thumb|direita|Brasão do Amazonas. A História do Amazonas é compreendida pelo resultado de tratados, missões religiosas e algumas escassas rebeliões indígenas no território amazônico. Inicialmente pertencente ao Reino Espanhol pelo Tratado de Tordesilhas e posteriormente anexado pela Coroa Portuguesa, em missões para as terras da região, após a Independência do Brasil em 1822, tais fronteiras internacionais do Estado eram indefinidas até a assinatura do Tratado de Bogotá. O Estado do Amazonas é um estado no noroeste da região norte do Brasil. Pesquisas arqueológicas apontam para ocupações passadas por grupos paleoindígenas de caçadores-coletores, onde foram datadas cerca de 11 200 anos antes da data atual. O período de maior desenvolvimento humano nas terras baixas da Amazônia é conhecido como pré-colombiano tardio, que coincide com a invasão européia nos séculos XVI e XVII e a desestruturação sociopolítica de sociedades complexas, chamadas de cacicados complexos, que ocupavam a calha do Rio Amazonas e terras adentro. O estado já fez parte de uma unidade administrativa portuguesa chamada Estado do Maranhão e Grão-Pará, com a capital do governo em São Luiz do Maranhão, posteriormente a capital foi transferida para a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará (Atual Belém) e tornou-se o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, após a fundação administrativa da Capitania do Rio Negro, com sede em Barcelos e subordinada nos mandos da capital da província — válido lembrar que o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, era uma unidade administrativa que respondia diretamente à metrópole lusitana e não ao Estado do Brasil. Entre meados dos séculos XVIII e XIX, Barra do Rio Negro (hoje Manaus) foi elevada à categoria de vila e tornou-se a capital administrativa da capitania do Rio Negro.

O Estado foi primeiramente nomeado de São José da Barra do Rio Negro, com o desmembramento da Provincia do Grão-Pará, em 5 de setembro de 1850, a nova província foi nomeada por Dom Pedro II de Amazonas, em alusão ao rio homônimo e a capitania do Alto-Amazonas, o nome foi dado ao rio pelos espanhóis nos expedicionários relatos históricos dos Frei Gaspar de Carvajal e Francisco de Orellana. Quando Francisco de Orellana desceu o atual rio Amazonas em busca de ouro e especiarias em 1541, rumo ao Oceano Atlântico,As irmãs selvagens de Pentesiléia o rio era chamado de Rio Grande, Mar Dulce ou até mesmo Río de la Canela, por causa das grandes árvores de canela existentes ali. Entretanto, o nome principal dado ao rio era Rio de las Amazonas, devido a suposta resistência vitoriosa de índias guerreiras contra os invasores, relatada pelos expedicionários espanhóis, tais informações eram tão relevantes que a coroa hispânica tomou conhecimento delas através de narrações, onde começou a chamar o rio de "Amazonas", em referência ao mito das Amazonas da mitologia grega e, concedeu ao expedicionário Orellana, o direito de explorar as novas terras, fato que não foi efetivado devido ao seu desaparecimento na foz do rio.

Fase Pré-história Tardia (1000 a.C. a 1000 d.C.) período de consolidação das sociedades organizadas em grandes cacicados hierarquizados com chefia e organização social do trabalho, em aldeias e tesos (aldeia acima do nível da água). Produção de cerâmica refinada cerimonial e funerária, como a policromática marajoara e tapajônica. Economia com agricultura em larga escala nas várzeas do rio Amazonas, do rio Orinoco, na costa do Caribe e na região de Marajó.

