Huambo é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região central do país. Sua capital está na cidade e município do Huambo.
Segundo os dados do Censo 2024, elaborados pelo Instituto Nacional de Estatística, a província do Huambo conta com uma população de habitantes e área territorial de , sendo a terceira província mais populosa de Angola e uma das mais ricas da nação.
Os seus onze municípios são: Huambo, Bailundo, Ecunha, Caála, Cachiungo, Londuimbale, Longonjo, Mungo, Chicala-Choloanga, Chinjenje e Ucuma.
Etimologia O topónimo Huambo deriva do nome de Wambo Kalunga, fundador do Reino do Huambo.Childs, Gladwyn M.. The Kingdom of Wambu (Huambo): A Tentative Chronology. The Journal of African History. Vol. 5, No. 3 (1964), pp. 367-379. Cambridge University Press
História A província do Huambo é um território habitado por três grupos étnicos bantos (ovimbundos) com poucas diferenças entre si: huambos, bailundos e sambos, com pequenas manchas de ganguelas e quiocos de fraca expressão demográfica. Pouco se sabe sobre o modo como estas populações aqui se fixaram. A História mistura-se com lenda, tornando a separação quase impossível. Existe apenas a certeza que desceram do norte, após um permanecerem algum tempo perto do rio Cuanza.
Migração e formação dos ovimbundos A Rainha Ana de Sousa Ginga, que na primeira metade do século XVII viveu no centro de Angola, havia sustentado uma luta prolongada aos portugueses, colaborando com os neerlandeses, então senhores de Luanda, por interesse próprio e na medida das suas conveniências. Após a expulsão dos neerlandeses por Salvador Correia, estando Ginga submetida à autoridade de Portugal, o receio de represálias dos portugueses levou a que sambos, huambos e bailundos, que a haviam apoiado, abandonassem os seus territórios, afastando-se para longe da capital. Nesta migração estes povos levaram à sua frente todos quantos encontraram pelo caminho, em particular os ganguelas, assim forçados a transferir-se para as margens do Cubango.
As férteis terras altas do Planalto Central de Angola, também conhecidas como nano, eram tradicionalmente cultivadas pelos povos bantos antes da chegada dos bailundos e huambos. A invasão do início do século XVII, pelos povos imbangalas, levou a uma fusão das duas populações e a subsequente criação dos reinos ovimbundos. Os huambos instalaram-se inicialmente na Caála, onde ainda hoje se encontra a sepultura de Wambu-Kalunga ("Grande-Mar"), seu soberano, ladeada de duas outras, que se julga serem, segundo uns, de dois escravos sacrificados para o servirem no além ou, segundo outros, de duas das suas numerosas mulheres. Segundo a lenda, Wambu era um grande apreciador de carne humana, em especial as tenras crianças, motivando parte do seu povo a abandoná-lo, uns fugindo para a Ganda e outros para o Candumbo. Ao longo do tempo, muitos outros reis passaram por ali, e o nome manteve-se inalterado até à chegada dos portugueses, que o aportuguesaram, passando então a chamar-se Huambo no lugar de Wambo.
Os séculos XVII e XVIII foi marcado pela formação política dos povos que habitaram o território da província de Huambo, com a construção de inúmeras ombalas (aldeia/cidade principal) e aldeias, e a configuração dos principais reinos, o Bailundo e o Huambo.
Conquista e fixação portuguesa A região foi explorada pela primeira vez por mercadores portugueses em meados do século XVII, iniciando o comércio de escravos, marfim, cera de abelha e borracha. Confrontos ocasionais entre portugueses e os povos que habitavam no território da província huambina ocorreram nos séculos XVIII e XIX, ocorrendo nas duas principais artérias comerciais regionais de Benguela-Caconda Nova e Catumbela-Norte do Huambo. Exércitos particulares pertencentes a comerciantes e chefes tribais lutavam entre si pelo controle da rota comercial sulista. Após os portugueses derrotarem o reino Bailundo e o reino Bié na guerra de 1774-1778, os povos do planalto permaneceram em paz compartilhando o controle das rotas comerciais com o poder colonial.
