Lincoln de Assis Moura Jr. (Campinas, 15 de julho de 1952) é um estrategista global de saúde digital, engenheiro biomédico e autoridade em informática em saúde.
Foi presidente da International Medical Informatics Association (IMIA) no biênio 2013–2015, elaborou a primeira versão (first draft) da Estratégia Global de Saúde Digital da Organização Mundial da Saúde (OMS) e atuou como consultor-líder na elaboração da Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028 (ESD28).
É um dos 33 Honorary Fellows da IMIA, um "grupo especial e altamente selecionado de pares, experts e cientistas internacionalmente reconhecidos na área de Informática Médica", numa entidade de representação global com mais 90 sociedades científicas e entidades acadêmicas ao redor do mundo.
É também Founding Fellow da International Academy of Health Sciences Informatics (IAHSI).
Pioneirismo na Saúde Digital Brasileira e Global No Brasil, liderou a elaboração da Estratégia e-Saúde para o Brasil (2012–2013, publicada em 2017) e, no âmbito do PROADI-SUS, veio a liderar a equipe que assessorou o Ministério da Saúde na elaboração da Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028 (ESD28), publicada pela Portaria GM/MS nº 3.632/2020. Desenvolveu os primeiros relatórios oficiais de monitoramento e avaliação da ESD28, com discussões no Journal of Health Informatics.
Como consultor da Organização Mundial da Saúde (2018–2019), Moura foi responsável pela elaboração da primeira versão da Estratégia Global de Saúde Digital, processando as respostas da consulta pública internacional. Seu nome consta na seção de agradecimentos do documento final, Global Strategy on Digital Health 2020–2025, endossado pela 73ª Assembleia Mundial da Saúde e publicado em 2021.
Por ocasião da presidência brasileira do G20 em 2024, Moura foi o consultor-líder para identidade digital do GOV.BR, junto do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no Grupo de Trabalho de Economia Digital, cujas entregas incluíram o documento "Princípios Gerais sobre Governança da Identidade Digital".
Sua atuação em estratégias nacionais de saúde digital estendeu-se a Cabo Verde e Barbados (2025–2026), em projetos apoiados pelo Banco Mundial, nos quais a abordagem Uma Só Saúde foi incorporada como pilar constituinte do desenho dos sistemas de saúde. Deu consultoria à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à OMS, incluindo a preparação sobre o National eHealth Strategy Toolkit para países africanos de língua portuguesa.
Foi ainda autor do livro "Digital health governance: a national digital health strategy companion", obra de referência para a tradução de estratégias de saúde digital por instituições de saúde durante implementações de escala.
A criação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) A gênese da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) inscreve-se em uma linhagem de documentos normativos em cuja elaboração Moura teve participação direta. A Estratégia e-Saúde para o Brasil, redigida sob sua coordenação e aprovada pela Resolução CIT nº 19, de 22 de junho de 2017, da Comissão Intergestores Tripartite, recomendou nove ações estratégicas: entre elas a definição e implantação de uma arquitetura nacional de saúde digital, de sistemas e serviços e de infraestrutura computacional compartilhada na qual foi delineada, antes de nomeá-la, a função que a futura rede viria a exercer. Essa visão foi operacionalizada pelo Plano de Ação, Monitoramento e Avaliação de Saúde Digital (PAM&A 2019–2023), elaborado com a assessoria da equipe do Hospital Alemão Oswaldo Cruz ao Ministério da Saúde, da qual Lincoln Moura participou como especialista.
Aprovado em dezembro de 2019 e pactuado na CIT em 2020, o plano permitiu identificar, priorizar e integrar as iniciativas do Programa Conecte SUS: entre as quais a RNDS, institucionalizada pela Portaria GM/MS nº 1.434, de 28 de maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19, como plataforma padronizada e interoperável de serviços, informações e conectividade do Sistema Único de Saúde.
O ciclo normativo completou-se com a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028, em cuja elaboração Moura atuou: o documento declara consolidar o trabalho da década anterior — em especial a Estratégia e-Saúde de 2017 — e erige a RNDS em eixo de sua visão, projetando-a como "plataforma digital de inovação, informação e serviços de saúde" para todo o país até 2028. Desenvolvida pelo DATASUS sobre padrões internacionais de interoperabilidade como FHIR e LOINC, a rede tornou-se a principal infraestrutura de troca de dados em saúde do país. Moura examinou essa transição em artigo no Journal of Health Informatics.
Constituiu-se, assim, a infraestrutura pública digital do setor saúde, viabilizando um projeto nacional de interoperabilidade no Sistema Único de Saúde, o maior sistema público de saúde do mundo. Uma visão delineada nos documentos de 2017 e 2020, cerca de cinco anos antes de as infraestruturas públicas digitais ingressarem na agenda do G20,com a Declaração Interministerial do G20 para infraestruturas públicas digitais de saúde.
Liderança em organizações científicas Moura integrou o conselho diretor da International Medical Informatics Association (IMIA) por 17 anos, vice-presidente para a América Latina e o Caribe e presidente da IMIA-LAC (2001–2005),tesoureiro, presidente eleito e presidente (2013–2015), seguido do mandato de past-president até 2017. Durante sua presidência, o congresso mundial Medinfo 2015 foi realizado em São Paulo, sediado pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) em nome da IMIA, reunindo participantes de cerca de 60 países.
É um dos 33 Honorary Fellows da IMIA, um "grupo especial e altamente selecionado de pares, experts e cientistas internacionalmente reconhecidos na área de Informática Médica", numa entidade de representação global com mais 90 sociedades científicas e entidades acadêmicas ao redor do mundo.
