Custom Circus é uma companhia de teatro transdisciplinar e artes visuais portuguesa, criada oficialmente em 2002. Constituída como uma associação cultural sem fins lucrativos, trabalha nas áreas de teatro, produções audiovisuais, eventos culturais, investigação e formação artística, áreas nas quais cria, realiza e produz acções de carácter cultural nos domínios das artes, cinema, teatro, televisão e publicidade.
Inicialmente os integrantes viajavam numa caravana composta por veículos clássicos ou alterados para um estilo pós-apocalíptico, que foi crescendo progressivamente. Mantendo uma génese nómada nos primeiros anos, instalaram-se mais tarde em Oeiras, Portugal, e fundaram o centro cultural Nirvana Studios. As actividades desta companhia iniciaram-se em 1992, e à excepção do ano de 1995, realizou todos os anos diversas actividades até à sua fundação oficial em 2002 com o nome Custom Circus.
Segundo João Mendes Rosa, então Chefe da Divisão de Cultura e Artes de Oeiras em 2021, esta companhia era uma das que divulgava mais profundamente o nome de Oeiras a nível nacional e internacional, através da promoção da cultura. Em 2026 os seus três fundadores, Daniela Sousa, Michel Alex, e Rui Gago, foram condecorados com a Medalha de Mérito Municipal pela junta de Pelouros do Concelho de Oeiras, Lisboa-Portugal.https://www.oeiras.pt/-/oeiras-condecoracoes-dia-do-municipio-2026
A sua sede localiza-se nos Nirvana Studios, na Estrada Militar, em Valejas, freguesia de Barcarena, concelho de Oeiras. Apenas entre 2004 e 2019, os Custom Circus realizaram cerca de 600 espectáculos, tendo ainda acolhido e apoiado, anualmente, dezenas de eventos transdisciplinares, desde a arte até ao desporto, e conta já com 15 produções de teatro interactivo, 10 álbuns discográficos, dezenas de exposições e instalações de arte visual, 9 publicações literárias e outros projectos.
História Os Custom Circus surgiram pela primeira vez como um conceito e também na forma de personagens, em 1988, num livro de ficção pós-apocalíptica do autor Michel Alex. Quatro anos mais tarde, em 1992, o grupo formou-se e iniciaram as suas actividades. Ao longo deste tempo, dois dos fundadores, Michel Alex e Rui Gago, passaram 4 anos (entre 1988 e 1992) a adquirir os primeiros veículos da companhia: uma autocaravana Hanomag de 1969, duas motos Harley-Davidson e uma station wagon funerária Oldsmobile de 1957. Em 1994, em Lisboa, que na altura era Capital Europeia da Cultura, juntou-se ao duo Daniela Sousa, integrando profissionalmente os projectos. Nesta capital da cultura, trabalharam ao serviço da produtora Eutaxia, de Adolfo Gutkin, e produção de um espectáculo de Teatro de Vanguarda; esta estreia daria origem ao espectáculo MTM dos La Fura Dels Baus. O trio seria oficializado em 1996, e continuam a trabalhar em conjunto na companhia. Para além de terem actuado em 1994 em Lisboa, actuaram também na Expo 98 e no Euro 2004.
Originalmente a companhia viajava numa caravana composta por veículos clássicos ou pós-apocalípticos que foi crescendo à medida que os anos passavam. A sua génese era maioritariamente nómada antes de fundarem o centro cultural Nirvana Studios. Esta caravana era composta por pessoas de várias nacionalidades, desde motociclistas, punks, góticos, hippies, entre outros, que se sustentava através de tournées e espectáculos na estrada. Em 1996 é criada a produtora Nirvana, que tratava da criação, realização e produção de eventos culturais e corporativos para outras empresas. Ainda neste ano, o grupo criou e realizou o Grande Meeting de Lisboa, o primeiro evento em Portugal dedicado à cultura alternativa.
