Organização Social dos Cuidados é um termo que explicita como uma dada sociedade compartilha o provimento dos cuidados entre o Estado, o Mercado, as Famílias e a Comunidade. A forma específica como cada sociedade organiza a produção e distribuição do cuidado entre essas instituições é a sua organização social do cuidado.Razavi, S. (2007). The political and social economy of care in a development context: Conceptual issues, research questions and policy options (Gender and Development Programme Paper Number 3). United Nations Research Institute for Social Development (UNRISD). Disponíve em: https://cdn.unrisd.org/assets/library/papers/pdf-files/razavi-paper.pdf
No Brasil, inúmeras especialistas que construiram a Política Nacional dos Cuidados, no âmbito do grupo de trabalho interministerial, bem como da consulta pública que viabilizou 820 contribuições da sociedade civil, produziram um Marco Conceitual desta política. Nele, a Organização Social dos Cuidados no Brasil foi considerada desigual, injusta e insustentável. Isso porque, de um lado, grande parte da população não acessa o cuidado na qualidade que necessitam, de outro, a produção do cuidado recai majoritariamente sobre as Famílias, e dentro delas, sobre as mulheres.BRASIL. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, FAMÍLIA E COMBATE À FOME. Marco Conceitual da Política Nacional de Cuidados do Brasil. Cuidado em Debate n.1. Disponível em: https://mds.gov.br/webarquivos/MDS/7_Orgaos/SNCF_Secretaria_Nacional_da_Politica_de_Cuidados_e_Familia/Arquivos/Cartilha/Marco_Conceitual.pdf
História Os estudos sociais e econômicos feministas, que incorporam uma perspectiva de gênero, partiram da crítica aos estudos sobre os "regimes de bem-estar social", como aqueles elaborados por Esping-Andersen nos anos de 1990. Em seu lugar, essas críticas estabeleceram, a ideia de "regimes de cuidado", em que chamam atenção para a grande parcela da provisão de bem-estar que as mulheres historicamente realizam, de forma remunerada ou não remunerada no âmbito das famílias.
Regimes de bem-estar ou de cuidado foram ambos conceitos formulados no contexto europeu. Após contundente crítica e aporte do sul-global, além de incorporar a contribuição das famílias na provisão do cuidado, a formulação mais bem aceita da organização social do cuidado incorpora mais um vértice de provedores de cuidado: a comunidade. A comunidade, ou outros coletivos que proveem cuidados, são de imensa relevância para os países do sul global. Nestes países a figura que mais explicita a organização social do cuidado é o diamente do cuidado
A contribuição das estudiosas da América Latina foi no sentido de revelar os arranjos mais flexíveis, informais, frágeis, mas também inventivos e inovadores que o trabalho de cuidados tem na região. Assim, a Organização Social do Cuidado alude a formas sociais menos rígidas do que aquela convocada por conceitos de regimes.
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