Pré-história Amazônica A ocupação da região pré-colonial é dividida em três fases: paleoindígena; arcaica, e; pré-história tardia. Acredita-se que a fase Paleoindígena tenha sido em cerca de 11.200 à 8.500 a.C., época geológica que coincide com o gradual desfecho das glaciações. Pequenos grupos nômades de caçadores-coletores que habitavam em cavernas; e a maior comprovação desta teoria dar-se-á pelos restos alimentares encontrados na caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre, no oeste do Pará. Também acredita-se que os grupos paleoindígenas da Amazônia, assim como os da América do Sul, eram diferentes dos paleoindígenas da América do Norte. Apesar da igual contemporaneidade, as populações paleoindígenas norte-americanas apresentavam características diferenciadas no padrão de subsistência.Fases da pré-história da Amazônia:Paleoindígena, Arcaica e Pré-história Tardia

Bem diferente da Paleoindígena, a fase Arcaica teria acontecido entre há 7.500 anos a 1000 anos, período de transição de nômade para sedentário em sociedade complexa, com a produção de alimentos na horticultura e ceramica. A fase da Pré-história Tardia desenvolveu-se, possivelmente entre 1000 anos a.C. e 1000 anos d.C., consolidação das sociedades organizadas em grandes cacicados hierarquizados e organização social do trabalho.

Fases Paleoindígena e Arcaica

Acredita-se que a população da cultura Paleoindígena era pouco numerosa, dispersa, nômade e organizavam suas sociedades em pequenos bandos. Os grupos paleoindígenas sul-americanos davam ênfase à caça de animais de pequeno porte e coleta de moluscos e plantas, sendo que a caça de grandes animais (onças, sucuris, preguiças e tatus gigantes e antas) era realizada com uma frequência rara. A fase Paleoindígena amazônica, surgida por volta de 9 200 a.C., apresentava semelhanças comuns às demais e baseava-se na coleta de frutas, na caça e pesca, tendo mais tarde desenvolvido uma cultura de exploração do pescado e coleta de moluscos. Na caverna da Pedra Pintada, hoje situada no município paraense de Monte Alegre, foram encontrados restos alimentares que derivam essa teoria. Também foram encontrados pontas de lança neste sítio arqueológico, sugerindo assim seu uso em caça de animais de grande porte, especialmente grande peixes. Entretanto, não são considerados como um indicativo de especialização na caça deste tipo, sendo apenas na caça e coleta generalizada.

Já a fase Arcaica foi mais diversificada que a Paleoindígena. Os habitantes do período Arcaico utilizavam novos recursos alimentares, explorando regiões como estepes, lagos e litoral. A caça não era mais especializada em megafauna e houve aumento da coleta animal e vegetal. A partir daí também verificou-se a domesticação de animais e plantas, levadas com a experimentação e o conhecimento. Na região dos atuais estados do Amazonas e Pará, em especial, começou-se a fabricar cerâmicas ao longo do rio Amazonas, por volta de 6 000 a.C. Essa medida cultural acentuou-se entre 2 000 anos e 1 000 anos a.C., com alta produção de cerâmica para decoração incisa, algumas apresentando pinturas geométricas nas cores vermelha e branca. Também nesse intervalo teve início a formação de horticultores de raízes, principalmente a mandioca.

Os principais materiais confeccionados da fase Arcaica eram instrumentos de pedras lascados e cerâmicas avermelhadas, com formatos de cuias abertas.

Fase Pré-histórica Tardia

O período da Pré-história Tardia dá-se entre 1 000 a.C. anos e 1 000 anos d.C. e se caracteriza pelo surgimento de sociedades indígenas com alto grau de desenvolvimento econômico, demográfico, político e social e grandíssimos domínios culturais. A Amazônia foi um ambiente propício para o desenvolvimento destas sociedades pré-históricas, tendo em vista que estas desenvolveram-se às margens de grandes rios e a região possui uma abundância destes. Os rios Amazonas e Orinoco serviram como principais locais de estabelecimento destas sociedade nas América do Sul e América Central, de acordo com dados arqueológicos e etno-históricos, além de outras regiões como a Cordilheira dos Andes e a região litorânea do Caribe.

Na Amazônia, em especial, desenvolveu-se os construtores de tesos. Essa cultura, no entanto, foi logo sucedida por sociedades hierarquizadas e complexas, surgidas principalmente na região da Ilha do Marajó, e em uma região geográfica entre Santarém, no Pará, e Urucurituba, já no Amazonas. Essas sociedades produziam cerâmicas refinadas, hoje conhecidas como "cerâmicas marajoara" ou "cerâmicas tapajônicas".

