O Comité de Ação contra a Resistência aos Fungicidas (Fungicide Resistance Action Committee, FRAC) é um grupo técnico internacional de especialistas, operando sob a égide da associação CropLife International, dedicado à gestão e prevenção do desenvolvimento de resistência de fungos fitopatogénicos aos produtos fungicidas. Fundado com o propósito de prolongar a eficácia das substâncias ativas disponíveis no mercado agrícola, o FRAC funciona como um fórum de colaboração entre as principais empresas da indústria agroquímica para analisar casos de perda de sensibilidade em campo e definir diretrizes técnicas rigorosas. O comité desempenha um papel vital na segurança alimentar global, uma vez que a resistência aos fungicidas pode levar a perdas catastróficas em culturas essenciais, como cereais, vinha e hortícolas, tornando o controlo de doenças economicamente inviável ou biologicamente impossível se as ferramentas químicas forem mal geridas.

A principal ferramenta de referência produzida por esta organização é o Código FRAC e a respetiva Tabela de Classificação de Fungicidas, que categoriza as substâncias ativas de acordo com o seu modo de ação específico (MoA) ao nível molecular e o seu risco intrínseco de desenvolvimento de resistência. Esta classificação é fundamental para que agricultores, agrónomos e investigadores possam planear estratégias de alternância e mistura de produtos com diferentes mecanismos bioquímicos, evitando a pressão de seleção contínua sobre as populações de fungos através do uso repetido de compostos com o mesmo local-alvo. O sistema de códigos (números e letras) permite uma identificação rápida nas embalagens dos produtos, facilitando a implementação de programas de Gestão Integrada de Pragas (GIP) que priorizam a diversidade química e a preservação da biodiversidade microbiana no solo e nas plantas.

Além da vertente classificativa, o FRAC mantém diversos subgrupos de trabalho especializados em patógenos ou classes químicas específicas, como os triazóis, as estrobilurinas e as SDHIs, que monitorizam continuamente a evolução da sensibilidade fúngica em diferentes regiões geográficas. Estes grupos publicam anualmente recomendações atualizadas sobre as doses de aplicação, o número máximo de tratamentos por ciclo cultural e os períodos críticos de intervenção, baseando-se em dados científicos robustos e em monitorização laboratorial de última geração. Através de parcerias com instituições académicas e organismos reguladores, o comité assegura que o conhecimento técnico sobre a biologia da resistência seja disseminado globalmente, promovendo uma agricultura sustentável que minimiza o impacto ambiental ao evitar aplicações desnecessárias de produtos que já não oferecem o controlo biológico pretendido.

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