A sede pelo controle da região levou a algumas campanhas militares, que transformaram-se em grandes exercícios bélicos que marcaram a mudança nos rumos do colonialismo lusitano, como foram as Guerras do Nano (segunda metade do século XIX) e o caso da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo (1890-1904). Este último foi um conflito armado, ocorrido principalmente em território huambino, entre os reinos dos povos ovimbundos, principalmente na figura dos reinos Bailundo, Huambo e Bié, contra o Império Português, motivado pela ambição colonial pelo controle das rotas comerciais e pelo súbito declínio do preço da borracha de raiz.Resistência aos portugueses no planalto central de Angola começou há 100 anos. Voa Português. 4 de fevereiro de 2011. Portugal venceu e subjugou os povos do planalto central, restando somente um último grande bastião de resistência no reino Cuanhama.Sungo, Marino Leopoldo Manuel. O reino do Mbalundu: identidade e soberania política no contexto do estado nacional angolano atual. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2015.
Portugal estabeleceu dois postos militares na região como forma de manter sob vigilância os povos do planalto. O principal posto ficou em Bailundo, que recebeu o nome de vila Teixeira da Silva (ergueu-se o forte de Bimbe-Catapi) e o outro posto ficou em Lépi, que recebeu o nome de vila Cabral Moncada (ergueu-se o Forte do Huambo). A base de Huambo foi abandonada pouco depois.Dáskalos, Sócrates.Um testemunho para a História de Angola: Do Huambo ao Huambo. [s/l: Vega. 2000.
Da década de 1910 à década de 1960 Em 1911, no bojo das obras do Caminho de Ferro de Benguela, o distrito do Huambo foi criado, a partir da divisão do distrito de Benguela, com sede provisoriamente em Bailundo. Em 21 de setembro de 1912 a capital distrital foi finalmente transferida do Bailundo para a cidade do Huambo; esta havia sido restabelecida em 8 de agosto de 1912 pelo alto-comissário General Norton de Matos, em substituição a antiga vila de Lépi. A antiga vila Lépi, que estava abandonada desde o final da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo, teve sua antiga fortificação reconstruída no Huambo, tomando o nome de Forte de Quissala.Forte da Quissala. Fortalezas.org. 2018.
No período em que o território da província foi ligado pelo Caminho de Ferro de Benguela, houve significativa melhoria das vias de comunicação com o leste, incluindo a reforma das rodovias EN-250 e a EN-260, ligando de maneira mais efetiva essa porção do território angolano.
A produção agrícola se reforça nesse período, trazendo inúmeros dividendos econômicos à população. Como efeito disto, em 1913 são criados no Huambo e no Bailundo postos pecuários de observação e tratamento de gado.
A partir de 1928 o distrito do Huambo, bem como sua capital, receberam a denominação de "Nova Lisboa", somente recuperando o nome anterior após a independência, em 1975.
Período das guerras miniatura|200px|esquerda|Base da ONU no Aeroporto Albano Machado. Na década de 1970, durante a Guerra de Independência de Angola, quando esta atingiu seu ápice na colônia, a UNITA e o MPLA tinham um acordo tácito de não-agressão visando a derrota dos portugueses na região do Huambo, de Benguela e do Bié. Assim, ambos os grupos conseguiram praticamente por termo a influência lusitana na província do Huambo já em 1973.
Porém a Revolução dos Cravos e o Acordo do Alvor viria alterar esse panorama de entendimento entre os grupos guerrilheiros, fazendo surgir uma hostilidade; tal ponto culminou que o MPLA declara a independência do país na capital, Luanda, enquanto que a UNITA faz o mesmo na cidade do Huambo. O acontecimento gera o estopim da Guerra Civil Angolana.Ferraz, Francisco.Uma cidade ao mar. Mundo da Politica.
