O naufrágio do RMS Titanic ocorreu entre a noite de 14 de abril e a madrugada de 15 de abril de 1912, no Atlântico Norte, quatro dias após o início de sua viagem inaugural, iniciada em Southampton, na Inglaterra, com destino à cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. O Titanic, que era o maior navio de passageiros em serviço à época, tinha 2208 pessoas a bordo quando atingiu um iceberg por volta de 23h40 (horário no navio) no domingo, 14 de abril de 1912. O naufrágio aconteceu duas horas e quarenta minutos depois, às 02h20 (05h18 GMT) na segunda-feira, 15 de abril, resultando na morte de 1.517 pessoas, transformando-o em um dos piores desastres da história da navegação.
O Titanic recebeu seis avisos de mar com gelo em 14 de abril, mas estava perto da velocidade máxima quando seus vigias avistaram o iceberg. O oficial William Murdoch ordenou que virasse o leme todo para estibordo na tentativa de desviar do iceberg, sem sucesso, pois o navio colidiu com o iceberg danificando provavelmente seis ou sete compartimentos estanques. O Titanic foi projetado para flutuar com quatro de seus compartimentos estanques dianteiros inundados, não mais que isso, e Thomas Andrews, o projetista chefe, logo percebeu que o navio iria afundar. A tripulação usou sinalizadores e mensagens de radiotelegrafia para buscar ajuda, enquanto os passageiros eram colocados dentro dos botes salva-vidas. De acordo com a prática existente, o sistema de botes salva-vidas do Titanic foi pensado para transportar passageiros para embarcações de resgate próximas, e não para ter todos a bordo de um bote simultaneamente; portanto, com o navio afundando rapidamente e a ajuda ainda muito distante, não havia refúgio seguro para muitos dos passageiros e tripulantes. Com isso e com a má gestão na evacuação, muitos barcos foram lançados antes de serem completamente cheios.
Assim, quando o Titanic afundou, mais de mil passageiros e a tripulação ainda estavam a bordo. Quase todos aqueles que pularam ou caíram na água afundaram ou morreram em minutos devido aos efeitos da hipotermia. O navio de passageiros britânico Carpathia registrou os pedidos de socorro do Titanic, quando navegava a cerca de 93 km de distância. Desviou sua rota e chegou ao local por volta de uma hora e meia depois do naufrágio, resgatando os últimos sobreviventes por volta das 9h15 de 15 de abril, quase nove horas e meia após a colisão. O desastre causou indignação generalizada pela falta de botes salva-vidas, regulamentos negligentes e o tratamento desigual das três classes de passageiros durante a evacuação. Os inquéritos subsequentes recomendaram alterações radicais nos regulamentos marítimos, levando ao estabelecimento em 1914 da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS em inglês), que ainda hoje regulamenta a segurança marítima.
História miniatura|250px|O Titanic no dia 2 de abril de 1912, durante sua fase de testes
Na época de sua entrada em serviço em 2 de abril de 1912, o Royal Mail Ship (RMS) Titanic era o segundo de três navios irmãos de Classe Olympic, e era o maior navio do mundo. Ele e seu irmão, o RMS Olympic, eram quase uma vez e meia a tonelagem bruta dos navios da Cunard RMS Lusitania e do RMS Mauretania, os prévios detentores do recorde e era quase 30 metros mais longo. O Titanic poderia transportar 3 547 pessoas com velocidade e conforto, e foi construído em uma escala até então sem precedentes. Seus motores de pistão eram os maiores já construídos, atingindo 12 metros de altura e com cilindros de 2,70 metros de diâmetro exigindo a queima de 610 toneladas de carvão por dia.
