Canto Nono é um grupo vocal português de música a cappella, fundado em fevereiro de 1992 na cidade do Porto. O grupo é constituído por oito cantores, repartidos por quatro vozes femininas e quatro vozes masculinas, e desenvolve um trabalho centrado na interpretação vocal sem acompanhamento instrumental.
Percurso Anos 90 O Canto Nono apresentou-se publicamente pela primeira vez a 10 de dezembro de 1992, no Rivoli Teatro Municipal, no âmbito do ciclo «Ao Nascer da Noite». No ano seguinte, participou como suporte vocal no espetáculo de rua «Queima do Judas», organizado pela Câmara Municipal do Porto, e dinamizou dois seminários com Ward Swingle, fundador do grupo Swingle Singers.
O trabalho desenvolvido com Ward Swingle revelou-se determinante para a evolução artística do grupo, que passou a integrar no seu repertório várias obras da autoria do músico, incluindo arranjos elaborados especificamente para o Canto Nono. Na sequência desta colaboração, em maio de 1997 o grupo lançou o seu primeiro álbum Canto Nono no Café Majestic, com o apoio do jornal Público.
A faixa «El Paisanito» foi nomeada para o prémio de Melhor Interpretação na categoria de Folk/World Music pela Contemporary A Cappella Society of America (CASA), tendo sido incluída numa coletânea internacional de música a cappella ao lado de grupos como The King’s Singers, The Bobs e The Concordia Choir. Ainda nesse ano, o Canto Nono participou no concurso televisivo «1, 2, 3», da RTP.
Durante a década de 1990, o Canto Nono participou em diversos projetos artísticos e culturais, incluindo a peça de teatro «Mais Mar Houvesse», com encenação de João Paulo Seara Cardoso e música de Jorge Constante Pereira, e a homenagem a Henrique Alves Costa, realizada na Casa das Artes, em 1996.
Em 1998, o grupo integrou o Festival de Artes de Macau, apresentando-se na Igreja de São Domingos e no Teatro Dom Pedro V. No ano seguinte, estabeleceu um protocolo com o Ministério da Cultura para a realização de concertos pedagógicos dedicados à sensibilização para a música vocal.
Anos 2000 Em novembro de 2001, o Canto Nono estreou o espetáculo «Sons do Porto – A Cidade a Oito Vozes», com direção musical de José Mário Branco e textos de Carlos Tê, Germano Silva e Manuel António Pina, integrado na programação da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. O espetáculo esgotou todas as apresentações e foi apresentado em digressão nacional no ano seguinte.
O Canto Nono participou ainda na banda sonora do filme A Raiz do Coração, de Paulo Rocha, com música de José Mário Branco.
Em 2002, participou no disco Irmão do Meio, de Sérgio Godinho, com o tema «Que força é essa», com arranjo de José Mário Branco. Em outubro de 2003, foi lançado o álbum O Porto a Oito Vozes pela editora EMI–Valentim de Carvalho.
A partir de 2005, o grupo iniciou uma digressão internacional, com concertos em países como Espanha, Alemanha e Países Baixos. Ao longo deste período, participou em diversos projetos musicais e teatrais, incluindo «Hamlet Machine», com encenação de Isabel Barros e João Paulo Seara Cardoso, com música de Roberto Neulichedl.
Em 2012, o Canto Nono apresentou no Rivoli Teatro Municipal o espetáculo de criação própria «2012 FM Stereo»
Projetos e colaborações Para além do repertório tradicionalmente a cappella, o trabalho do Canto Nono inclui colaborações com instrumentistas de jazz e projetos musicais diversificados, nomeadamente em concertos de homenagem a George Gershwin, apresentados no Festival de Jazz de Estremoz e no âmbito do projeto «Musicalidades – Encontros Musicais de Montemor-o-Novo».
O grupo participou ainda em produções discográficas de artistas como Jean Sommer, Sérgio Godinho e João Lóio, bem como no álbum Uma Outra História, editado pela FNAC por ocasião do Dia Mundial da Música. A faixa «Etelvina», de Sérgio Godinho, com arranjo de José Mário Branco, recebeu o prémio de Best A Cappella Jazz Song atribuído pela CASA.
Atividade recente Em abril de 2023, estreou no Coliseu do Porto Ageas o espetáculo «A Força (O Poder) da Palavra – Um Canto a José Mário Branco», que posteriormente foi apresentado em digressão nacional. O álbum homónimo foi editado em 2024.
Em março de 2024, o grupo foi convidado de honra no espetáculo «Liberdade 25», de Sérgio Godinho, juntamente com A Garota Não. Em janeiro de 2025, integrou o espetáculo de Fim de Ano da cidade do Porto, com Rui Veloso.
Em junho de 2025, apresentou as «Canções Heróicas», de Fernando Lopes-Graça, com a Orquestra do Algarve, sob a direção do maestro Pablo Urbina, no Cineteatro Louletano. Em novembro do mesmo ano, lançou o single «Grão da mesma mó», com a participação de Sérgio Godinho, e estreou em janeiro de 2026 o espetáculo «Que Voz de Liberdade é Essa? – Um Canto a Sérgio Godinho».
Discografia Canto Nono (Estúdios Rangel, 1997) O Porto a Oito Vozes (EMI–Valentim de Carvalho, 2003) A Força (O Poder) da Palavra – Um Canto a José Mário Branco (Tradisom, 2024)
Colaborações em disco Irmão do Meio – Sérgio Godinho Bom Voyage – Jean Sommer C.A.S.A (Contemporary A Capella Society of America) Uma outra história
Colaborações ao Vivo José Mário Branco Sérgio Godinho Rui Veloso Jean Sommer Orquestra do Algarve
Participações especiais Mais Mar Houvesse – João Paulo Sera Cardoso / Jorge Constante Pereira A Raiz do Coração – Paulo Rocha / José Mário Branco Cosi Fan Tutte – José Ramalho / Bertrand Brouder Furnas - Uma Visita – Ângelo de Sousa / Jorge Constante Pereira
Ligações externas Canto Nono: Um Canto a José Mário Branco— episódio do programa «A Árvore da Música», da RTP
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