miniaturadaimagem|300x300px|Cultivo de café sob sombra (Coffea arabica) na Serra Norte de Puebla. miniaturadaimagem|300x300px|Kuojtakiloyan
Kuojtakiloyan é um termo que significa "floresta útil" ou "floresta que produz", e é um sistema agroflorestal desenvolvido e mantido por povos indígenas da do Estado de Puebla, no México. A prática tornou-se uma fonte vital de recursos (alimentos, ervas medicinais, combustíveis, floricultura, etc.) para a população local, além de uma transformação respeitosa do meio ambiente, com sua biodiversidade e conservação da natureza. O kuojtakiloyan vem diretamente do conhecimento ancestral náuatle e totonaca de seu ambiente natural e, apesar de ser pouco conhecido entre a população mexicana em geral, especialistas em agronomia o apontam como um caso de sucesso de agrofloresta sustentável praticada comunitariamente.
O kuojtakiloyan é uma policultura com paisagem forestal em que são cultivados abacates, batatas-doces, canela, cerejas-negras, ingás, frutas cítricas, cabaças, macadâmia, mangas, bananas e sapotas. Além disso, coleta-se uma grande variedade de cogumelos e ervas comestíveis selvagens (quelites). O é plantado pela sua fibra que é útil na cestaria e o bambu, que cresce rapidamente, para construir cabanas e outras estruturas. Concomitantemente ao kuojtakiloyan, ocorre o cultivo de café na sombra (café bajo sombra em espanhol; kafentaj em masehual), onde a sombra é essencial para obter um café de alta qualidade. A população local favorece a proliferação da abelha sem ferrão (pisilnekemej) ao incluir as plantas que ela poliniza para, a partir das abelhas, obterem mel, pólen, cera e própolis.
Etimologia O termo é uma palavra da língua dos náuatles, mais especificamente do , chamado localmente de masewalkopa ou língua masehual: kuojta significa "monte" e kiloyan, "produtivo". Segundo outras fontes, no entanto, deriva de kuoj, "monte", taki, "fruta, que dá frutos", e -loyan (sufixo locativo).
Metodologia No kuojtakiloyan, combinam-se plantas silvestres com plantas cultivadas. Nesse tipo de sistema agrícola conserva-se a estrutura das florestas originais, enquanto se modifica a composição das espécies. Até 96% das plantas em um kuojtakiloyan têm alguma utilidade para o ser humano. As temporadas de cultivo e colheita no kuojtakiloyan obedecem ao ciclo da água.
Acredita-se que o kuojtakiloyan tenha surgido quando o café foi introduzido na durante o século XIX. Sendo um cultivo umbrófilo, os indígenas viram a oportunidade de combiná-lo com as plantas da floresta, baseando-se no respeito à natureza ao mesmo tempo que mantinham um sistema altamente utilitário. Em imagens de satélite de um estudo de 2009, distinguiram-se claramente dois sistemas agroflorestais diferentes, baseados na estrutura do dossel arbóreo: o "cafezal sob sombra" correspondia a uma floresta mais simplificada, enquanto o "kuojtakiloyan" correspondia a áreas altamente diversificadas.
Café Os cafezais sob sombra (kafentaj em masehual) na forma de policultivos proporcionam maiores rendimentos aos agricultores, pois o preço do café é muito instável; porém, com os demais produtos obtidos do kuojtakiloyan é mais fácil enfrentar essas oscilações. Atualmente, aproximadamente 80% do café aromático é produzido sob sombra, enquanto os 20% restantes são produzidos no "monte produtivo" ou kuojtakiloyan.
Impacto ambiental O kuojtakiloyan, assim como outros policultivos, é, sem dúvida, menos agressivo aos habitats originais do que a monocultura, pois essencialmente procuram preservar a biodiversidade. No entanto, o kuojtakiloyan, como qualquer outra forma de cultivo, afeta negativamente áreas naturais pouco transformadas pelo ser humano. Em uma análise comparativa entre 1979 e 2009 sobre a situação florestal da Serra Norte observou-se uma dramática diminuição dos ecossistemas originais de florestas de pinheiros, floresta ombrófila densa altomontana e floresta média subperenifólia (de 4.364,80 ha em 1979 para 2.724,42 ha em 2009).
Reconhecimento Para a Comisión Nacional de Áreas Naturales Protegidas (CONANP), o kuojtakiloyan é um dos Sistemas Agroecológicos Tradicionais Altamente Resilientes (Sistemas Agroecológicos Tradicionales Altamente Resilientes, ou SATARES) que apoia e ajuda a gerir, juntamente com a chinampa dos náuatles, a e o kool (milpa maia), o te'lom huasteco, o cacaotal diversificado, o lama bordo e o tecorral de La Mixteca, os chahues da costa de Oaxaca e o ekuaro dos purépechas.
Ver também
Chinampa Coivara
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Agricultura no México Categoria:Práticas agrícolas Categoria:Gestão florestal