miniaturadaimagem|O centro histórico de Salonica, com monumentos das eras helenística, romana, bizantina e otomana da cidade A história da cidade de Salonica remonta aos antigos macedônios. Hoje, com a abertura das fronteiras do sudeste europeu, a cidade está experimentando um forte renascimento, servindo como porto primeiro para as regiões ao norte da Grécia da Trácia e Macedônia, assim como para o resto do sudeste europeu.

Era helenística miniaturadaimagem|180x180px|Moeda representando Cassandro, fundador de Salonica esquerda|miniaturadaimagem|241x241px|Vaso da era macedônica no Museu Arqueológico de Tessalônica A cidade foi fundada por volta de 315 a.C. pelo rei Cassandro da Macedônia, no lugar ou perto do sítio da antiga cidade de Terma e de vinte e seis outras vilas locais. Cassandro nomeou sua nova cidade em homenagem à sua esposa, Tessalônica, meia-irmã de Alexandre, o Grande. Seu nome ("vitória dos tessálios", do grego: nikē "vitória) é em comemoração ao dia em que seu pai, Filipe II, venceu uma batalha com a ajuda de cavaleiros tessálios.

Salonica desenvolveu-se rapidamente e no início do século II a.C., teve suas primeiras muralhas construídas para proteger a cidade. A cidade também foi uma parte autônoma do Reino da Macedônia, com seu próprio parlamento onde um rei era representado e podia interferir nos assuntos da cidade.

Era romana antiga/clássica miniaturadaimagem|O Arco de Galério na Rua Egnatia Depois da queda do Reino da Macedônia em 168 a.C., Tessalônica, como passou a se chamar em latim, tornou-se uma cidade da República Romana. A cidade cresceu e tornou-se um importante polo comercial na Via Egnácia, a estrada romana que conectava Bizâncio (futuramente Constantinopla) com Durazo (atual Durrës, na Albânia), o que facilitou o comércio entre Europa e Ásia. A cidade tornou-se a capital de um dos quatro distritos romanos da Macedônia, e por um curto período no século I a.C., foi a capital de todas as províncias gregas. Manteve seus privilégios, mas era governada por um pretor e mantinha uma guarnição romana. Dada a sua importância comercial, um grande porto foi construído pelos romanos, o famoso Porto Escavado (Σκαπτός Λιμήν) que abrigou o comércio da cidade até o século XVIII. Mais tarde, por causa dos resíduos de lama do Rio Vardar, a terra tomou o local e o porto teve que ser expandido. Remanescentes das antigas docas do porto podem ser encontrados atualmente na Rua Frangon, perto da igreja católica da cidade.

A acrópole de Salonica, localizada nas colinas ao norte, foi construída em 55 a.C. por razões de segurança, após as invasões trácias ao redor da cidade.

Por volta de 50 d.C., em sua segunda viagem missionária, o apóstolo Paulo discutiu com os judeus sobre as Escrituras em três sábados e semeou as sementes da primeira igreja cristã em Salonica. Durante o período em que Paulo esteve na cidade, ele convenceu alguns, tanto entre judeus como entre gregos a adotarem as crenças cristãs, assim como convenceu algumas líderes mulheres da cidade. Entretanto, os judeus que mantiveram sua fé não queriam mais conflitos sectários em suas sinagogas e baniram Paulo e seus companheiros de seu meio; reuniram uma multidão, começaram um motim e acusaram a companhia apostólica de "virar o mundo do avesso". Por não serem mais bem-vindos, Silas e Timóteo acabaram sendo expulsos de Salonica pelos cristãos recém-convertidos. De lá, os evangelistas foram para Bereia, onde eles foram bem-sucedidos em converterem algumas pessoas na cidade. Os três viriam a continuar suas viagens, e Paulo escreve duas cartas para a nova igreja em Salonica, provavelmente entre 51 e 53: a Primeira Epístola aos Tessalonicenses e a Segunda Epístola aos Tessalonicenses.

Em 306, Salonica adotou São Demétrio como padroeiro. Os cristãos atribuíram a ele um número de milagres que salvaram a cidade. Ele era procônsul romano da Grécia durante o reinado de Maximiano. Demétrio foi morto numa prisão romana, onde a igreja de São Demétrio foi construída. A igreja foi construída pelo sub-prefeito romano de Ilírico, Leôncio, em 463. Outros remanescentes desse período são o Arco e Tumba de Galério, localizado no centro da cidade moderna de Salonica.