No ano seguinte, o grupo lançou a segunda edição do Grande Meeting de Lisboa e trabalhou na co-realização e produção da Semana Académica de Lisboa. Em 1999 realizaram para a empresa cultural Antevisão a exposição "O 25 de Abril em BD", destinada o Museu da República. No ano 2000, é criada a plataforma internacional Nirvana Roadshows, que operava na disponibilização dos veículos para tours de outras empresas. Em 2001, participaram no evento de estreia da entrega do novo liceu de Dili pelo pelouro da cultura da Câmara de Lisboa e ainda trabalharam no design da exposição "New York", uma homenagem às vítimas dos ataques de 11 de setembro. Em 2002, é criada e formalizada a marca Custom Circus. Um dos motivos da formalização da companhia foi o facto de que, quando trabalhavam para quem os contratava, perdiam os direitos dos espectáculos que criavam; a determinado momento, tomaram a decisão de ter a sua própria companhia, manter em si os direitos, e continuar com os espectáculos.
Depois de formalizado os Custom Circus, a natureza itinerante permaneceu, continuando o grupo a viver e a trabalhar de uma forma nómada. Mais tarde, dada a possibilidade de o grupo se dispersar e acabar com o projecto, os integrantes decidiram deixar a vida nómada e estabeleceram-se em Barcarena, Oeiras, criando em 2003 o primeiro centro cultural alternativo em Portugal, os Nirvana Studios. Este local foi escolhido inicialmente para estacionarem os seus camiões e guardarem o material utilizado pelo grupo nos seus diversos espectáculos, mas acabou por ser o escolhido para fundarem a sua base. Esta associação é a fundadora e responsável por toda a programação artística e cultural dos Nirvana Studios, um centro cultural alternativo, em Oeiras, onde são realizadas actividades culturais diárias e permanentes ao longo dos anos desde a sua fundação. O centro cultural está aberto 24/7, todos os dias do ano, funcionando como uma plataforma para artistas independentes e local de produção de tendências da vanguarda cultural, assim como um porto de abrigo para artistas e um local preparado para vários tipos de especátulo, desde concertos, teatro ou dança. No dia 28 de Março de 2006 foi constituída como associação cultural sem fins lucrativos. Apesar de terem criado a sua base de espectáculos em 2003, foi apenas em 2012 que a companhia deixou o método de actuação na estrada que os caracterizara até então. esquerda|miniaturadaimagem|Actuação no espectáculo Teatro Sobre Rodas, em 2006 Ao longo de mais de 20 anos, os Custom Circus têm contribuído para a promoção de bandas, de teatro, da cenográfica perfomativa de teatro de rua, de literatura, entre outros focos. No dia 13 de Abril de 2022, foi aprovada em reunião da Câmara de Oeiras a atribuição do estatuto de Associação de Interesse Cultural municipal. Em 2023 a Câmara Municipal de Oeiras lançou uma obra literária que percorre os 20 anos da companhia, assim como as suas origens e uma galeria de fotografias dos seus espectáculos. Segundo Adolfo Gutkin, professor, encenador, dramaturgo e director de teatro que escreveu o prefácio do livro, a companhia e os seus integrantes são "inclassificáveis". Durante a sua existência, a companhia Custom Circus lançou 15 produções de teatro interactivo, 10 álbuns discográficos, dezenas de exposições e instalações de arte visual, 9 publicações literárias e diversos projectos, como o primeiro centro cultural alternativo português.
Características de actuação miniaturadaimagem|Dois dos fundadores da companhia, Michel Alex e Rui Gago durante um espectáculo para a SIC em 2006|250x250px A companhia apresenta-se numa mistura de diversos espectros estéticos, explorando várias subculturas, subgéneros e movimentos vanguardistas, embora frequentemente trabalhem em moldes do pós-apocalíptico, do cabaret rock, do steampunk, do gótico ou da dark wave. Devido à sua transdisciplinaridade artística, a companhia realiza os seus espectáculos em diversos palcos e cenários, podendo ser num palco tradicional, em cima de um camião, de uma locomotiva, ou na estrada. A arte pirotécnica é também uma quase constante nos seus espectáculos, quer em espaços ao ar livre ou em palcos no interior de edifícios; para isso, os Custom Circus trabalham conjuntamente com diversos profissionais deste setor, como o Grupo Luso Pirotecnia, e em especial a Pirotecnia Oleirense, numa relação profissional que data desde 2006. Para além da pólvora, usam também outros combustíveis como a gasolina, petróleo, isopar, nitrocelulose, entre outros.