Foi presidente da SBIS por dois mandatos. Em sua gestão, a SBIS e o Conselho Federal de Medicina (CFM) firmaram, em 2002, convênio de cooperação técnico-científica que originou a Resolução CFM nº 1.639/2002 e o processo de Certificação de Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde (S-RES) no Brasil.
Presidiu ainda a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (1989–1991) e coordenou a Comissão Especial de Estudos em Informática em Saúde da ABNT, atuando como delegado brasileiro no comitê ISO/TC 215.
É Founding Fellow da International Academy of Health Sciences Informatics (IAHSI).
Formação e o Pioneirismo em Visão Computacional Moura graduou-se em Engenharia Elétrica, modalidade Eletrônica, pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (1976) e obteve o título de Mestre em Engenharia Biomédica pela COPPE/UFRJ (1979), com dissertação sobre detecção automática de arritmias cardíacas.
Na Inglaterra, doutorou-se pelo Imperial College London (1988), sob orientação de Sir Richard Kitney, com a tese A System for Handling and Display of 3D Medical Structures, trabalho pioneiro em reconstrução tridimensional de estruturas médicas, com bolsas do CNPq e da FAPESP.
Carreira Instituto do Coração (1979–1995) Ingressou no Instituto do Coração (InCor) da FMUSP como desenvolvedor sênior de software após concluir o mestrado, tornando-se coordenador da equipe de pesquisa e desenvolvimento e, em seguida, diretor da Divisão de Informática Médica. Junto de Fúlvio Pileggi, participou da elaboração de cerca de sessenta artigos científicos em cardiologia e coordenou projetos de pesquisa financiados por agências como Finep, FAPESP e CNPq, com ênfase em processamento de sinais biológicos e de imagens cardiológicas.
Em 1982, foi o articulador e responsável técnico, junto da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, para o início da angiografia digital por subtração no Brasil, tendo ficado responsável por sua operação inicial no Brasil.
Integrou o Conselho Diretor do InCor entre 1992 e 1994 e, posteriormente, o conselho do Centro de Engenharia Biomédica da Universidade Estadual de Campinas (2000–2002).
Hospital das Clínicas da FMUSP (1995–1999) Foi diretor de informática (CIO) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, coordenando a renovação dos sistemas de informação do complexo hospitalar, incluindo a substituição do computador de grande porte por uma rede de servidores e a criação de uma base unificada de dados clínicos e administrativos.
Setor privado e SIGA Saúde Entre 1999 e 2000 dirigiu a vertical de saúde da Oracle do Brasil. Como diretor de sistemas de saúde da Fundação Atech (2002–2007), integrou o comitê diretor do projeto que resultou no SIGA Saúde, sistema de informação em saúde do município de São Paulo.
Em operação desde 2004, o SIGA Saúde integra os processos de assistência, promoção e regulação da saúde em mais de 980 estabelecimentos da rede municipal, com mais de 22 milhões de usuários cadastrados. Em abril de 2011, a Prefeitura de São Paulo e o Ministério da Saúde firmaram acordo de cooperação tecnológica pelo qual o sistema foi cedido ao Ministério, permitindo que seu código-fonte seja disponibilizado gratuitamente a outros municípios mediante convênio.
Posteriormente presidiu a Zilics eHealth (2007–2010) e foi Principal Director de saúde da Accenture Brasil (2013–2022).
Na América Latina, em 2018, foi o especialista (subject matter expert) contratado para o começo de seguro-saúde no Peru, resultando em várias missões a Lima.
Consultoria nacional Foi consultor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do DATASUS/Ministério da Saúde (2001–2002), por meio de projetos PNUD/UNESCO. De 2022 a 2025, foi o coordenador acadêmico do Comitê Técnico de Prospecção Tecnológica em Saúde Digital da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
Coordenou a Comissão Especial de Estudos em Informática em Saúde da ABNT (2007–2009), período em que o Brasil passou de membro observador ("O") a membro participante ("P") do comitê ISO/TC 215 – Health Informatics, condição mantida desde 2007. Posteriormente, atuou como relator do grupo de trabalho de interoperabilidade da comissão e delegado da ABNT nas reuniões do ISO/TC 215.
Atividades acadêmicas Como professor credenciado na Universidade de São Paulo e na Unicamp, supervisionou estudantes de doutorado e mestrado nas áreas de processamento de imagens médicas e sistemas de informação em saúde. Foi copresidente da comissão científica do Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS 2016).
Foi ainda professor do Master of Business Administration da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), para a formação de altas lideranças executivas, onde viria a dar aula a Francisco Balestrin, que seria futuro presidente da Federação Internacional de Hospitais, sediada em Genebra.
Integra o conselho editorial do periódico Applied Clinical Informatics, publicação oficial da IMIA e da AMDIS.
Alunos Notórios Profissionais formados no grupo de Informática Médica do InCor, que Moura cofundou e dirigiu, ou em iniciativas ligadas à sua atuação, ocupam posições de destaque na informática em saúde nacional e internacional: Umberto Tachinardi, MD, MSc, Fellow ACMI, AMIA - formado no grupo de Informática Médica do InCor, foi pioneiro no uso de comunicação segura via world wide web para transmissão de registros médicos, em 1994, e ex-presidente da SBIS. Alessandra Dahmer - coordenadora do Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (DEMAS), no Ministério da Saúde, professora da UFCSPA e coordenadora da UNA-SUS/UFCSPA, cuja dissertação de mestrado em segmentação de imagens ecocardiográficas (UFRGS) teve Moura como membro da banca examinadora.