Era bizantina romana e ocupações estrangeiras intermitentes; Antiguidade Tardia ao Final da Idade Média esquerda|miniaturadaimagem|210x210px|Santos Cirilo e Metódio miniaturadaimagem|A basílica de São Demétrio, santo padroeiro da cidade miniaturadaimagem|A igreja da Santa Sabedoria (Hagia Sophia) no centro de Salonica miniaturadaimagem|247x247px|Teodoro Gaza, também chamado pelo epíteto de Thessalonicensis (latim) e Thessalonikeus (grego), foi um humanista e tradutor de Aristóteles Quando a prefeitura romana da Ilíria foi dividida entre as metades romanas do Oriente e do Ocidente em 379, Salonica tornou-se a capital da nova prefeitura da Ilíria (reduzida em tamanho). Sua importância só ficava atrás da própria Constantinopla na região dos Bálcãs e do Egeu, sendo em 390 palco de uma revolta contra o imperador Teodósio I e seus mercenários góticos. Buterico, seu general, junto com vários de seus oficiais de alto escalão foram mortos em uma revolta desencadeada pela prisão de um cocheiro local por pederastia a um dos meninos escravos de Buterico.Gibbon, The Decline and Fall of the Roman Empire, cap.27 2:56 Cerca de 7.000 a 15.000 cidadãos foram massacrados no hipódromo da cidade em vingança — um ato que deu a Teodósio uma excomunhão temporária.

Um interlúdio tranquilo se seguiu até repetidas invasões bárbaras após a queda do Império Romano do Ocidente, onde um catastrófico terremoto danificou severamente a cidade em 620, resulta do na destruição do Fórum Romano e de vários outros edifícios públicos. Salonica sofreu ataques dos eslavos no século VII (notavelmente em 617 e 676-678); entretanto, eles falharam em capturar a cidade. Os irmãos bizantinos Cirilo e Metódio nasceram em Tessalônica e foi o imperador bizantino Miguel III que os encorajou a visitar as regiões mais ao norte como missionários, onde adotaram a língua eslava do sul como base para o antigo eslavo eclesiástico. No século IX, os bizantinos decidiram transferir o mercado de produtos búlgaros de Constantinopla para Salonica. O czar Simeão I da Bulgária invadiu a Trácia, mas foi derrotado pelo exército bizantino e forçou o Império a transferir o mercado de volta para Constantinopla. Em 904, os sarracenos, liderados por Leão de Trípoli, planejaram um cerco à cidade e depois de dez dias de depredação, deixaram a cidade após libertarem 4.000 prisioneiros muçulmanos e capturarem 60 navios,Faith and sword: a short history of Christian-Muslim conflict de Alan G. Jamieson, pg.32 além de um grande saque e 22 mil escravos, a maioria jovens.de acordo com os cálculos de João Caminiata

Após tudo isso, a cidade se recuperou e a gradual restauração do poder bizantino durante os séculos X, XI e XII trouxe paz para a região. Segundo Benjamin de Tudela, uma comunidade de ao menos 500 judeus existia no século XII quando ele visitou a cidade. Naquele tempo, a cidade sediava a festa de São Demétrio todo mês de outubro, que acontecia fora das muralhas da cidade e durava seis dias.

A expansão econômica da cidade continuou durante o século XII e os imperadores comnenos expandiram o controle bizantino para a Sérvia e a Hungria, para o norte. A cidade era conhecia por ter sediado uma casa da moeda imperial neste período. Porém, após a morte de Manuel I Comneno em 1180, as fortunas do Império Bizantino começaram a cair e, em 1185, os governantes normandos da Sicília, liderados pelo Conde Balduíno e Ricardo d'Acerra, atacaram e ocuparam a cidade, destruindo consideravelmente o local. Apesar disso, dominaram a região por menos de um ano, sendo derrotados pelo exército bizantino em duas batalhas meses depois, forçando-os a desocupar a cidade. esquerda|miniaturadaimagem|129x129px|Brasão de armas do Reino de Salonica (1204–1224) Salonica foi perdida pelos bizantinos em 1204, quando Constantinopla foi dominada na Quarta Cruzada. Salonica e seus arredores — o Reino de Salonica — tornaram-se o maior feudo do Império Latino, cobrindo a maior parte do norte e do centro da Grécia. A cidade foi doada pelo imperador Balduíno I a seu rival, Bonifácio de Montferrat, mas foi retomada pelos bizantinos em 1224 por Teodoro Comneno Ducas, o governante grego de Epiro, que estabeleceu o Império de Salonica. Depois da Batalha de Klokotnitsa em 1230, o czar João Asen II da Bulgária fez dos governantes de Salonica seus vassalos. A cidade tornou-se subordinada ao Império de Niceia em 1242, quando seu governantes, João Comneno Ducas, perdeu seu título imperial e foi anexada por completo em 1246.

