A história da Igreja Católica Apostólica Romana tem seu início por volta do ano 30 d.C., por ocasião do ministério de Jesus Cristo, que escolheu os 12 Apóstolos, com os quais edificou Sua Igreja (Mateus 16,18); dentre estes, Jesus escolheu um como principal, o "primeiro entre iguais", Simão, a quem Ele chamou Pedro, depois que este o reconheceu como o Cristo, Filho de Deus, que havia de vir para reunir o povo eleito de Deus disperso pelo mundo inteiro. O nome "Pedro" indica que Simão, filho de Jonas, é a pedra sobre a qual Jesus edificou Sua Igreja.

A Igreja é um só Corpo, que tem Jesus Cristo mesmo como Cabeça, como disse São Paulo Apóstolo. Santo Inácio de Antioquia, um dos primeiros bispos da Igreja Católica, que viveu entre 35 e 107 d.C., ensinou que "a igreja de Cristo é uma só, é Una", devido à unidade dos cristãos em plena comunhão com Cristo e com o seu Magistério Eclesiástico. Este é representado, principalmente, pelo bispo da Diocese de Roma, que é o Papa, sucessor de São Pedro Apóstolo na Sé de Roma. Desde 2025, o Papa Leão XIV ocupa o cargo máximo da Igreja.

O Magistério Eclesiástico da Igreja deve estar em plena comunhão com o sucessor de Pedro, estando simultaneamente em plena comunhão com Cristo, visto que foi a Pedro e seus sucessores que Jesus confiou por primeiro seu rebanho, a ser apascentado ainda nessa peregrinação na Terra, até que Ele mesmo venha em seu Advento, para julgar os vivos e os mortos, quando então arrebatará, ou seja, levará consigo sua Igreja à plenitude do Reino dos Céus.

Em Antioquia, os discípulos de Cristo pela primeira vez foram chamados de cristãos. Santo Inácio de Antioquia (referência mais antiga que se tem registro do tratamento da Igreja fundada por Jesus como "Igreja Católica") ressalta: "Onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica", da mesma forma em que o próprio Senhor Jesus Cristo disse: "Onde está o Senhor ali também devem estar os Seus servos".

A Igreja Católica tem grande influência no mundo em aspectos espirituais, religiosos, morais, políticos e socioculturais. Aliás, a história das igrejas protestantes depende da história da Igreja Católica Apostólica Romana, que a precede e sem a qual não existiria. Dela saíram, por revolta, os primeiros grandes expoentes do Protestantismo como Martinho Lutero e João Calvino. Graças à Igreja Católica, a moral cristã constituiu-se como um dos três pilares da história da civilização ocidental.ORLANDIS, A Short History of the Catholic Church (1993), preface

A Igreja Católica "está na História, mas ao mesmo tempo a transcende", segundo o seu Catecismo: "é unicamente 'com os olhos da Fé' que se pode enxergar a sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina".Catecismo da Igreja Católica (CIC), n.770

Antiguidade Cristã A História da Igreja começa a ser contada, primeiramente, a partir do livro bíblico os Atos dos Apóstolos. Neste livro são feitas as primeiras narrativas da Igreja surgente.ANTONIAZZI, Alberto e MATOS, Henrique Cristiano José. Cristianismo: 2000 anos de caminhada. São Paulo: Editora Paulinas, 1996, pg. 12

É denominado de Antiguidade Cristã o período da história da Igreja que vai de sua fundação por Jesus Cristo até o ano 692 e comporta duas fases: uma do ano 33 (em que se tem a sua fundação, propagação e perseguições) ao ano 313 (com o Édito de Milão); a segunda fase é caracterizada principalmente pela conversão dos povos invasores, o desenvolvimento da doutrina e o surgimento do Islamismo, que impõe fortes limitações à expansão da Igreja. Em 692 reúne-se o Concílio in Trullo.ARCE,Pablo e SADA,Ricardo. Curso de Teologia Dogmática, Rei dos Livros, Lisboa, 1992, p. 222.

