O Aermacchi MB-339 é uma aeronave de treinamento e ataque leve a jato desenvolvida e produzida pela companhia italiana Aermacchi.
O MB-339 foi desenvolvido ao longo dos anos 70, em resposta a um requerimento da Força Aérea Italiana (AMI), que buscava um substituto para a frota existente de Aermacchi MB-326. Seu projeto foi derivado de seu antecessor, e não um projeto totalmente novo, portanto, as duas aeronaves compartilham consideráveis semelhanças em termos de design. A Aermacchi constatou que o MB-339 era capaz de atender a todos os requisitos especificados, sendo ao mesmo tempo a opção mais acessível disponível. Seu primeiro voo ocorreu em 12 de agosto de 1976, com as primeiras aeronaves de produção foram entregues dois anos depois.
Aproximadamente metade de todos os MB-339 entraram em serviço na AMI, enquanto o restante foi vendido para diversos clientes de exportação. Além de ser usado para treinamento, o modelo também é pilotado pela patrulha acrobática Frecce Tricolori. O modelo foi utilizado em combate tanto pela Força Aérea da Eritreia durante a Guerra Eritreia-Etiópia quanto pela Aviação Naval Argentina (COAN) durante a Guerra das Malvinas, sendo normalmente utilizado como aeronave de ataque. No serviço italiano, será substituído pelo Leonardo M-345.
Desenvolvimento esquerda|miniaturadaimagem|O primeiro protótipo, matriculado I-NOVE Em setembro de 1972, a Aermacchi recebeu um contrato para estudar um substituto para a frota de MB-326 da Força Aérea Italiana (AMI), um modelo que havia sido o padrão para jatos de treinamento avançado na década de 1960. Durante este estudo, os projetistas da empresa, liderados por Ermanno Bazzocchi, compararam sete projetos totalmente novos (que foram coletivamente denominados MB-338) com uma versão aprimorada do MB-326, designada MB-339. Foi determinado que o MB-339, em sua concepção, seria capaz de atender aos requisitos estabelecidos pela AMI, além de ser mais econômico do que produzir qualquer um dos projetos concorrentes totalmente novos. Assim, a Aermacchi submeteu o MB-339 para avaliação oficial; em 1975, ele foi selecionado para substituir as frotas de MB-326 e Fiat G.91T que estavam em serviço na Itália na época.
Em 12 de agosto de 1976, ocorreu o voo inaugural do protótipo, designado MB-339X. Em julho de 1978, a primeira aeronave de produção em série realizou seu voo inaugural; no ano seguinte, começaram as entregas do MB-339A para a AMI. O serviço seria o principal operador do modelo; segundo consta, entre 1978 e 1987, 101 unidades MB-339A foram entregues à AMI, o que representa quase metade do total de exemplares do modelo construídos até hoje.
A Aermacchi desenvolveu diversos modelos aprimorados. Em 1980, uma variante de ataque monoposto dedicada, denominada MB-339K Veltro II, realizou seu voo inaugural. Em 1985, o MB-339B, que incorporava uma capacidade de ataque leve, entrou em serviço operacional. Naquele mesmo ano, o primeiro MB-339C, que apresentava vários aprimoramentos e era projetado como uma aeronave de uso duplo (ataque e treinamento), realizou seu primeiro voo. No final da década de 1980, o MB-339C aprimorado foi disponibilizado aos clientes; este modelo diferenciava-se principalmente das variantes anteriores pela implementação de uma cabine de pilotagem muito mais moderna. Desde o início, o governo italiano optou por adquirir o MB-339CD, além da cabine totalmente digital, esta variante foi equipada com uma sonda fixa para reabastecimento aéreo, permitindo seu uso para treinamento de reabastecimento.miniaturadaimagem|Um MB-339A da Força Aérea Italiana (AMI), 1987Em 1989, a Aermacchi formou uma parceria com o conglomerado de defesa americano Lockheed e a divisão aeronautica da General Motors para concorrer conjuntamente ao programa americano Joint Primary Aircraft Training System (JPATS). A equipe ítalo-americana propôs um modelo modificado do MB-339, denominado T-Bird II, para competir no concurso. Caso o projeto fosse bem-sucedido, a Lockheed atuaria como principal contratada e integradora de sistemas, montando o T-Bird II em suas instalações em Marietta, enquanto a General Motors forneceria sua experiência em treinamento computadorizado. No entanto, a proposta acabou não sendo bem-sucedida; em vez disso, uma proposta concorrente da Raytheon e da Pilatus, com motor turboélice, ganhou o contrato para produzir o T-6 Texan II para atender a essa necessidade.
Ao longo da década de 1990 e até os anos 2000, vários lotes da variante MB-339CD foram incorporados ao serviço italiano. Além disso, vários operadores optaram por remanufaturar suas aeronaves existentes para o padrão MB-339C, mais avançado. Durante a década de 2000, o MB-339FD (FD significa Full Digital, ou seja, totalmente digital) foi proposto, mas acabou atraindo pouco interesse do mercado. Em 2006, foi anunciado que a linha de montagem do MB-339, que estava desativada há vários anos, seria reativada em resposta ao interesse demonstrado por três clientes distintos em novos pedidos desse modelo.
Durante as décadas de 1990 e 2000, como resultado de fusões e reestruturações corporativas, o MB-339 tornou-se apenas uma das várias aeronaves de treinamento oferecidas pela Aermacchi, sendo as outras aeronaves o SF-260 (motorizado a hélice), o S.211 básico, o M-311 e o M-346. Segundo Giorgio Brazzelli, as diversas plataformas de treinamento se integram para formar um sistema de treinamento completo para seus clientes.
Design miniaturadaimagem|Um MB-339CD da AMI em Kleine Brogel, na Bélgica, 2007|esquerda O Aermacchi MB-339 é um jato militar de treinamento e ataque leve, com configuração convencional, trem de pouso triciclo e construção totalmente metálica. Possui muitas semelhanças com o projeto do MB-326, compartilhando a maior parte de sua estrutura com a aeronave mais antiga. Segundo a revista de aviação Air International, a revisão mais significativa do MB-339 foi um redesenho da fuselagem dianteira, que elevou o assento do instrutor para permitir a visibilidade por cima e além da cabeça do aluno piloto. Em operações típicas, a aeronave é pilotada por uma tripulação de dois, sentados em tandem; durante missões de treinamento, o aluno senta-se na posição dianteira, enquanto o instrutor observador fica posicionado diretamente atrás e um pouco acima dele. A cabine é pressurizada e coberta por um canopi ejetável que funciona em conjunto com os dois assentos ejetáveis Martin-Baker Mk.10, produzidos sob licença pela firma italiana SICAMB.
O MB-339 possui uma asa baixa e não enflechada, completa com tiptanks; as tomadas de ar para o único motor turbojato estão localizadas nas raízes das asas. Esta asa é idêntica à utilizada no MB-326K. O motor utilizado nas versões iniciais da aeronave era o turbojato Rolls-Royce Viper 632-43, capaz de produzir 4.000 lbf (17,8 kN) de empuxo seco; este é o mesmo modelo instalado no modelo MB-326K mais antigo. Os modelos posteriores, como o MB-339C, são equipados com o motor Viper 680, mais potente, capaz de gerar até 4.300 lbf (19,57 kN) de empuxo. Para melhorar a aerodinâmica, o MB-339 apresenta uma empenagem maior que a do seu antecessor.
Embora alguns modelos do MB-339 sejam destinados principalmente a operações de treinamento, outros são equipados para desempenhar funções de caça leve e caça-bombardeiro. Aeronaves voltadas para o combate são normalmente equipadas com aviônicos mais avançados, como sistemas de orientação inercial aprimorados, computadores digitais de navegação e ataque, um barramento de dados MIL-STD-1553B e controles de voo compatíveis com HOTAS (Hands-On Throttle-And-Stick, mãos no manche e manete). Além disso, diversos sistemas defensivos, como interferidores, receptores de alerta de radar (RWR), contramedidas eletrônicas (ECM), juntamente com tanques de combustível de ponta de asa maiores, seriam normalmente adotados. O MB-339K carrega um par de canhões DEFA de 30 mm, enquanto um total de seis pontos de fixação sob as asas podem acomodar até 1.815 kg de armamento externo.