A Amazônia serviu como moradia e sustentação destas sociedades por cerca de 2 000 anos, tendo havido retrocesso com a chegada dos europeus. A população originária dos cacicados aos poucos foi sendo exterminada, com numerosas guerras e conflitos travados com os portugueses e espanhóis. Muitos habitantes destas sociedades internaram-se nas florestas, onde teriam formado sociedades tribais diferentes. Outros acabam morrendo, vítimas de doenças contagiosas até então desconhecidas, fazendo suas populações desaparecerem por completo das margens dos rios. Os habitantes nativos pacificados, eram escravizados.

As sociedades indígenas atuais da Amazônia não possuem, entretanto, traços que lembrem as sociedades complexas oriundas do período da Pré-história Tardia, com exceção apenas de alguns vestígios materiais.

Primeiras explorações thumb|224x224px|A conquista do Amazonas, 1907, Museu Histórico do Estado do Pará.

Originalmente, a área do atual Estado do Amazonas não integrava as terras portuguesas, conforme os termos do Tratado de Tordesilhas, ficando sob domínio espanhol. O primeiro europeu a percorrer todo o curso do rio Amazonas teria sido o espanhol Francisco de Orellana, entre 1539 e 1541, desde a cordilheira dos Andes até ao Oceano Atlântico. Iniciava-se, à época, a lenda de que a mítica cidade de El Dorado ficaria em algum ponto entre o Amazonas e as Guianas. Orellana afirmou ter encontrado e combatido uma tribo de mulheres guerreiras e por isso batizou aquele curso de "rio das Amazonas", em referência às personagens da mitologia grega. Um companheiro de Orellana, Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés, divulgou relatos da expedição, com descrição das riquezas e dos habitantes da região, que foram publicados em Veneza em 1556. Uma nova expedição em 1561 tentou repetir a façanha de Orellana, mas quase não conseguiu: o comandante, Pedro de Ursua, foi assassinado pelo seu sucessor, Lope de Aguirre, que enlouqueceu vítima de delírio tropical. Cruel em todos aspectos Aguirre também matou sua filha de quinze anos e vários índios.

A primazia da ocupação da foz do grande rio (atuais estados do Amapá e do Pará), em função da sua exploração econômica, coube a ingleses e holandeses, que instalaram feitorias nas margens dos maiores rios da região, para extrair madeira e especiarias, como o cravo, o urucum, o guaraná, resinas e outros (as chamadas drogas do sertão), desde 1596.

Assim, desde cedo a economia da região amazônica se baseou no extrativismo e não na agromanufatura açucareira, como em outras regiões coloniais.

A Dinastia Filipina Com a Dinastia Filipina, em 1580, a linha de Tordesilhas perdeu, na prática, o seu efeito. Ao mesmo tempo, os inimigos da Espanha passaram a sentir-se livres para incursionar sobre os domínios ultramarinos portugueses.

Em 1612, o rei Jaime I da Inglaterra comissionou Robert Harcourt para explorar a região. No mesmo ano, os franceses fundaram a França Equinocial na ilha de São Luís, na costa do Maranhão, conquistada em fins de 1615 por tropas luso-espanholas. Após essa conquista, Francisco Caldeira de Castelo Branco foi designado para avançar rumo à foz do grande rio, fundando em dezembro desse mesmo ano o Forte do Presépio, núcleo da atual cidade de Belém do Pará. O território foi incorporado ao Estado do Maranhão criado em 1621 por Filipe III de Espanha. Recorde-se que Marañón era o nome dado pelos espanhóis ao rio Amazonas, e continua a sê-lo até hoje, no Peru.

Entre 1637 e 1639, uma expedição comandada por Pedro Teixeira subiu e desceu o curso do rio Amazonas, chegando até Quito, no Equador, fundando a atual cidade de Franciscana, já em território peruano.