A história militar do Brasil é marcada pelas forças de defesa e as Forças Armadas do Brasil, que se formaram ao longo de toda a série de conflitos ocorridos na História do país. Embora tenham sido institucionalmente formadas tardiamente (Exército, em 1824; Marinha, em 1824; e Força Aérea, em 1941), as forças armadas brasileiras remontam as suas origens às disputas do período colonial e da Guerra de Independência.

Forças armadas portuguesas na América (1500 - 1822)

Período colonial (1500–1808)

No Brasil Colônia, o rei D. Manuel I, mandou organizar expedições militares com a finalidade de proteger os domínios portugueses na América, então recém-descobertos. À medida que colonização avançou na Capitania de Pernambuco e na Capitania de São Vicente, as autoridades militares nativas e bases da organização defensiva da colônia começaram a ser esboçadas para fazer frente às ambições dos franceses, ingleses e holandeses.

O primeiro confronto entre europeus portugueses e espanhóis na America do Sul, ocorreu entre os anos de 1534 e 1536 na Guerra de Iguape, no sul do atual estado de São Paulo, onde alguns espanhóis se instalaram.

Outras intervenções relevantes foram a expulsão dos franceses da baía da Guanabara (França Antártica), em 1566, e de São Luís (Maranhão) (França Equinocial), em 1615.

No período colonial as unidades militares existentes no Brasil seguiam o padrão usado em Portugal e eram divididas em três categorias: as tropas de 1° linha (chamadas de Tropas Pagas) que era o exército profissional, as tropas de 2° linha (Tropas auxiliares e Milícias) e as tropas de 3° linha (Tropas de Ordenança).FREITAS, Jorge Penim de, O Combatente durante a Guerra da Restauração. Vivência e comportamentos dos militares ao serviço da Coroa portuguesa, Lisboa, Prefácio, 2007.

À medida que avançou a interiorização através do amplo movimento de expansão territorial no século XVII e do início do século XVIII, as entradas e bandeiras, com seus bugreiros e bandeirantes, forçaram a organização da defesa do território recém conquistado. As forças expedicionárias de caráter eminentemente militar iniciaram a utilização da população local, particularmente da região de São Paulo, pelos capitães-mores, em busca de riquezas ou da escravização dos indígenas. Houve diversos choques com tribos hostis, como os caiovás e cadivéus na região do Mato Grosso, os caetés na da Bahia e a Confederação dos Tamoios na do Rio de Janeiro. 300px|thumb|direita|Morro dos Guararapes, local onde foram travadas as Batalhas dos Guararapes, com Recife ao fundo. O Parque Histórico Nacional dos Guararapes é bem tombado pelo IPHAN. A guerra contra os holandeses e a Insurreição Pernambucana, no século XVII, pela primeira vez mobilizou grandes efetivos no país, e particularmente começou a haver um sentimento de defesa nacional, independentemente da influência da Coroa.

A primeira Batalha dos Guararapes (19 de abril de 1648) marcou o início da organização do exército como força genuinamente brasileira formada por brancos locais, liderados por André Vidal de Negreiros, indígenas, liderados por Filipe Camarão e negros/mulatos, liderados por Henrique Dias. A data da batalha é comemorada como o aniversário do Exército Brasileiro, tradição estabelecida no século XX.

Ainda no contexto da Guerra Luso-Holandesa, tropas brasileiras foram usadas pela primeira vez em uma missão no exterior, em 1648, quando uma expedição comandada por Salvador Correia de Sá, composta por 15 navios e 1 400 homens, partiu do Rio de Janeiro com ordens de realizar a reconquista de Angola, que se encontrava dominada por holandeses a 7 anos.História Geral das Guerras Angolanas», Tomo II, páginas 478 a 481, de José Matias Salgado

As forças militares (junto com os bandeirantes) também foram usadas para reprimir os quilombos, comunidades formadas por escravos fugidos das plantações. O maior desses conflitos foi a Guerra dos Palmares, na qual se sobressaíram os líderes estrategistas Ganga Zumba e Zumbi, de um lado, e Domingos Jorge Velho, do outro.

