde a escolha da madeira até sua conclusão, e introduz uma relação emocional entre o artesão e a obra produzida. Quando um comprador deseja adquirir o arco, o fabricante hesita em separar-se dele, mas acaba aceitando a venda. Arazi observa que o poeta confere ao episódio uma dimensão narrativa incomum, aproximando a história do artesão e de sua criação de um pequeno relato épico. Apesar de sua reputação como poeta descritivo, Axamaque cultivou também os gêneros tradicionais da poesia árabe. Compôs panegíricos, elegias, sátiras e poemas amorosos, embora a sátira ocupe lugar comparativamente reduzido em sua produção. Segundo Arazi, seu talento lírico era menos pronunciado que sua habilidade na construção artística e na descrição, enquanto a TDV destaca a influência exercida sobre sua poesia por autores como Alhutaia, Cabe ibne Zuair e outros poetas antigos. Axamaque compôs ainda rajaz, aparentemente de forma improvisada. Embora tenha participado das primeiras conquistas muçulmanas, sua poesia preservada contém poucas referências aos acontecimentos políticos e militares do início do islamismo, permanecendo predominantemente ligada aos temas tradicionais da poesia árabe e à descrição da vida e da natureza do deserto.
Divã e transmissão
Os poemas de Axamaque circularam por diferentes cadeias de transmissão e foram reunidos em recensões distintas. Segundo Arazi, seus irmãos Muzarride e Jaze participaram da transmissão de sua poesia, e o nome do primeiro aparece numa das recensões preservadas do divã. Ibne Aciquite é apontado como responsável por uma das principais recensões da obra. A tradição relativa ao divã foi registrada também por Ibne Nadim, que incluiu Axamaque entre os poetas cuja produção havia sido reunida e transmitida pelos filólogos. A produção preservada compreende cerca de vinte cássidas, nove composições em rajaz e aproximadamente cinquenta fragmentos ou versos isolados. O divã chegou à época moderna por meio de diferentes manuscritos e recensões e recebeu sucessivas edições críticas. Entre as edições modernas encontra-se a preparada por Ṣalāḥ al-Dīn al-Hādī, baseada na tradição manuscrita e complementada por versos de Axamaque preservados em obras lexicográficas e filológicas.
Bibliografia
Categoria:Mucadrame Categoria:Dubianitas Categoria:Poetas árabes do século VII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo