Resumo geral/introdução A Universidade da República (em espanhol Universidad de la República - UdelaR) é a única instituição de ensino superior pública do Uruguai. Sendo a maior e a mais importante do país; em 2012, a instituição contava com 108 886 estudantes.

A Facultad de Arquitectura de Montevideo, pertencente à Universidade da República , no Uruguai. É uma instituição responsável pelo ensino de arquitetura e por estimular o desenvolvimento intelectual e sensível dos estudantes, com o objetivo de constituir um centro artístico-cultural de referência. Originalmente, a faculdade dividia espaço com o curso de engenharia em um antigo edifício da faculdade de matemática, situação que demandava uma sede própria capaz de atender ao crescimento do corpo discente e elevar a qualidade do ensino

O edifício localizado na esquina da Avenida Espanha com o Boulevard Artigas foi fruto de um concurso público realizado em 1938, vencido pelos arquitetos Román Fresnedo Siri e Mario Muccinelli. Os critérios do concurso exigiam um projeto adequado, digno e compatível com um alto nível de ensino, que contribuísse para a cultura do país e abrigasse também a Escola Nacional de Belas Artes e o Museu de Belas Artes. A construção foi realizada entre 1944 e 1948, local onde a faculdade permanece consolidada até hoje.

O projeto passou por um longo processo de definição de implantação antes de ser executado. A proposta original previa o Parque Rodó, na Avenida Julio Herrera y Reissig, porém o terreno foi descartado por ser considerado pequeno, pela proximidade com a Faculdade de Engenharia e por comprometer a vista ao parque. Uma segunda implantação no mesmo local também foi rejeitada. O terreno definitivamente adotado, embora viabilizasse a construção, impôs limitações programáticas que resultaram na exclusão da Escola Nacional de Belas Artes e do Museu de Belas Artes do programa original.

História Fundada em 18 de julho de 1849 na capital uruguaia, a faculdade de Montevidéu, teve Lorenzo Antonio Fernández como seu primeiro reitor. Atualmente é formada por quatorze faculdades, além de vários institutos, escolas e um hospital universitário.

No início do século XX internamente o Uruguai recebeu grande fluxo de imigrantes italianos e espanhóis, seguido, a partir da década de 1930 devido por migrantes do interior atraídos pelo crescimento econômico.

O “Uruguaimoderno” nasceu em meio a conflitos e debates sobre as virtudes e os defeitos de distintos modelos de integração do adentro e do afora. Em 31 de março de 1933, com a tela de fundo da crise econômica internacional instalada no país, o então presidente Gabriel Terra deu um golpe de Estado e implantou uma ditadura civil, na qual, apesar das expectativas dos setores mais reacionários da coalizão política que lhe deu sustento, não puderam prosperar medidas decisivas de desarticulação do modelo reformista desenvolvido nas décadas anteriores. Por meio de outro golpe de Estado civil, dado pelo então presidente Alfredo Baldomir em 21 de fevereiro de 1942, e após um período de transição que durou cinco anos, o país retornou, em 1947-1951, a uma restauração battlista no enfoque dominante das políticas públicas, presidida por outro membro da dinastia dos Batlle, o sobrinho de Don Pepe, Luis Batlle Berres.

Socialmente, Montevidéu na década de 1940, era uma cidade em transformação. A migração interna e externa contribuiu para uma diversidade cultural e um aumento da demanda por serviços e moradias. A cidade, conhecida como a “Suíça da América”, devido à sua estabilidade democrática e social, buscava consolidar sua identidade moderna. Territorialmente, a expansão urbana era um desafio, com a necessidade de planejar e construir novas áreas para acomodar a crescente população e as atividades econômicas.

Assim, a construção da Facultad de Arquitectura insere-se diretamente nesse contexto de crescimento e modernização. A necessidade de uma sede própria para a faculdade, a fim de atender ao aumento de alunos e melhorar a qualidade de ensino, tendo em vista que antes funcionava de forma precária devido a dividir o mesmo espaço da Faculdade de Engenharia em um antigo edifício da Faculdade de Matemática.

Perante ao exposto, essas mudanças refletem a crescente demanda por educação superior e a valorização da arquitetura como disciplina fundamental para o desenvolvimento urbano. Contudo, a arquitetura de Román Fresnedo Siri e Mario Muccinelli, inserida em um cenário de transformações políticas, urbanização e debates sobre modelos de desenvolvimento, tornou-se símbolo da modernidade uruguaia e da valorização da arquitetura como instrumento de construção da cidade moderna. Arquitetura Concepção arquitetônica e implantação

A Facultad de Arquitectura de Montevideo foi concebida como um espaço destinado não apenas ao ensino formal da arquitetura, mas também à convivência e às trocas culturais e intelectuais entre estudantes e professores. O edifício foi implantado no alinhamento do terreno, com pequenos recuos frontal e lateral, aproveitando a topografia existente para elevar visualmente a construção sobre um talude, estratégia que reforça sua monumentalidade urbana.