Ao longo do século XVIII o Brasil Colonial vivenciou diversos conflitos internos que demandaram intervenções militares, como a Guerra dos Emboabas (1707–1709), a Guerra dos Mascates (1710–1711), a Revolta de Vila Rica (1720) e nas fronteiras, principalmente no extremo sul. Naquela época, eram frequentes os choques entre luso-brasileiros e hispano-platinos, além disso, a força terrestre enfrentou ameaças como a Guerra Guaranítica.

Em 1680 o governador do Rio de Janeiro, seguindo as determinações da Coroa Portuguesa fundou, na margem esquerda do rio da prata, a Colônia do Sacramento, fronteiro a Buenos Aires, na margem oposta. Os colonos espanhóis de Buenos Aires nunca viram com bons olhos a presença portuguesa naquela região e esse foi o motivo de diversos conflitos que vieram a acontecer nos anos seguintes. Em 1705 colonos portugueses e espanhóis voltam a se enfrentar no Rio da Prata devido à participação portuguesa na Guerra de Sucessão Espanhola. A Colônia do Sacramento é tomada pelos espanhóis e devolvida em 1715, em decorrência do tratado de Utrecht. Em 1723 brasileiros vindos do Rio de Janeiro, seguindo ordens do rei D. João V, fundaram o povoado de Montevidéu, que foi tomado pelos espanhóis de Buenos Aires logo no ano seguinte. Em 1736, em decorrência de uma crise diplomática entre as coroas de Espanha e Portugal, D. João V envia uma poderosa esquadra para o sul do Brasil, para garantir a segurança da colônia do Sacramento na Campanha do Rio da Prata.

Visando evitar a ocupação espanhola do sul do Brasil e o consequente isolamento da Colônia do Sacramento, Portugal inicia uma colonização de povoamento dessa região e cria as capitanias de Rio Grande de São Pedro (1737) e Santa Catarina (1738). Em 1762 Portugal entra na guerra dos sete anos ao lado da Inglaterra contra a Espanha e a França, em consequência disso, o governador de Buenos Aires, Pedro de Cevallos invade a Colônia do Sacramento, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Guerra hispano-portuguesa de 1762-1763), além de uma tentativa fracassada de invasão do Mato Grosso vinda do Peru (Guerra Mojenha).MISSÃO JESUÍTICA COLONIAL NA AMAZÔNIA MERIDIONAL: SANTA ROSA DE MOJO UMA MISSÃO NUM ESPAÇO DE FRONTEIRA (1743-1769) Arquivado em 17 de janeiro de 2018, no Wayback Machine., acesso em 05 de julho de 2022.https://repositorio.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/3806/1/000404165-Texto%2bCompleto-0.pdf Ao final dessa guerra Sacramento e Santa Catarina são devolvidos a Portugal, mas o Rio Grande permanece ocupado pelos espanhóis.

Durante a Guerra dos Sete Anos o Marquês de Pombal tentou organizar de forma mais profissional o exército colonial, contratando para esse fim o conde Wilhelm Schaumburg-Lippe, militar alemão, que trouxe para auxiliá-lo vários oficiais estrangeiros, entre eles João Henrique Böhm. Em 1767 Böhn foi enviado ao Brasil para reorganizar as tropas brasileiras, conforme o Conde de Lippe já havia feito com o exército português. Integravam a comitiva de Böhn três regimentos de Infantaria vindos de Moura, Bragança e Extremoz e cerca de 70 oficiais já familiarizados com a doutrina militar do Conde Lippe, composta de 13 regulamentos. Sua missão era uniformizar e unificar o Exército Colonial do Brasil e subordiná-lo a um Comando Geral Superior. Até então o Exército Colonial do Brasil não possuía uma Doutrina Militar padrão. Cada tropa seguia as indicações, caprichos e conhecimentos de cada comandante, além das diferenças de cada Capitania. Dentre os planos de Böhn estava a recuperação do Rio Grande do Sul e a fortificação das bases militares terrestres e navais do Rio de Janeiro e da Ilha de Santa Catarina. Com a ajuda dos engenheiros militares Marechal Jaques Funk, Coronel José Custódio Faria e Capitão Francisco Róscio o Rio tornou-se uma das cidades mais bem protegida do mundo.

