"Cuff It" (estilizada em letras maiúsculas) é uma canção gravada pela cantora estadunidense Beyoncé para seu sétimo álbum de estúdio Renaissance (2022). Foi escrita e produzida pela cantora ao lado de Denisia Andrews, Brittany Coney, Morten Ristorp, Raphael Saadiq, Terius Nash e Nile Rodgers, com créditos de escrita adicionais de Mary Brockert e Allen McGrier por conter uma interpolação de "Ooo La La La" (1988), interpretada por Teena Marie. As gravadoras Parkwood Entertainment e Columbia Records enviaram a música às rádios italianas em 30 de setembro de 2022, enquanto impactou as rádios rhythmic e urban contemporary estadunidenses quatro dias depois, como o segundo single de Renaissance. "Cuff It" é uma canção derivada dos gêneros disco, disco-funk e R&B, que liricamente trata sobre as virtudes do romance, sexo e festa.
"Cuff It" recebeu análises positivas dos críticos de música, que apreciaram a atmosfera alegre da canção e também elogiaram a entrega vocal da artista, bem como a participação de Rodgers. A faixa também foi bem sucedida em termos comerciais, alcançando o sexto lugar na tabela estadunidense Billboard Hot 100, tornando-se o 21º single de Beyoncé como artista solo a alcançar as dez mais executadas do país. A canção também figurou entre as dez primeiras em países como Austrália, Bélgica, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido, ao passo que recebeu uma série de certificados em vários outros países, como Brasil, França, México e Suíça. "Cuff It" venceu alguns prêmios, incluindo o de Melhor Canção de R&B na 65ª cerimônia anual do Grammy Awards, ocasião na qual tornou-se a artista mais premiada na história da cerimônia, acumulando um total de 32 troféus.
Em fevereiro de 2023, foi lançado um remix para "Cuff It", intitulado "Wetter Remix", em homenagem a Esentrik, um DJ que havia anteriormente feito um mashup não oficial da faixa com o instrumental de "Wetter" (2009), de Twista, que tornou-se viral nas redes sociais. A versão foi lançada de forma oficial primeiramente em seu website e posteriormente nas plataformas de streaming com uma produção mais lenta em comparação à original, sendo adicionandos novos vocais e letras. A versão original da faixa, juntamente com seu remix, foi interpretada por Beyoncé durante a Renaissance World Tour de 2023, que percorreu a Europa e a América do Norte, onde a artista usou uma série de figurinos diferentes a cada apresentação das faixas.
Antecedentes e produção thumb|left|160px|Raphael Saadiq (foto) escreveu a canção antes de enviá-la a Beyoncé No final de 2020, Beyoncé relatou à revista Vogue britânica que a quarentena causada pela pandemia de COVID-19 havia a mudado como pessoa, afirmando que "estava gastando muito tempo focando em construir meu legado e representando minha cultura da melhor maneira que eu sei. Agora, eu decidi dar permissão a mim mesma de focar em minha alegria". Posteriormente, ela comentou que esse período em que esteve gravando foi o mais criativo em sua vida, pois ela procurou escapar dos sentimentos de isolamento gravando novas músicas, e permitiu que ela se sentisse livre e aventureira em uma época em que pouca coisa se movia. Conforme o fim do isolamento se aproximava, Beyoncé disse à revista Harper's Bazaar que "nós já estamos prontos para escapar, viajar, amar, e rir de novo. Eu sinto um renascimento emergindo, e eu quero fazer parte do nutrimento dessa fuga de todas as maneiras possíveis". Renaissance, o sétimo álbum de estúdio da artista, foi lançado em 29 de julho de 2022 como o primeiro de três atos, incluindo "Cuff It" em sua lista de faixas.
