Anastasía Alexandrovna Biseniek ( nascida Anastasiya Finogenova; Dno, 1899 – 13 de outubro de 1943) foi uma partisan soviética e líder da organização clandestina em Dno, na região de Pskov, no noroeste da Rússia.
É lembrada por sua atuação na resistência contra as forças de ocupação alemãs durante a Segunda Guerra Mundial e por seu trabalho de sabotagem, transmissão de informações e apoio à inteligência soviética no período de Operação Barbarossa.
Biografia Anastasia nasceu em 1899 na cidade de Dno, então parte do Império Russo, em uma família numerosa com quatro irmãos e três irmãs. Seu pai, Aleksander Pavelovich Finogenov, trabalhava na estação de trem de Dno. Após concluir a escola primária, Anastasia começou a trabalhar na estação ferroviária. Durante a Primeira Guerra Mundial, seu pai foi recrutado pelo exército imperial e, posteriormente, ferido na Guerra Civil Russa, retornando ao trabalho como sapateiro.
Em 1919, Anastasia retornou a Dno e trabalhou em um internato ligado à ferrovia. Em 1921, casou-se com um refugiado letão, Fiodor Biseniek, adotando seu sobrenome. O casal teve um filho, Yuri. Em 1922, Fiodor voltou para a Letônia com a família dele sem avisá-la, e Anastasia cruzou a fronteira clandestinamente na tentativa de encontrá-lo, vivendo lá cerca de dez anos e tendo outro filho, Konstantin.
Em 1932, com a ajuda de conexões políticas, Anastasia conseguiu retornar a Dno, onde trabalhou como funcionária de carga e depois como condutora de trem. Durante o período conhecido como Grande Expurgo, ela foi presa em 1937 pela polícia secreta soviética (NKVD) por ter deixado o país ilegalmente, sendo posteriormente libertada após a revisão do processo em 1939.
Atividades na Segunda Guerra Mundial Após a invasão alemã da União Soviética em 1941, o Comitê do Partido Comunista de Dno formou um destacamento de partisans para resistir ao avanço inimigo. O filho mais velho de Anastasia, Yuri, juntou-se a essa unidade. Os líderes partidários convidaram Anastasia para liderar a parte da resistência que permaneceu na cidade de Dno. Suas funções incluíam organizar a vigilância da estação ferroviária e da cidade, coletar e transmitir informações aos guerrilheiros, conduzir reuniões clandestinas e sabotar comunicações e equipamentos alemães para atrasar o avanço militar contra Leningrado.
Biseniek estabeleceu conexões com unidades partisans na área, colaborando na coleta de inteligência e na coordenação de operações de sabotagem ferroviária. Entre suas ações destacam-se fornecer explosivos e apoio para operações de destruição de material ferroviário usado pelos alemães; organizar informações sobre movimentos de tropas inimigas para os destacamentos guerrilheiros e; aconselhar e apoiar guerrilheiros e prisioneiros de guerra.
Prisão e tortura
No verão de 1943, Anastasia foi presa pela Gestapo (polícia militar secreta alemã) sob suspeita de atividades de resistência. Apesar da falta de provas, as autoridades alemãs tentaram, sem sucesso, recrutá-la como colaboradora. Ela resistiu às tentativas de cooptação e permaneceu sob vigilância. Após uma primeira soltura sob observação, e já consciente de que seria novamente presa, Anastasia devolveu suprimentos acumulados e ajudou outros partisans a encontrar refugio, mas voltou para seu apartamento em Dno, onde foi detida novamente; suas famílias foram libertadas posteriormente.
Ela foi levada a uma prisão em Porkhov e submetida a tortura física e psicológica por alemães tentando forçar confissões e nomes de outros membros da resistência, mas Anastasia não cedeu.
Execução e reconhecimento póstumo Em agosto de 1943, Anastasia foi enviada ao campo de extermínio Zapolyansky, no oblast de Pskov, ocupado pelos alemães. Segundo registros históricos, ela foi executada por ordens do comandante do campo em 13 de outubro de 1943.
Mais de vinte anos depois, em 8 de maio de 1965, por decreto do Soviete Supremo da União Soviética, Anastasia Alexandrovna Biseniek foi agraciada com o título de Heroína da União Soviética, assim como outros nove partisans da região de Pskov, em reconhecimento ao seu papel na resistência contra a ocupação nazista.
Uma placa memorial foi instalada na estação ferroviária de Dno onde ela trabalhava, homenageando sua resistência, coragem e sacrifício. A estação também abriga um pequeno museu dedicado à história da cidade sob ocupação alemã e uma rua central em Dno foi nomeada em sua homenagem.
Ver também União Soviética na Segunda Guerra Mundial Lista de Heroínas da União Soviética
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