Em termos de acessórios, adereços e figurinos, a companhia foi criando ao longo do tempo os seus próprios adereços e acessórios, de modo a poderem ir de encontro com as histórias dos espectáculos que realizam. Devido às questões ambientais, todo o material que se vai desgastando ao longo do tempo é reciclado e reaproveitado para a criação de novos adereços. Para cada espectáculo, os membros têm uma grande liberdade de actuação e de improviso.
Os espectáculos dos Custom Circus procuram também alcançar o mundo digital, obrigando a companhia a articular meios audiovisuais não só para completar o plano cénico mas também para divulgação do próprio espectáculo. Para isto, a companhia trabalha com a CISCO, uma empresa de TI, apesar de possuir membros que operam diversos aparelhos como adereços robotizados, vídeo mapping, entre outros.
Veículos e plataformas miniaturadaimagem|Alguns veículos da companhia, como a Airstream e uma chopper|376x376px Desde a sua fundação, a companhia Custom Circus tem actuado com recurso a diversos veículos como motos, automóveis ou camiões, que não só servem como meio de transporte para os elementos da companhia e do seu material, mas também como adereços para os espectáculos que realizam. A própria forma como iniciaram a sua actividade veio a dar o nome à companhia, pois utilizaram veículos modificados e personalizados (Custom) e criavam uma arena/plataforma de actuação (Circus) com esses mesmos veículos.
Ao longo dos anos, foram acumulando um conjunto de cerca de 30 veículos, composto por 5 clássicos camiões TIR norte-americanos, 3 roulottes Airstream, 3 autocarros, 2 camiões militares, 2 camiões de bombeiros, 5 autocaravanas vintage, 4 carrinhas de caixa aberta, uma retroescavadora, um dumper, 4 mad cars e 4 motociclos chopper. Quando a companhia decidiu criar os Nirvana Studios, grande parte dos veículos foram vendidos de modo a gerar receita para a criação do centro cultural. No centro cultural alternativo Nirvana Studios, para além dos veículos que já possuíam, a companhia foi adquirindo outros veículos ao longo dos anos, como um antigo eléctrico de Lisboa que actualmente funciona como bilheteira para os espetáculos dos Custom Circus, e uma locomotiva de origem alemã de 1903 com 100 toneladas, que anteriormente pertenceu à CP.
Artes visuais Art for Peace Dois dias após a invasão russa da Ucrânia, a companhia decidiu transformar o Teatro Custom Café, um dos edifícios do centro cultural Nirvana Studios, numa base de apoio denominada Hangar SOS Ukraine, com o objectivo de ajudar a prestar auxílio aos refugiados da guerra. Antes e após cada espectáculo, a companhia chama à atenção para a causa. Nesta iniciativa, por duas vezes, já foram fretados um camião com destino a Cracóvia, na Polónia, estando o camião artisticamente decorado com a bandeira da Ucrânia. Tanto financeiramente como logisticamente, a missão foi apoiada por voluntários, desde privados a empresas.
Limbus Infinitus Com a pandemia de COVID-19 em 2020–2021, a companhia viu-se forçada a cancelar um espectáculo denominado "Diesel Punk". Por os adereços e mecanismos cénicos já terem sido criados antes do cancelamento, criou-se um projecto paralelo sob a forma de exposição. O conceito gira em torno de uma situação de limbo, referenciando as esperas e os confinamentos da época da pandemia, e serviu também como uma janela para diversos componentes utilizados pela companhia "por trás da câmara". Todos os adereços e mecanismos foram criados a partir de mais de 3 mil peças individuais das décadas de 30, 40 e 50.
Absurdium