Um dos compositores de "Cuff It", Raphael Saadiq, revelou que a faixa foi originalmente feita para seu grupo Tony! Toni! Toné!, mas que decidiu enviá-la para Beyoncé. Ele explicou que ela aceitou a versão demo, mas a manteve guardada até que The-Dream a encontrou. Saadiq comentou que ao enviá-la para a artista, sabia que a canção iria mexer com as pessoas. Ele descreveu Beyoncé como "uma daquelas pessoas que, se estiver sentindo, estará 100 por cento envolvida" e "uma trabalhadora esforçada", e complementou dizendo que "se você colocar a música certa em um artista, ela pode acabar, mas estou feliz que ela [Beyoncé] tenha tantos olhos voltados para ela". Em meio à produção da versão de Beyoncé para "Cuff It", o guitarrista Nile Rodgers foi convidado para tocar na canção; ele descreveu sua participação como "a coisa mais orgânica que já aconteceu comigo", revelando que gravou sua parte em apenas uma tomada. Rodgers também comentou que não recebeu pedidos de alteração por parte dos produtores, e que tocou "exatamente [da forma] que senti em meu coração".
Lançamento Em 21 de setembro de 2022, foi reportado que "Church Girl" seria lançada como o segundo single de Renaissance; um dia depois, no entanto, "Cuff It" foi indicada também como um single através do Instagram Stories da artista, com uma publicação que mostrava uma imagem com fundo preto, com os dizeres "CUFF IT Season". A mesma frase também foi adicionada à biografia da artista na mesma rede social. Foi posteriormente anunciado que ambas as faixas serviriam como single, sendo simultaneamente enviadas às rádios. No entanto, o lançamento de "Church Girl" não se materializou e somente "Cuff It" foi lançada, sendo enviada às rádios da Itália em 30 de setembro de 2022. Estreou nas rádios rhythmic e urban contemporary estadunidenses quatro dias depois, enquanto teve sua estreia nas estações contemporary hit radio do país em 18 de outubro de 2022. Em 5 de fevereiro de 2023, as gravadoras Parkwood Entertainment e Columbia Records lançaram nas plataformas de streaming um single que incluía o "Wetter Remix" da faixa, bem como suas versões em instrumental e a cappella. A capa do single apresenta a imagem de um microfone preso a algemas.
Gravação e composição "Cuff It" foi escrita e produzida por Beyoncé ao lado de Denisia Andrews, Brittany Coney, Morten Ristorp, Raphael Saadiq, Terius Nash e Nile Rodgers, com créditos de escrita adicionais atribuídos a Mary Brockert e Allen McGrier por conter uma interpolação de "Ooo La La La" (1988), interpretada por Teena Marie. Saadiq também foi encarregado de tocar baixo, bateria, arp string e clavinete, enquanto Nash tocou sintetizador e Rodgers tocou guitarra. Jamelle Adisa tocou trumpete, Daniel Crawford tocou piano, Sheila E. fez a percussão, enquanto Lemar Guillary tocou trombone e Scott Mayo o saxofone. Honey Dijon, Chris Penny e Luke Solomon foram encarregados da programação de bateria. Chi Coney, John Cranfield, Brandon Harding e Andrea Roberts foram engenheiros de produção, sendo assistidos por Matheus Braz. Russell Graham, Hotae Alexander Jang, Steve Rusch e Stuart White foram encarregados da gravação da canção, enquanto o último também a mixou; a faixa foi masterizada por Colin Leonard no estúdio Sing Mastering em Atlanta, Geórgia. "Cuff It" foi gravada nos estúdios The Juicy Juicy, Nightbread Recording Studios e Parkwood West, localizados em Los Angeles, Blakeslee Studio em North Hollywood, Le Crib em Westport, Connecticut, Tree Sound Studios em Atlanta, Geórgia e The Trailer em East Hampton.