Na reorganização promovida por Böhm, construíram-se quartéis, casas de armas, fortificações e hospitais. A guarnição do Rio de Janeiro passou a ser centro de preparação para as tropas que demandavam o sul.

A missão de retomada do Rio Grande do Sul acabou resultando na Guerra Hispano-Portuguesa de 1776-1777 e teve como resultado a retomada do Rio Grande do Sul pelos portugueses e a conquista da Colônia do Sacramento pelos espanhóis.

No século XIX, já no contexto das Guerras Napoleônicas, Tropas coloniais luso-brasileiras ainda lutaram na Guerra de 1801 contra os colonos espanhóis, na Guerra de 1809 contra os franceses e novamente contra os colonos espanhóis da Banda Oriental (atual Uruguai) na invasão de 1811 e na invasão de 1816.Dicionário de batalhas brasileiras. Autor Hernâni Donato. P. 498

Período Joanino (1808–1822) miniaturadaimagem|317x317px|Embarque das tropas Luso-brasileiras, no Rio de Janeiro, destinadas a atacar Montevidéu durante a Guerra contra Artigas, em 7 de Junho de 1816. Com a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão houve a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808–1821). Em 1810, foi criada a Real Academia Militar, no Rio de Janeiro. O curso tinha a duração de sete anos. Foram organizados os hospitais militares e os arsenais de guerra. Foram construídas indústrias de armas e fábricas de pólvora. A estrutura militar se organizou e se modernizou. As tropas de primeira linha começaram a admitir brasileiros. Estes passaram a integrar os regimentos de cavalaria do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, os corpos de artilharia de Santos, Santa Catarina e capitanias do norte e os batalhões de caçadores do Rio Grande do Sul.

Em 1815, com a elevação da colônia à categoria de reino muitas tropas regulares de Portugal desembarcaram no Brasil. A primeira era a divisão do Visconde da Laguna, Carlos Frederico Lecor. Esta época foi de importância extrema para a organização do sistema militar brasileiro. Começou a haver maior autonomia em relação a Portugal culminando com a criação do Ministério da Guerra e a centralização de todas as forças militares de terra. Mercenários (como o Lorde Cochrane) foram contratados para combater a Revolução Pernambucana e acabaram compondo o primeiro oficialato fixo das forças armadas brasileiras.

Forças armadas brasileiras (depois de 1822) Guerras de Independência e criação das forças armadas brasileiras (1822–1828)

miniaturadaimagem|289x289px|Decreto imperial de criação de um batalhão militar de negros libertos em 1822. miniaturadaimagem|289x289px|Fragata Niterói da Armada Imperial Brasileira, sob comando de João Taylor e numa ação solitária que durou quase um ano, perseguiu navios portugueses até as proximidades de Lisboa, capturando 19 embarcações de Portugal (aquarela do vice-almirante Trajano Augusto de Carvalho). À época da Independência do Brasil, não foi alheia ao governo da nação recém-emancipada, a necessidade da operação de uma força bélica naval, capaz de sustentar os compromissos e atender as providências requeridas face à vasta extensão da costa e riqueza da rede hidrográfica do território, capaz de assegurar o comércio e as comunicações entre as suas diversas regiões.

Desse modo, a 10 de novembro de 1822, foi solenemente içado, a bordo da nau "Martim de Freitas" — rebatizada como "Pedro I" e capitânia da Armada Imperial Brasileira em formação -, pela primeira vez, o pavilhão nacional, sob salva de 101 tiros. A Esquadra teria, dali em diante, papel decisivo na Guerra de Independência do Brasil. Logo após a independência, em decreto mandado redigir por D. Pedro I, em 1º de dezembro de 1824, foram organizadas as forças militares brasileiras.

Também no norte, os mercenários contratados pelo Império foram usados para sufocar a Confederação do Equador. No sul, travou-se a Guerra da Cisplatina, entre o Brasil e a Argentina junto com rebeldes uruguaios (1825-1828). Mais tarde, estes mercenários amotinaram-se e chegaram a tentar sequestrar D. Pedro I.

Consolidação (1828–1865)

thumb|299x299px|Em 1838, o governo tentava suprimir quatro revoltas ao mesmo tempo.