Uso problemático de smartphone é a dependência psicológica ou comportamental de celulares. Está intimamente relacionado a outras formas de uso excessivo de mídias digitais, como o vício em redes sociais ou o transtorno da dependência da internet.

Popularmente conhecido como "adicção a smartphones", o termo "uso problemático de smartphone" foi proposto por pesquisadores para descrever comportamentos semelhantes que se apresentam sem evidência de dependência.

O uso problemático pode incluir a preocupação excessiva com a comunicação móvel, o gasto exagerado de dinheiro ou tempo com telefones celulares e o uso destes em situações social ou fisicamente inadequadas, como dirigir um automóvel. O aumento desse uso também pode acarretar efeitos adversos nas relações interpessoais, deterioração da saúde mental ou física e intensificação da ansiedade quando o usuário se vê separado do telefone ou sem sinal adequado. Indivíduos entre 3 e 11 anos apresentam o maior risco para o uso problemático de smartphone; a média é de 9 a 12 horas diárias.

História e terminologia As formas de dependência de tecnologia vêm sendo consideradas diagnósticos desde meados da década de 1990. Na pesquisa atual sobre as consequências adversas do uso excessivo de tecnologia, o "uso excessivo de telefone celular" foi proposto como um subconjunto das formas de "vício digital" ou "dependência digital", refletindo a crescente tendência de comportamentos compulsivos entre os usuários de dispositivos tecnológicos. Pesquisadores denominaram esses comportamentos como "adicção a smartphones" e "uso problemático de smartphone", além de se referirem ao uso de dispositivos móveis não inteligentes (telefones celulares).

O uso excessivo de dispositivos tecnológicos pode afetar o desenvolvimento, as relações sociais, a saúde mental e física, resultando em sintomas semelhantes aos das dependências comportamentais; contudo, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ainda não codificou formalmente o uso problemático de smartphone como diagnóstico. Recomendações amplamente aceitas para o tratamento desses comportamentos ainda não existem, em parte devido à falta de evidências consolidadas ou consenso entre especialistas, às ênfases divergentes dos manuais de classificação e às dificuldades em utilizar modelos animais para análise.

Embora estudos publicados tenham demonstrado associações entre uso de mídias digitais e saúde mental e sintomas ou diagnósticos, a causalidade ainda não foi estabelecida, havendo nuances e ressalvas dos pesquisadores frequentemente mal interpretadas pelo público ou deturpadas pela mídia. Uma revisão sistemática de revisões publicada em 2019 concluiu que as evidências — embora de qualidade geralmente baixa a moderada — indicam uma associação entre o tempo de tela e a piora da saúde psicológica, incluindo sintomas como desatenção, hiperatividade, baixa autoestima e problemas comportamentais na infância e adolescência. Diversos estudos demonstraram que as mulheres tendem a usar excessivamente as redes sociais, enquanto os homens têm maior propensão ao uso excessivo de videogames. Isso levou especialistas a sugerir que o uso excessivo de mídias digitais pode não ser um fenômeno unificado, havendo propostas de delimitar os transtornos com base na atividade online individual.

Devido à falta de reconhecimento e consenso sobre os conceitos, os diagnósticos e tratamentos ainda são difíceis de padronizar ou recomendar.

Prevalência As estimativas de prevalência do uso excessivo de tecnologia variam consideravelmente, com diferenças marcantes entre as nações e tendem a aumentar com o tempo.

A prevalência do uso excessivo de telefone celular depende amplamente das definições e das escalas utilizadas para quantificar os comportamentos. Duas escalas principais são empregadas tanto em populações adultas quanto adolescentes: a escala autodeclarada de 20 itens de Uso Problemático de Telefones Celulares (PUMP), e a Escala de Problemas de Uso de Telefone Celular (MPPUS). Há variações na idade, no gênero e na porcentagem da população afetada de forma problemática, de acordo com as escalas e definições utilizadas. A prevalência entre adolescentes britânicos de 11 a 14 anos foi de 10%. Na Índia, a dependência é apontada entre 39–44% para esse grupo etário. Sob diferentes critérios diagnósticos, a prevalência estimada varia de 0 a 38%, sendo que a autoatribuição de dependência de telefone celular supera a prevalência encontrada nos próprios estudos. A prevalência do problema relacionado à Transtorno da dependência da internet foi de 4,9–10,7% na Coreia, sendo atualmente considerada uma questão séria de saúde pública. Uma pesquisa realizada na Coreia constatou que esses adolescentes têm o dobro de probabilidade de admitir que são "viciados em telefone celular" em comparação aos adultos. Além disso, eles acreditam que a comunicação via smartphone se tornou parte importante de suas vidas e uma forma crucial de manter relações sociais. Outras escalas utilizadas para mensurar a dependência de smartphone são a Escala Coreana para Dependência da Internet em Adolescentes (K-scale), a Escala de Dependência de Smartphone (SAS-SV) e a Escala de Propensão à Dependência de Smartphone (SAPS). Esses testes implícitos foram validados em um estudo de 2018 como meios de mensurar a dependência de smartphone e internet em crianças e adolescentes.

Os comportamentos associados à dependência de telefone celular diferem entre os gêneros. Pessoas mais velhas têm menor probabilidade de desenvolver comportamentos aditivos relacionados ao uso do telefone celular, devido a diferentes padrões de uso social, níveis de estresse e maior autorregulação. Um estudo de 2019 do órgão regulador britânico de mídia, a Ofcom, mostrou que 50% das crianças de 10 anos no Reino Unido possuíam um smartphone.