Musicalmente, "Cuff It" é descrita como uma canção disco, disco-funk, e R&B, contendo elementos da música da década de 1990. Em Renaissance, a faixa é posicionada como a primeira de uma sequência contínua de canções que se conectam entre si, sendo sucedida por "Energy" e "Break My Soul". Para Precious Fondren, da HipHopDX, "não seria chocante se os fãs saíssem pensando que 'Cuff It' em 'Energy' em 'Break My Soul' fosse uma música só". "Cuff It" começa com "distintas batidas de três linhas de bateria e depois explode em um hino descolado e alegre". Escrevendo para o The Ringer, Mary Retta escreveu que a canção "utiliza uma combinação eficaz de cordas psicodélicas, instrumentação leve de metais e uma linha de baixo descolada e aterrada para criar um groove brilhante e acelerado, perfeito para a pista de dança". Alguns críticos apontaram semelhanças com a faixa "Get Lucky" (2013), do duo Daft Punk, enquanto outros a consideraram parecida com trabalhos anteriores de Beyoncé, como a canção "Blow" (2013) e seu quarto álbum de estúdio, 4 (2011), especialmente a canção "Schoolin' Life". Lucas Brêda, da Folha de S. Paulo, notou que a faixa tem uma "incursão pela música disco" que remete ao trabalho de Dua Lipa em Future Nostalgia (2020). De acordo com a partitura publicada no Musicnotes.com, a faixa é estabelecida em tempo comum e está escrita na chave de mi menor. Tem um ritmo moderado de 115 batidas por minuto, com os vocais de Beyoncé variando entre as notas mi3 a mi5.
A letra de "Cuff It" defende as virtudes do romance, sexo e festa, com Beyoncé iniciando a faixa cantando "I feel like falling in love / I'm in the mood to fuck something up", que estabelece o clima de flerte e despreocupação para o resto da música. Na letra da faixa, ela está em "uma noite promissora com um copo esperando para ser enchido", enquanto também detalha "uma noite de sexo químico selvagem que pode lançar uma luz intrigante sobre as noites de isolamento dos Carter", ao passo que Beyoncé canta "Bet you you'll see far / Bet you you'll see stars / Bet you you'll elevate / Bet you you'll meet God". Fondren ressaltou que em relação a seus álbuns anteriores, "empoderamento, amor e sexo continuam sendo temas centrais" em Renaissance, mas que dessa vez "ela está com mais tesão", citando como exemplo a letra "Hit them 'draulics, while I ride it/ Got me actin' hella thotty" de "Cuff It". John Amen, do PopMatters, escreveu que Beyoncé tem o cuidado de trazer "nervosismo lírico e vocal à música" de uma forma que "funde a eterna canção de amor e a proverbial melodia de foda". De acordo com Erica Gonzales, da Elle, "embora o título sugira relacionamentos sérios e de longo prazo, a faixa parece adequada para aventuras emocionantes ou, sejamos honestos, para prosperar como pessoa solteira também", enquanto para Silvio Essinger, dO Globo, a letra "ironicamente se liga aos dominantes 'sentadões' do pop brasileiro no verso "can I sit on top of you?".
Análise da crítica thumb|left|185px|A participação de Nile Rodgers (foto) em "Cuff It" foi elogiada pelos críticos "Cuff It" foi bem recebida pelos críticos de música especializados. Vernon Ayiku, da Exclaim!, declarou que a faixa era "o maior destaque do álbum" e a descreveu como um "hino descolado e alegre". Andy Kellman, do AllMusic, opinou que ela era "um disco-funk com a inimitável guitarra rítmica de Nile Rodgers" e que tem "todo o vigor dos clássicos uptempo de Lady T". A jornalista do USA Today, Melissa Ruggieri, descreveu a música como "comovente" e elogiou o som funk de guitarra característico do co-escritor Nile Rodgers. Mikael Wood, do Los Angeles Times, categorizou a faixa como "fantasia disco efervescente" e elogiou a entrega vocal sensual de Beyoncé. Escrevendo para a Billboard, Kyle Denis a classificou como a melhor música de Renaissance, intitulando-a como "um novo clássico de Beyoncé por excelência", dizendo que ela combina um "vocal principal lascivo" de Beyoncé com "imponentes vocais de fundo, um gancho crescente, todas as trompas que ela pode ter, sua cadência cantada como um rap que é sua marca registrada e um groove cinematográfico geral que implora por um vídeo de acompanhamento e uma coreografia de arregalar os olhos". Shaun Kitchener, do Metro, a descreveu como um "refrescante e inebriante como um divino coquetel" e elogiou a "infusão de metais e som atemporal" da faixa, bem como os "vocais de apoio exuberantes e instrumentação alegre e edificante". Kitchener também opinou que a faixa se tornaria melhor a cada audição.