Universalidade O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do Império Romano. Os cristãos, inicialmente perseguidos pelo Sinédrio, depressa se desvincularam da Sinagoga. O cristianismo desde as suas origens, foi universal, aberto aos gentios, e estes foram declarados livres das prescrições da Lei Mosaica. O universalismo cristão manifestou-se desde os primórdios da Igreja em contraposição ao caráter nacional da religião judaica. Fugindo da perseguição em Jerusalém os discípulos de Jesus chegaram a Antioquia da Síria, uma das principais metrópoles do Oriente naquele tempo. Alguns destes discípulos eram de origem helênica, de mentalidade mais aberta que os judeus da palestina e começaram a anunciar o Evangelho aos gentios. Foi em Antioquia que o universalismo da Igreja mostrou-se concretamente uma realidade e foi nesta cidade que pela primeira vez os seguidores de Cristo começaram a ser chamados de cristãos. Nestes primeiros séculos a penetração cristã foi um fenômeno muito mais urbano que rural.ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993, pg.14.

O testemunho de Tertuliano, escrito por volta do ano 200 é significativo: Somos de ontem e já enchemos tudo o que é vosso: cidades, ilhas, acampamentos militares, o palácio imperial, o Senado, o fórum; só vos deixamos os templos vazios. A fé estendeu-se por onde hoje é a Itália, Grécia, Espanha, França, Norte da África e Ásia.ARCE,Pablo e SADA,Ricardo. Curso de Teologia Dogmática, Rei dos Livros, Lisboa, 1992, p. 224.

Perseguição e crescimento Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos, porque a sua religião era vista como uma ofensa ao estado, pois representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano imperial. Durante a perseguição, e apesar dela, o cristianismo propagou-se pelo império. Neste período os únicos lugares relativamente seguros em que se podiam reunir eram as catacumbas, cemitérios subterrâneos. O cristianismo teve de se converter numa espécie de sociedade secreta, com os seus sinais convencionais de reconhecimento. Para saber se outra pessoa era cristã, por exemplo, desenhava-se um peixe , pois a palavra grega ichtys (peixe) era o anagrama da frase Iesos Christos Theou Hyios Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).WOHL, Louis de. Fundada sobre a rocha, história breve da Igreja. Tradução de Teresa Jalles - Lisboa: Rei do Livros, 1993, pgs.46/47.

As principais e maiores perseguições foram as de Nero, no século I - a pretexto do incêndio de Roma na noite de 18 para 19 de julho de 64, a perseguição deu lugar a uma multidão de mártires, dentre eles S. Pedro e S. Paulo; a de Domiciano (81-96), Trajano (98-117), a de Sétimo Severo (193-211), a de Décio no ano 250, a de Valeriano (253-260) e a maior, mais violenta e última a de Diocleciano entre 303 e 304, que tinha por objetivo declarado acabar com o cristianismo e a Igreja. O balanço final desta última perseguição constituiu-se num rotundo fracasso. Diocleciano, após ter renunciado, ainda viveu o bastante para ver os cristãos viverem em liberdade graças ao Édito de Milão, iniciando-se a Paz na Igreja.ARCE, Pablo e SADA, Ricardo. Curso de Teologia Dogmática, Rei dos Livros, Lisboa, 1992, p.224-225. thumb|direita|200px| Martírio de São Pedro, por Caravaggio.

No ano 313, Constantino e Licínio, imperadores, assinaram o Édito de Milão no qual se concedia aos cristãos a liberdade de culto e restituíam os bens à Igreja, equiparava-se o cristianismo, em direitos e privilégios, à religião pagã. Os cristãos formaram comunidades locais, denominadas Igrejas, sob a autoridade pastoral de um bispo. O bispo de Roma, sucessor do apóstolo Pedro, exercia o Primado sobre todas as Igrejas. A vida cristã estava centralizada em torno da Eucaristia e o repúdio do GnosticismoO Gnosticismo, que constituía uma verdadeira escola intelectual - apresentava-se como sendo uma sabedoria superior, apenas ao alcance de uma elite minoritária de iniciados, o representante mais notável deste corrente foi Marcião, que fundou uma pseudo-igreja, que procurava imitar a Igreja cristã na sua organização e liturgia - vide ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993. foi a grande vitória doutrinal da primitiva Igreja.ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993, pgs. 23/27.

