A crise dos cuidados diz respeito a uma crescente demanda por cuidados que pressiona os limitados recursos disponíveis para provê-los. O conceito responde a uma observação de que diversas nações estariam sendo confrontadas por uma incapacidade das infraestruturas de cuidado e das relações sociais vigentes proverem adequadamente a demanda, o que leva a uma situação de "déficits de cuidados". Como consequência, entende-se que a forma como os cuidados são socialmente providos atualmente é insustentável, o que demandaria mudanças na organização social dos cuidados.https://mds.gov.br/webarquivos/MDS/7_Orgaos/SNCF_Secretaria_Nacional_da_Politica_de_Cuidados_e_Familia/Arquivos/Cartilha/Marco_Conceitual.pdf
Aprofundamento da crise dos cuidados Diversos fatores contribuem para o aprofundamento da crise dos cuidados. Primeiramente, destaca-se a transição demográfica, marcada por queda nas taxas de natalidade, envelhecimento populacional e aumento da incidência de deficiências ao longo da vida, que leva a um aumento da população que necessita de cuidados relativamente à população potencialmente cuidadora. Ainda, o encarecimento dos custos de vida, a piora das condições de trabalho, as infraestruturas urbanas e de transporte precárias contribuem para as dificuldades de acesso aos serviços de cuidados providos pelo estado, comunidades e mercado e pressionam ainda mais as famíliashttps://mds.gov.br/webarquivos/MDS/7_Orgaos/SNCF_Secretaria_Nacional_da_Politica_de_Cuidados_e_Familia/Arquivos/Cartilha/Marco_Conceitual.pdf, já sobrecarregadas pelo modelo caracterizado pelo familismo, onde as famílias são responsabilizadas sobremaneira pelos cuidados. Nesse sentido o envelhecimento populacional não seria apenas um fator pressionando a crise, mas também um sintoma, pois com o pois cada vez menos capazes de dedicar tempo aos cuidados, as famílias tenderiam a ter cada vez menos filhos. Assim, mudanças na organização social dos cuidados seriam necessárias para romper com um ciclo de aprofundamento das crises do cuidados.
Uma crise sistêmica A crise dos cuidados é tratada por autoras como a Nancy Fraser como uma crise sistêmica. A partir da concepção marxista de crise e da teoria da reprodução social, a autora aponta como são os próprios incentivos do sistema de acumulação que levam a um aprofundamento da crise, onde a exploração dos trabalhadores e a apropriação do trabalho de cuidado não remunerado por parte dos capitalistas eleva seus lucros no presente porém compromete a capacidade reprodutiva da sociedade no futuro.
A sociedade dos cuidados Partindo de um entendimento dos aspectos sistêmicos das crises dos cuidados, feministas propõe a necessidade de se implementar uma agenda de cuidados transformadorahttps://nuso.org/articulo/o-cuidado-de-conceito-analitico-agenda-politica/ e de se estabelecer um pacto ao redor de uma sociedade que cuidahttps://conferenciamujer.cepal.org/15/es/documentos/la-sociedad-cuidado-horizonte-recuperacion-sostenible-igualdad-genero. Observa-se avanços institucionais recentes, como o compromisso de Buneos Aires, que reconheceu o direito aos cuidados e a XV Conferencia Regional sobre la Mujer de América Latina y el Caribe, que cria um compromisso de transição para uma sociedade que cuidahttps://www.cepal.org/pt-br/comunicados/os-paises-regiao-se-comprometeram-transitar-novo-estilo-desenvolvimento-sociedade. No caso do Brasil destaca-se a aprovação da Política nacional de cuidados do Brasil em Dezembro de 2024 e o lançamento do Plano Nacional de Cuidados do Brasil, Plano Brasil que Cuida, em dezembro de 2025https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/brasil-que-cuida.