Suas acomodações de passageiros, especialmente aquelas da seção da Primeira Classe do navio, foram classificadas "de extensão e magnificência incomparáveis", sugerido pelas tarifas que as acomodações da Primeira Classe exigiam. As Suites Parlor (as suítes mais caras e mais luxuosas do navio) com deck de passeio privado custavam 4 350 dólares (equivalente a 107 955 dólares em 2016) para uma passagem transatlântica só de ida. Mesmo a Terceira Classe, embora consideravelmente menos luxuosa que a Segunda e Primeira Classes, era excepcionalmente confortável para os padrões contemporâneos e era suprido com quantidades abundantes de boa comida, proporcionando aos passageiros melhores condições do que muitos experimentavam em suas casas.
A viagem inaugural do Titanic começou pouco depois das 10 horas da manhã de 10 de abril de 1912 quando deixou Southampton na primeira etapa de sua jornada até Nova Iorque. Poucas horas depois, chegou em Cherbourg no norte da França, uma jornada de 80 milhas náuticas (148 km ou 92 milhas), onde embarcou passageiros. Seu próximo porto foi Queenstown (agora Cobh) na Irlanda, que ele alcançaria por volta do meio-dia de 11 de abril. Partiu à tarde após embarcar mais passageiros e suprimentos para o navio.
Quando partiu para o oeste pelo Atlântico, estava transportando 907 tripulantes e 1.317 passageiros. Esta era apenas cerca de metade de sua capacidade de passageiros de 2.224, pois era a baixa temporada e o embarque no Reino Unido foi interrompido por uma greve dos mineradores de carvão. Seus passageiros eram uma mistura da sociedade Eduardiana, de milionários tais como John Jacob Astor e Benjamin Guggenheim, até imigrantes pobres de países tão dispersos como Armênia, Irlanda, Itália, Suécia, Síria e Rússia buscando uma vida nova na América.
miniatura|esquerda|350px|Rota da viagem inaugural do Titanic de Southampton até Nova Iorque, e o ponto onde naufragou marcado em amarelo
O navio era comandado pelo capitão de 62 anos Edward John Smith, o mais antigo entre os capitães da White Star Line. Ele tinha quatro décadas de experiência marítima e serviu como capitão do RMS Olympic, do qual foi transferido para comandar o Titanic. A vasta maioria da tripulação que servia sob seu comando não eram marinheiros treinados, mas engenheiros, bombeiros ou foguistas, responsáveis por vigiar os motores; ou comissários de bordo responsáveis pelos passageiros. Os 6 oficiais de vigilância e 39 marinheiros mais experientes constituíam apenas cerca de 5% da tripulação, e a maioria destes foram pegos em Southampton portanto não tiveram tempo de se familiarizar com o navio.
As condições do gelo foram atribuídos a um inverno ameno que causou um grande número de icebergs vindos da costa oeste da Groenlândia.
Um incêndio começou em um dos depósitos de carvão do Titanic aproximadamente 10 dias antes da partida do navio e continuou por diversos dias mesmo durante o início da viagem, mas foi apagado em 14 de abril.Fire Down Below - by Samuel Halpern. Retrieved 7 de janeiro de 2017. O tempo melhorou significativamente ao longo do dia, de ventos fortes e mares moderados pela manhã até uma calma cristalina à noite, à medida que o caminho do navio a levava para uma área de alta pressão ártica.
14 de abril de 1912 Avisos de icebergs (09h00–23h39) Durante 14 de abril de 1912, os operadores de rádio do Titanic receberam seis mensagens de outros navios avisando sobre gelo à deriva, os quais os passageiros no Titanic começaram a notar durante a tarde. A condição do gelo no Atlântico Norte era a pior em qualquer mês de abril nos 50 anos anteriores (razão pela qual os vigias desconheciam que estavam prestes a entrar em uma área de gelo à deriva com vários quilômetros de largura e de comprimento).