Neste período, apesar das invasões intermitentes, Salonica tinha uma grande população e comércio pujante, o que gerava um esforço intelectual e artístico que pode ser visto em várias igrejas e afresco dessa época e pelos estudiosos ensinando lá, como Tomás Magistro, Demétrio Triclínio, Nicéforo Cumno, Constantino Armenôpulo e Nilo Cabásilas. Exemplares da arte bizantina sobrevivem na cidade, particularmente os mosaicos de algumas igrejas históricas, como a igreja de Hagia Sofia e a igreja de São Jorge.

Entretanto, no século XIV, a cidade enfrentou uma revolta de um movimento social de zelotes (1342-1349), nascido de um conflito religioso entre o bispo Gregório Palamas, que apoiava princípios conservadores, e o monge Barlaão. Rapidamente, tornou-se um movimento político anti-aristocrático durante a Guerra civil bizantina de 1341-47, fazendo os zelotes governaram a cidade de 1342 até 1349.

Era otomana miniaturadaimagem|260x260px|A fotografia mais antiga de Salonica, 1863 O Império Bizantino, não podendo defender a cidade contra o avanço do Império Otomano, entregou-a em 1423 para a República de Veneza. Veneza dominou a cidade até ter sido capturada por um cerco de três dias do sultão otomano Murade II, em 29 de março de 1430. Os otomanos já tinham capturado Salonica em 1387, mas perderam a cidade após a derrota na Batalha de Ancara contra Tamerlão. em 1402, quando as enfraquecidas forças otomanas foram obrigadas a entregar consideráveis territórios aos bizantinos. Durante o período otomano, as populações muçulmana e judaica da cidade cresceram. Em 1478, Salonica tinha uma população de 4.320 muçulmanos e 6.094 de habitantes ortodoxos gregos. Em c. 1500, o número de muçulmanos cresceu para 8.575, e os gregos eram 7.986, fazendo dos gregos uma minoria. Nesse mesmo tempo, judeus sefarditas começaram a chegar da Espanha. A expulsão dos judeus da Espanha, promulgada pelos reis católicos Fernando e Isabel, forçaram os judeus a se converterem ao cristianismo ou serem exilados, enquanto os alegados "falsos conversos" (marranos) eram torturados e mortos com o apoio da Inquisição. Visando diluir o nacionalismo grego e enfraquecê-lo, o imperador otomano convidou os judeus a se reassentarem em seus territórios, que incluíam Salonica. Em c. 1500, eles eram aproximadamente 3.770 judeus, mas a partir de 1519, segundo arquivos otomanos, a população de Salonica era de 6.870 muçulmanos, 6.635 cristãos e 15.715 judeus, resultando num crescimento de 54% na população da cidade. Judeus sefarditas, muçulmanos e ortodoxos gregos permaneceram os principais grupos na cidade pelos próximos 400 anos.The New Cambridge Medieval History pg. 779 - Rosamond McKitterick, Christopher Allmand.

A cidade tornou-se a maior cidade judaica do mundo e a foi durante pelo menos 200 anos, sendo frequentemente chamada de "Mãe de Israel". De seus 130.000 habitantes no início do século XX, cerca de 60.000 eram judeus sefarditas.Mark Mazower, Salonica, City of Ghosts: Christians, Muslims and Jews, 1430-1950, London: HarperCollins, 2004. Também havia judeus romaniotas.for a review of recent work on the Jewish community of Thessaloniki, see Andrew Apostolou, "Mother of Israel, Orphan of History: Writing on Jewish Salonika", Israel Affairs 13:1:193-204