Primórdios da literatura cristã A primeira literatura cristã, a seguir o Novo Testamento, teve origem nos Padres Apostólicos, cujos escritos refletem a vida da Cristandade mais antiga. A apologética foi uma literatura de defesa da fé, ao passo que o século III viu já o nascimento de uma ciência teológica. Os escritos dos Padres Apostólicos são de índole pastoral e dirigem-se a um público cristão. Deste período destacam-se a Didaké, a carta de São Clemente aos Coríntios, as sete cartas de Santo Inácio de Antioquia a outras Igrejas, a epístola de Policarpo de Esmirna e o Pastor de Hermas.ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993, pgs. 28/31.

O Império Romano Cristão No decurso do século IV, o Cristianismo começou a ser tolerado pelo Império, para alcançar depois um estatuto de liberdade e converter-se finalmente, no tempo de Teodósio, em religião oficial do Estado. O imperador romano, por esta época, convocou as grandes assembleias dos bispos, os concílios, e a Igreja pôde então dar início à organização de suas estruturas territoriais.

A igreja cristã na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma (veja Pentarquia). Foi na Antioquia que os seguidores de Cristo começaram a ser chamados de cristãos, e o cristianismo passou de religião das minorias para então se tornar uma religião das multidões. Com a decadência do Império, os bispos pouco a pouco foram assumindo funções civis de caráter supletivo e a escolha do bispo passou a ser mais por escolha do clero do que pela pequena comunidade, segundo as fórmulas antigas. Por essa época não foram poucas as intervenções dos nobres e imperadores nas suas escolhas. Figuras expressivas da vida civil foram alçadas à condição de bispo, exemplo disto foram Santo Ambrósio, governador da Alta Itália que passou a bispo de Milão; São Paulino de Nola, ex-cônsul e Sidônio Apolinário, genro do imperador Ávito e senhor do Sul das Gálias, que foi eleito bispo de Clermont-Ferrand.

Antes de findar o o Primeiro Concílio de Niceia (325) e o Primeiro Concílio de Constantinopla, em respostas às heresias arianas e ao macedonianismo, formularam a doutrina da Trindade que ficou fixada no seu conjunto no "Credo niceno-constantinopolitano". Por esta época colocou-se a questão da relação entre as naturezas humana e divina de Cristo, a heresia do monofisismo, que foi finalmente decidida no Primeiro Concílio de Éfeso, convocado pelo imperador , que afirmou que Cristo é "perfeito Deus e perfeito homem" e definiu Maria como "Aquela que portou Deus" (Teótoco) em resposta à heresia nestoriana (do bispo Nestório) que lhe atribuía apenas o Cristótoco (Aquela que portou Cristo). Esta posição depois foi reafirmada no Concílio de Calcedônia (451) e no Terceiro Concílio de Constantinopla (680).

Padres da Igreja

160px|thumb|esquerda|Cristo entrega as chaves do Reino a São Pedro, Capela Sistina, afresco de Perugino. Os tempos de ouro da Patrística foram os séculos IV e V, embora possa se entender que se estenda até o século VII a chamada "idade dos Padres". Os principais Pais do Oriente foram: Eusébio de Cesareia, Santo Atanásio, ilustre na defesa da fé contra o arianismo; Basílio de Cesareia, Gregório de Nisa, Gregório Nazianzo, São João Crisóstomo, alcunhado de Boca de Ouro pela sua excelente oratória, e São Cirilo de Alexandria.