Foi qualificado para ser armado com diversas munições, como os mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder e R.550 Magic, o míssil ar-superfície AGM-65 Maverick, várias bombas e foguetes guiados a laser, bem como o míssil antinavio Marte Mk.2. Segundo a Forecast International, a Aermacchi chegou a considerar a possibilidade de instalar dois canhões de 30 mm adicionais em casulos.
Histórico operacional
Argentina miniaturadaimagem|Um MB-339A da COAN, exposto no Museu da Aviação Naval Argentina Em 1979, o Comando de Aviação Naval Argentina (COAN) encomendou dez unidades do MB-339A, de treinamento avançado e ataque leve, em substituição dos veteranos treinadores North American T-28 Fennec. Estas foram entregues em 1981 e operadas pela 1ª Esquadrilha de Ataque da III Esquadrilha Naval (EA41), baseado na Base Aeronaval de Punta Indio, na província de Buenos Aires. As aeronaves receberam matrículas 4-A-110 a 4-A-119.
Durante a Guerra das Malvinas, no final de abril de 1982, seis deles estavam localizados no Aeroporto de Port Stanley, renomeado Base Aérea Militar (BAM) Malvinas. Eles eram os únicos jatos de ataque a operar a partir das Ilhas Malvinas, juntamente com quatro aeronaves de ataque leve e treinamento Beechcraft T-34C1 Turbo Mentor, da COAN, e vinte e quatro aeronaves de ataque turboélice FMA IA 58 Pucará do Grupo 3 de Ataque da Força Aérea Argentina (FAA). Outros MB-339 eram operados a partir de Punta Índio, Rio Grande, Trelew, Bahia Blanca e Ushuaia, em conjunto com os MB-326 da COAN.
Em 3 de maio de 1982, o MB-339 matricula 4-A-113 sofreu um acidente durante seu pouso em mal tempo na BAM Malvinas, após bater sua asa em um terreno alto a dois quilômetros da pista, terminando a cair numa praia, perto do Cabo Pembroke. Seu piloto, o Tenente-de-fragata Carlos Benitez, faleceu no acidente.
Em 21 de maio, um MB-339A matricula 4-A-115, pilotado pelo Tenente Owen Guillermo Crippa em um voo de reconhecimento, atacou a força anfíbia da Marinha Real Britânica com seus canhões de 30mm e foguetes, atingindo a fragata HMS Argonaut, causando danos leves.
Em 27 de maio, um MB-339A, matricula 4-A-114, foi abatido por um míssil antiaéreo portátil Blowpipe durante a Batalha de Goose Green, enquanto tentava atacar navios britânicos e tropas desembarcadas, com seu piloto, o Tenente-de-corveta Daniel Enrique Miguel, vindo a falecer. Esta foi a última missão dos MB-339 nas Malvinas.
As aeronaves enviadas as Malvinas em vários lotes sofreram com os constantes ataques dos Sea Harriers britânicos, tendo várias unidades perdidas em terra. Três unidades do MB-339 foram capturadas pelos britânicos, com uma sendo preservada no Museu de Aeronaves de South Yorkshire, em Doncaster. Uma unidade, matrícula 4-A-115, a mesma pilotada pelo Tenente Crippa em seu ataque a frota britânica, foi reparada por equipes de terra argentinas e retornou ao continente pouco tempo antes da rendição.
Devido a impossibilidade de aquisição de peças de reposição para os motores Viper, produzidos na Grã-Bretanha, as unidades sobreviventes foram retiradas de serviço pouco tempo após a Guerra das Malvinas. A unidade matricula 4-A-115, que havia sido vendida ao mercado civil em 2005, foi repatriada em 2025, para ser exposta em um museu.
Eritreia Durante as tensões entre a Eritreia e a Etiópia no final da década de 1990, a Eritreia começou a reconstruir sua força aérea. Em 1996, os eritreus encomendaram seis aeronaves Aermacchi MB-339CE, com as quais foi fundada a primeira unidade de combate da Força Aérea Eritreia (ERAF) em 1997. Eles provaram seu valor como aeronaves de treinamento e até mesmo durante os primeiros combates em 1998.