Hind Osama Al-Khoudary (árabe: هند خضري) é uma jornalista palestiniana localizada na Faixa de Gaza. Trabalha com diversos meios de comunicação, incluindo a Al Jazeera, a Agência Anadolu, Middle East Eye, +972 Magazine, e o The New Arab.
Biografia Khoudary nasceu em 1995 ou 1996. O seu pai, Usama el-Khoudary, era engenheiro e construiu a pista e o pátio do Aeroporto Internacional Yasser Arafat. Khoudary tinha 13 anos quando se deu a Operacao Chumbo Fundido, e recorda como teve de dormir com toda a família num quarto sem janelas por motivos de segurança. Da infância, lembra-se também dos frequentes cortes de energia e de aprender bordado tradicional palestino, conhecido como Tatreez, com sua mãe, Marwa el-Khoudary.
Khoudary começou a escrever em 2015, através de um projeto de mentoria de escrita chamado We Are Not Numbers, o qual junta escritores de Gaza com mentores noutros países. O projeto foi criado com o apoio do Euro-Mediterranean Human Rights Monitor, uma ONG dedicada aos direitos humanos.
Khoudary é casada.
Carreira Khoudary escreveu para o Middle East Eye, +972 Magazine, Agência Anadolu, e The Intercept. Os seus posts no Twitter e Instagram foram citados pelo The New York Times e NPR. Khoudary é repórter da Al Jazeera English desde 7 de outubro de 2023.
2018-2019 Khoudary fez reportagens sobre os protestos da Grande Marcha do Retorno para a Amnistia Internacional, Middle East Eye e a televisão kuwaitiana como freelancer. Durante os protestos, foi exposta a gás lacrimogéneo disparado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), o que a fez desmaiar numa ocasião. De acordo com Khoudary, a IDF tinha como alvo todos os palestinianos que se aproximavam da barreira entre Gaza e Israel durante os protestos, incluindo jornalistas e paramédicos. Ela afirmou: "Mesmo que você seja jornalista [...] Contanto que você seja palestiniano e esteja lá, você é alvo."
Em março de 2019, Khoudary foi detida pelo Hamas e interrogada durante horas pelos seus posts nas redes sociais.
Guerra de Gaza de 2023 Desde o início da guerra em Gaza, Khoudary tem publicado no Twitter e no Instagram sobre o seu dia a dia, mostrando o que ela descreve como crimes de guerra israelitas. Tal como outros jornalistas palestinianos, o seu número de seguidores nas redes sociais aumentou consideravelmente desde o início da guerra.
Em novembro de 2023, devido a ordens de evacuação israelitas, Khoudary deixou a Cidade de Gaza em direção ao sul de Gaza. Em dezembro, a casa de Khoudary foi destruída por ataques aéreos israelitas e alguns de seus amigos, familiares e colegas foram mortos.
Khoudary falou sobre os bloqueios de comunicação, tendo recebido um eSIM do projeto Connecting Humanity. Khoudary foi entrevistada sobre os desafios de reportar de Gaza, sobre os quais ela afirmou: “Reportar e viver exatamente a mesma coisa é muito avassalador.”
Em maio de 2024, Khoudary participou, por meio de uma mensagem de vídeo pré-gravada, na “People's Graduation”, uma cerimónia de formatura alternativa para estudantes de diversas universidades da cidade de Nova York. A cerimónia foi realizada na Catedral de São João Divino e organizada por professores e funcionários da Universidade Columbia. Em sua mensagem, ela agradeceu aos estudantes pelos protestos e pediu que continuassem, pois “ainda estamos sendo bombardeados”.
Em julho de 2024, Khoudary fez uma reportagem sobre o assassinato de Ismail al-Ghoul pelas forças israelitas para uma transmissão da Al Jazeera. Ela estava visivelmente abalada ao falar sobre os perigos enfrentados pelos jornalistas em Gaza: "Fazemos tudo [para nos mantermos seguros]. Usamos nossos coletes de imprensa. Usamos nossos capacetes. Tentamos não ir a nenhum lugar que não seja seguro. [...] Mas temos sido alvejados em lugares normais onde cidadãos comuns estão. [...] ao mesmo tempo, queremos reportar, queremos contar ao mundo o que está acontecendo."
Ver também
Genocídio na Faixa de Gaza Bisan Owda
Categoria:Mulheres Categoria:Jornalistas