thumb|400px|direita|Cristo rejeitado.1822. Por William Dunlap, atualmente na Universidade de Princeton.

Os evangelhos canônicos do Novo Testamento incluem alguns relatos de rejeição a Jesus durante o seu ministério. Jesus no judaísmo e o ponto de vista do Jesus histórico são formas diferentes de abordar o assunto e diferem de Jesus no cristianismo. Este artigo trata da rejeição nos evangelhos.

Rejeição em sua cidade natal

Em um relato preservado nos evangelhos sinóticos (, e ), Jesus foi fortemente rejeitado pela população de sua cidade natal, que Lucas especifica como sendo Nazaré. Este incidente ocorro logo após a Tentação de Jesus no deserto da Judeia.

De acordo com os sinóticos, logo após Jesus ter iniciado o seu ministério - e antes da morte de João Batista -, ele retornou para a sua cidade natal. Ele aparece entrando numa sinagoga durante o sabbath para pregar. Lucas afirma que Jesus realizou uma leitura das escrituras e em seguida alegou ser a realização da profecia contida em , enquanto que os demais evangelhos não citam este detalhe. Todos eles descrevem o público questionando negativamente a origem de seus ensinamentos (veja também Marcos 3) e o criticando por ser apenas um carpinteiro (em Marcos) ou o filho de um (em Mateus).

Em Mateus e em Marcos, o público também aparece se referindo a Jesus como sendo o irmão de Tiago, Simão, José e Judas - veja Irmãos de Jesus - (em Marcos também aparecem citadas, mas não nomeadas, as irmãs de Jesus) como se eles fossem apenas pessoas ordinárias na cidade, criticando Jesus por seu comportamento diferente.

Segundo os evangelhos, Jesus então rebate os argumentos (em variações do mesmo argumento em cada evangelho): . Esta frase é referenciada em .

Mateus afirma que Jesus não fizera muitos milagres por causa da "falta de fé deles". Em uma passagem similar, Marcos afirma que Jesus não foi capaz de realizar nenhum milagre ali, exceto a cura de uns poucos doentes. Lucas acrescenta que Jesus recontou a história sobre como, durante o tempo de Elias, apenas uma mulher de Sídon fora salva e como, durante a época de Eliseu, embora houvesse muitos leprosos em Israel, apenas uma síria havia sido purificada. Isto, de acordo com , fez com que Jesus fosse atacado e perseguido até o topo de uma colina, de onde se pretendia atirá-lo. Ele conseguiu, contudo, fugir. Alguns acadêmicos concluem que a acuracidade da versão de Lucas é questionável, em particular neste caso, justamente por não haver "colinas" em Nazaré.The Complete Gospels, Robert J. Miller editor, 1992, página 126, nota de tradução em Lucas 4:29: "Nazaré não se encontra numa colina e nem perto de uma. Lucas parece em geral pouco informado sobre a geografia da Palestina. Aspectos desta geografia podem, portanto, serem considerados como fictícios."

A visão negativa da família de Jesus também pode estar relacionada ao conflito entre Paulo de Tarso e os judeo-cristãos. Wilson (1992)Wilson, A.N. Jesus: A life. 1992. New York: Norton & Co. apresentou a hipótese de que a relação negativa entre Jesus e sua família foi colocada nos evangelhos (especialmente em Marcos, por exemplo, , ) para dissuadir os primeiros cristãos sobre seguir o culto a Jesus que era administrado pela família d'Ele. Wilson diz: "...não seria surpreendente se outros setores da Igreja, particularmente os gentios, gostassem de contar histórias sobre Jesus como um homem que não havia obtido a simpatia e nem o apoio de sua família (p. 86)". Butz (2005)Butz, Jeffrey. The brother of Jesus and the lost teachings of Christianity. 2005. Rochester, Vermont: Inner Traditions. é mais sucinto: "...na época em que Marcos estava escrevendo, no final da década de 60, as igrejas gentias fora de Israel estavam começando a ressentir a autoridade exercida em Jerusalém, onde Tiago, irmão de Jesus, e os apóstolos eram os líderes, provendo assim um motivo para a atitude contra a família de Jesus em Marcos... (p. 44)". Outros proeminentes acadêmicos concordam (vide por exemplo Crossan, 1973;Crossan, John Dominic. “Mark and the relatives of Jesus”. Novum Testamentum, 15, 1973 Mack, 1988;Mack, Burton. A myth of innocence: Mark and Christian origins. 1988. Philadelphia: Fortress Painter. 1999).".Painter, John. Just James: The brother of Jesus in history and tradition. 1999. Minneapolis: Fortress Press

Rejeição dos construtores

, e citam Jesus como sendo uma pedra (utilizada numa construção) que foi rejeitada pelos construtores. discute esta rejeição. Teólogos sugerem que o objetivo de Jesus não era se diminuir por ter sido rejeitado e sim diminuir os que o rejeitaram. A "pedra que os edificadores rejeitaram" também é citada em , que tem inclusive a mesma escolha de palavras e aparece no contexto do supersessionismo (a "teologia da substituição", que prega que os Evangelhos vieram para substituir as antigas Escrituras judaicas).

Corazim, Betsaida e Cafarnaum De acordo com e , as vilas galileias de Corazim, Betsaida e Cafarnaum não se arrependeram em resposta aos ensinamentos de Jesus e, por isso, Ele declarou a sua danação para o Hades. Segundo Mateus:

Mal recebido em uma vila samaritana De acordo com , quando Jesus entrou em uma vila samaritana, ele não foi bem recebido por estar indo em direção a Jerusalém (havia uma grande rixa entre os judeus, com seu Templo de Jerusalém, e os samaritanos, com seu templo no Monte Gerizim). Os discípulos de Jesus queriam invocar o fogo do céu sobre a vila, mas Jesus os repreendeu e eles continuaram a viagem até a vila seguinte.The Complete Gospels, Robert J. Miller, editor, 1992, Polebridge Press, ISBN 0944344305, página 140, nota de tradução em Lucas 9:53: "Os samaritanos não ofereciam sua hospitalidade os que viajavam para o templo em Jerusalém, que eles consideravam como um rival ilegítimo de seu próprio templo no Monte Gerazim - vide ."

Muitos discípulos partiram relata que muitos discípulos abandonaram Jesus após ele ter dito que aqueles que comerem do seu corpo e beberem do seu sangue permaneceriam com ele e teriam a vida eterna (). Em , Jesus pergunta aos apóstolos se eles também desejam partir, mas Pedro responde que eles se tornaram crentes.

Julgamento no Sinédrio

Após o incidente com os cambistas no Templo, Jesus foi preso e enviado para o Sinédrio, que rejeitou seu apelo e o enviou para Pôncio Pilatos (ver Corte de Pilatos) para que fosse condenado à morte (os judeus não tinham o direito de condenar a morte após a conquista romana).

Ver também Antijudaísmo

Categoria:Eventos narrados nos Evangelhos Categoria:Evangelho de João Categoria:Evangelho de Marcos Categoria:Evangelho de Lucas Categoria:Evangelho de Mateus Categoria:Ministério de Jesus Categoria:Betsaida Categoria:Cafarnaum Categoria:Crítica ao cristianismo Categoria:Cristianismo e judaísmo