O primeiro aviso chegou às 09h00 vindo do RMS Caronia relatando "bergs, growlers e campo de gelo". O capitão Smith confirmou o recebimento da mensagem. Às 13h42, o RMS Baltic transmitiu relato do navio grego 'Athenia' 'que estava "passando por icebergs e grandes quantidades de campos de gelo". Estes dois também foram confirmados por Smith, que mostrou o relato à Joseph Bruce Ismay, o executivo da White Star Line a bordo do Titanic em sua viagem inaugural. Smith ordenou que uma nova rota fosse preparada, para levar o navio mais ao Sul.
Às 13h45, o navio alemão SS Amerika, que estava à pouca distância ao sul, relatou que tinha "passado por dois grandes icebergs". Esta mensagem nunca chegou ao Capitão Smith ou outros oficiais da ponte do Titanic. A razão é incerta, mas pode ter sido esquecida porque os operadores de rádio tiveram que reparar equipamentos defeituosos.
O SS Californian relatou "três grandes bergs" às 19h30 e às 21h40. O vapor Mesaba relatou: "Vimos banquisas muito pesadas e grande número de enormes icebergs. Também campo de gelo." Esta mensagem, também, nunca deixou a sala de rádio do Titanic. O operador de rádio, Jack Phillips, pode ter não conseguido compreender o seu significado porque estava preocupado com a transmissão de mensagens para os passageiros através da estação retransmissora em Cabo Race, Terra Nova; o equipamento de rádio tinha quebrado no dia anterior, resultando em um acúmulo de mensagens que os dois operadores estavam tentando limpar. Um aviso final foi recebido às 22h30 do operador Cyril Evans do Californian, que parou durante a noite em um campo de gelo a algumas milhas de distância, mas Phillips o cortou e sinalizou de volta: "Cale-se! Cale-se! Estou trabalhando Cabo Race".
Embora a tripulação tenha sido avisada de gelo nas vizinhanças, a velocidade do navio não foi reduzida, e continuou em 22 nós (41 km/h; 25 mph), apenas 2 nós (3,7 km/h; 2,3 mph) atrás de sua velocidade máxima de 24 nós (44 km/h; 28 mph). A alta velocidade do Titanic em águas onde gelo tinha sido relatado foi posteriormente criticado como imprudente, mas refletia a prática marítima padrão da época. De acordo com o Quinto Oficial Harold Lowe, o costume era "seguir em frente e depender dos vigias no ninho da gávea e olhos atentos na ponte para localizar o gelo a tempo de evitar atingi-lo".
Os navios de passageiros do Atlântico Norte priorizavam a manutenção do tempo acima de todas as outras considerações, restringindo-se rigidamente a um cronograma que garantiria sua chegada em um horário anunciado. Os navios eram frequentemente conduzidos perto de sua velocidade máxima, tratando as advertências de perigo como avisos em vez de chamadas para a ação. Era amplamente acreditado que o gelo representava pouco risco; os avisos de última hora não eram incomuns, e mesmo colisões diretas não eram desastrosas. Em 1907 o SS Kronprinz Wilhelm, navio de passageiros Alemão, bateu em um iceberg e sofreu um dano na proa, mas ainda conseguiu completar sua viagem. Naquele mesmo ano, o futuro capitão do Titanic, Edward Smith, declarou em uma entrevista que ele não podia "imaginar qualquer condição que faria afundar um navio. A construção naval moderna foi além disso".
"Iceberg logo à frente!" (23h39) Titanic entra na área de icebergs Enquanto o Titanic se aproximava de sua colisão fatal, a maioria dos passageiros tinha ido para a cama e o comando da ponte tinha passado do Segundo Oficial Charles Lightoller para o Primeiro Oficial William Murdoch. Os vigias Frederick Fleet e Reginald Lee estavam ocupando o cesto da gávea, 29 metros acima do convés. A temperatura do ar tinha caído quase ao congelamento e o oceano estava completamente calmo. O Coronel Archibald Gracie, um dos sobreviventes do desastre, posteriormente escreveu que "o mar parecia vidro, tão suave que as estrelas estavam claramente refletidas". É agora sabido que águas extremamente calmas são um sinal de campo de gelo próximo.