A composição do edifício organiza-se a partir de uma planta triangular estruturada em torno de um pátio interno. O conjunto é formado por duas alas principais articuladas pelo auditório central, enquanto uma ala rotacionada abriga setores administrativos e de serviços. Trechos curvos conectam os diferentes volumes e contribuem para a fluidez espacial do conjunto arquitetônico.

A biblioteca subdivide parcialmente o triângulo interno, enquanto a composição geral preserva um eixo central simétrico marcado pelo anfiteatro. A fachada principal mantém a ala maior como referência formal do conjunto.

Organização espacial O acesso principal ao edifício ocorre por meio de uma ampla escadaria de mármore voltada ao Boulevard Artigas. A escadaria acompanha o desnível do terreno e conduz a uma antecâmara protegida por portas de vidro. O sistema de fechamento é composto por grandes esquadrias e uma grelha interna de concreto, funcionando como filtro para a iluminação natural.

Fachadas, estrutura e materiais As fachadas são marcadas pela combinação entre pilares aparentes, planos envidraçados e volumes revestidos em pedra. A composição enfatiza a modulação estrutural e reforça a monumentalidade do edifício, especialmente através da grande escadaria de acesso e das marquises curvas.

A implantação sobre um talude é reforçada por muros de pedra que acompanham o desnível do Boulevard España. As extremidades dos blocos são marcadas por volumes fechados em pedra, destacando as circulações verticais e contribuindo para a composição volumétrica do conjunto.

O edifício utiliza estrutura em concreto armado, permitindo grandes vãos de 10 a 15 metros a depender em que ala você esteja e espaços amplos destinados aos ateliês. O uso extensivo de vidro favorece a iluminação natural, enquanto galerias abertas e pátios internos contribuem para a ventilação cruzada e o conforto ambiental.

Os pilares estruturais aparecem em diferentes configurações ao longo das fachadas, ora associados aos planos de vidro e paredes, ora independentes ou parcialmente fragmentados pelas lajes. Esse recurso reforça o ritmo compositivo e estabelece hierarquias espaciais na organização arquitetônica.

Além do concreto armado e do vidro, o edifício utiliza alvenaria nos fechamentos entre os elementos estruturais e componentes metálicos em caixilharias e guarda-corpos.

A organização em torno do pátio central, associada às galerias abertas e à modulação estrutural regular, constitui uma das principais estratégias projetuais do edifício, favorecendo a circulação, a convivência coletiva e o desempenho ambiental dos espaços internos.

Atualmente Atualmente a antiga Faculdade de Arquitetura tornou-se oficialmente Facultad de Arquitectura, Diseño y Urbanismo (FADU) em 2015, durante as comemorações de seu centenário. A mudança refletiu a ampliação de suas áreas de atuação, que passaram a incluir não apenas Arquitetura, mas também Design Industrial, Design de Comunicação Visual, Design Integrado, Design de Paisagem e Urbanismo. O edifício continua exercendo a função para a qual foi concebido: sediar a formação em arquitetura. Entretanto, a ocupação contemporânea é muito mais intensa do que a prevista pelos arquitetos na década de 1930.

O conjunto abriga: salas de aula; ateliês de projeto; biblioteca especializada; institutos de pesquisa; laboratórios; auditórios; espaços expositivos; setores administrativos.

O pátio central, elemento fundamental do projeto original, permanece sendo um dos espaços mais característicos da vida acadêmica da faculdade.

Galeria

Ver também Hospital de Clínicas Dr. Manuel Quintela

Ligações externas

Bibliografia ACADÊMICOS de Arquitetura e Urbanismo ampliam conhecimentos em viagem para o Uruguai. ''Jornal Minuano'', 12 nov. 2024.

CUDUCOS, Eduardo. ''Faculdade de Arquitetura da Universidad de la República, Montevidéu #2''''. Flickr.

DEJTIAR, Fabián (no expresa). «Facultad de Arquitectura, Universidad de la República / Román Fresnedo Siri y Mario Muccinelli». Clásicos de Arquitectura:. Consultado no dia 17 de diciembre de 2025.

«Facultad de Arquitectura - Román Fresnedo Siri». Facultad de Arquitectura, Diseño y Urbanismo (Universidad de la República). Consultado no dia 17 de diciembre de 2025.

WEIZENMANN, Jamile Maria da Silva. ''A arquitetura de Román Fresnedo Siri (1938–1971)''.'' Dissertação (Mestrado em Arquitetura) — Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

Referências