O Huambo permanece no início da guerra civil como área de influência da UNITA, sofrendo diversos ataques do MPLA, embora que a UNITA consiga manter sua presença mais efetiva nas zonas rurais. Com o apoio das Forças Armadas de Cuba ao MPLA e a expulsão da Força de Defesa da África do Sul, a UNITA perde força e deixa de operar no Huambo, no início do ano de 1989.Angola: Information on the activities of National Union for the Total Independence of Angola (UNITA) in Angola and Namibia from 1988 to 1990. Angola government's treatment of suspected UNITA members and current relations between UNITA and the authorities. Canada: Immigration and Refugee Board of Canada. 1 de março de 1990.
Nos Acordos de Bicesse consegue-se uma trégua na guerra e a garantia de eleições. O resultado eleitoral, com vitória para a MPLA, é contestado por Jonas Savimbi e pela UNITA, fazendo ocorrer no Huambo um dos mais sangrentos episódios da guerra, em 1992, durante a batalha que ficou conhecida como a Guerra dos 55 Dias, onde ocorreram os fatídicos episódios do bombardeamento do Canhé e da perseguição às caravanas de refugiados e de militantes do MPLA.Guerra dos 55 dias do Huambo foi há 25 anos. Portal Pérola das Acássias. 6 de março de 2018.
Em 1994, a uma semana da assinatura de um acordo de paz, o governo de Angola iniciou um extenso ataque ao quartel general da UNITA na cidade de Huambo, fazendo fugir os comandantes guerrilheiros, praticamente cessando a guerra na província.Angola diz que tomou Huambo. Folha de S. Paulo. 8 de novembro de 1994.
Reconstrução A província encontrava-se muito devastada pela guerra em 2002, quando inicio-se a reconstrução das infraestruturas. O grande marco reconstrutor se deu com a reabertura do Caminho de Ferro de Benguela.
Geografia miniatura|200px|esquerda|Rocha Monolítica de Lépi, em 2007. O Huambo é limitado pelas províncias de Cuanza Sul, ao norte, Bié, ao leste, Huíla, ao sul e Benguela, ao oeste.
A província está dividida em 11 municípios: Huambo, Bailundo, Ecunha, Caála, Cachiungo, Londuimbale, Longonjo, Mungo, Chicala-Choloanga, Chinjenje e Ucuma.
Clima Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, no território da província predomina o clima oceânico (Cwb), com pequenas porções territoriais de clima tropical de savana (Aw) nos extremos do norte.Clima: Huambo. Climage-data.org. 2022.
Ecologia, flora e fauna Domina as faixas nordeste, leste e sul da província a paisagem da ecorregião das "florestas de miombo angolanas",Angola Vegetation. Perry-Castañeda Library Map Collection. University of Texas, 1973. com flora de savana de folha larga decídua úmida e floresta com domínio de miombo, além de pastagens abertas. No leste, noroeste e parte do nordeste da província predomina o "mosaico de pastagens e florestas montanhosas angolanas", nos arredores dos subaltiplanos do Congolo e Mombolo, bem como no Planalto da Chicuma, no Planalto Balombo-Ganda, e nas Serras da Sanga e Bimbe, com floresta afromontana, gramíneas e arbustos.Chevalier, M & Cheddadi, Rachid & Chase, Brian. (2014). Chevalier et al 2014 CoP 10 CREST.
A fauna é bastante diversificada com relevo para animais de grande porte, como o rinoceronte-negro, os panteríneos, como o leão-angolano e a onça-africana, bem como antílopes de grande, médio e pequeno portes, além da lebre-das-savanas e do damão-das-rochas-de-manchas-amarelas. Há uma enorme diversidade de sáurios e répteis, como o crocodilo-do-nilo, habitante de lagos e os rios da região, e as serpentes mamba-negra e víbora-nocturna-bilineada. Diversidade ainda maior há de insectos e aves, como as aves fuinha-de-huambo (Cisticola bailunduensis), beija-flor-das-montanhas (Cinnyris ludovicensis)Endemic Birds of Angola, according to various taxonomies. The Birds of Angola., batis-margarida (Batis margaritae), picanço-de-Perrin (Telophorus viridis viridis), cotovia-de-angola (Mirafra angolensis), fuinha-chocalheira (Cisticola chinianus) e francolim-de-cara-ruiva (Francolinus finschi).
Demografia