Efeitos

Social Algumas pessoas têm utilizado a comunicação online para substituir as conversas presenciais. A psicóloga clínica Lisa Merlo afirma: "Alguns pacientes fingem falar ao telefone ou mexer em aplicativos para evitar o contato visual ou outras interações em uma festa." Além disso, um estudo de 2011 revelou que: 70% verificam seus telefones pela manhã, dentro de uma hora após acordar; 56% verificam seus telefones antes de dormir; 48% verificam seus telefones durante o final de semana; 51% checam constantemente seus telefones durante as férias; e 44% relataram que se sentiriam muito ansiosos e irritados se não interagissem com seus telefones dentro de uma semana.

Essa mudança do modo de comunicação presencial para o baseado em texto também foi observada pela psicóloga americana Sherry Turkle. Seu trabalho destaca a conectividade como um importante gatilho para a mudança de comportamento social na comunicação; Portanto, essa adaptação na forma de comunicar não se deve apenas ao aparelho. Turkle também argumenta que as pessoas hoje se encontram em um estado de "copresença contínua", onde a comunicação digital permite a ocorrência de duas ou mais realidades no mesmo lugar e tempo. Subsequentemente, elas vivem também em um "mundo de atenção parcial contínua", isto é, prestando atenção simultânea a diversas fontes de informação de forma superficial. Bombardeadas por uma abundância de e-mails, mensagens de texto e outras notificações, as pessoas não apenas perdem suas características humanas ou individualidade, mas passam a tratá-las cada vez mais como unidades digitais. Esse fenômeno é frequentemente referido como Despersonalização.

De acordo com Elliot Berkman, professor de psicologia na Universidade de Oregon, o hábito constante de verificar os telefones é causado pelo aprendizado por recompensa e pelo Medo de ficar de fora (FOMO). Berkman explica que "os hábitos são produto do aprendizado por reforço, um dos sistemas mais antigos e confiáveis do nosso cérebro", e, portanto, as pessoas tendem a desenvolver hábitos de realizar comportamentos que lhes trouxeram recompensa no passado. Para muitos, o uso do telefone celular é prazeroso, em virtude das sensações positivas reforçadas ao receber e responder a uma notificação. Berkman ressalta ainda que as pessoas costumam verificar seus smartphones para aliviar a pressão social que sentem de nunca perder eventos empolgantes. Como ele afirma, "os smartphones podem ser uma fuga do tédio porque são uma janela para muitos mundos além daquele que está bem à nossa frente, ajudando-nos a nos sentir incluídos e parte da sociedade." Quando os usuários não verificam seus telefones, não conseguem satisfazer esse "hábito de checar" ou reprimir o medo de ficar de fora, levando à ansiedade e irritabilidade.

Outras implicações do uso de telefones celulares nos sintomas de saúde mental foram observadas por Thomée et al. na Suécia. O estudo encontrou uma relação entre os relatos de saúde mental e o estresse percebido devido à acessibilidade dos participantes – isto é, a possibilidade de serem interrompidos a qualquer hora do dia ou da noite.

Críticos dos smartphones têm levantado preocupações sobre seus efeitos nos jovens, especialmente no que diz respeito ao isolamento e aos impactos no desenvolvimento social e emocional. A presença dos smartphones no cotidiano pode afetar as interações sociais entre adolescentes. Evidências atuais demonstram que os smartphones não apenas reduzem as interações presenciais entre os jovens, como também os tornam menos propensos a conversar com adultos. Em um estudo conduzido pela Dra. Lelia Green, da Edith Cowan University, os pesquisadores constataram que "o crescente uso de tecnologias móveis implica uma progressiva colonização digital na vida das crianças, remodelando as interações dos jovens adultos." As interações presenciais diminuíram devido ao aumento das interações via redes sociais, compartilhamento de vídeos por dispositivos móveis e mensagens instantâneas digitais. Os críticos acreditam que a principal preocupação dessa mudança é que os jovens estão se privando de interações sociais construtivas e de práticas emocionais.

Outros estudos apontam aspectos sociais positivos no uso de smartphones. Uma pesquisa sobre se a presença do smartphone altera as respostas ao Estresse social envolveu 148 jovens, com idades em torno de 20 anos. Ao serem expostos a um estressor de exclusão social e com a medição dos níveis do hormônio do estresse alpha-amilase (sAA), os resultados demonstraram níveis mais elevados de sAA e de Cortisol no grupo sem acesso ao telefone, sugerindo que a presença de um smartphone, mesmo sem uso ativo, pode diminuir os efeitos negativos da Exclusão social.

Higiene Pesquisas da London School of Hygiene and Tropical Medicine na Queen Mary, em 2011, indicaram que um em cada seis telefones celulares está contaminado com matéria fecal. Alguns dos aparelhos contaminados também abrigavam cepas patogênicas de bactérias, como E. coli, que podem causar febre, vômitos e diarreia. Outras pesquisas constataram um alto risco de transmissão dessas bactérias por profissionais de saúde que carregam seus celulares durante o expediente, pois os aparelhos atuam como reservatórios nos quais as bactérias podem se proliferar.

Saúde

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer declarou em 2011 que a radiação de radiofrequência (RF) é um possível carcinógeno para o ser humano, com base em evidências limitadas de aumento no risco de desenvolver tumores de glioma.

Em 2018, o Programa Nacional de Toxicologia dos EUA (NTP) publicou os resultados de seu estudo de dez anos e US$ 30 milhões sobre os efeitos da radiação de radiofrequência em roedores de laboratório, o qual encontrou “evidências claras” de tumores malignos no coração (schwannomas) e “algumas evidências” de gliomas malignos e tumores adrenais em ratos machos.National Toxicology Program, US Dept of Health and Human Services 2018. Cell Phone Radio Frequency Radiation