miniaturadaimagem|360px|A conquista do Amazonas, 1907, Museu do Estado do Pará. O Pará é uma das unidades federativas do Brasil localizada na região norte. Sua história remonta entre 12 mil a.C. e 3000 a.C. com a chegada dos povos Amanaiés, Anambés, Assurinis e Caiabis próximos a Ilha de Marajó e a região de Santarém. Durante a Colonização portuguesa do Brasil, a conquista do Pará só foi iniciada em 1616 com a construção do Forte do Castelo de Belém, pois até aquele momento, não existia controle de fato sobre o território do atual Pará. Sendo criado apenas posteriormente a 1616 o Estado do Grão-Pará e Maranhão, abrangendo um território do Maranhão até o Rio Negro, no Amazonas, no inicio, a região possuía a colonização bastante inativa comparada as demais regiões, mas foi propulsionada após a invasão francesa e o estabelecimento da França Equinocial. Era administrado diretamente pela Reino de Portugal, e não pela capital do Estado do Brasil, na época em Salvador. Apesar do Grão-Pará, ser a maior região, a capital do estado era São Luís no Maranhão, no Leste da colônia, o que fazia o Pará ser parte da jurisdição maranhense, até 1737, quando a capital da região virou Belém, que era uma cidade geograficamente estratégica pela sua relação com os diferentes rios da região, além de aproximar o interior do estado. O Estado do Grão-Pará e Maranhão foi dissolvido em Agosto de 1772 pelo Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, com a administração sendo dividida entre o Estado do Grão-Pará e Rio Negro e o Estado do Maranhão e Piauí.

Devido a importância geográfica, a autoridade e presença de Belém sobre a Amazônia, e os rios no interior do atual Amazonas, só seria estabelecida de fato ao longo do Século XIX, pouco depois da anexação do Grão-Pará após a Guerra da Independência do Brasil, sendo a ultima região a integrar o território brasileiro. Ao longo do século XIX, o Pará passou por algumas revoltas como a Cabanagem de 1835, a Revolta do Ronco da Abelha em 1856, o Motim dos Sargentos de Belém de 1867, a Revolta de Juquiri em 1874 e por fim a Revolta do Cerco de Belém em 1892, durante Primeira República Brasileira. A economia regional se desenvolveu por ciclos econômicos. De todo modo, essa situação passou a mudar com o Ciclo da borracha na segunda metade do século XIX, em especial, a década de 1870, junto deste ciclo também aconteceu a migração nordestina, sendo mais intensa no interior.

Em 1889, com a proclamação da república, um dos desafios do governo republicano era tentar integrar o interior do estado a autoridade central, sendo a região novamente dividida, criando-se o estado contemporâneo do Pará e do Amazonas, na tentativa de facilitar a integração da Amazônia brasileira. Principalmente devido ao coronelismo, a família Chermont se tornou uma das principais protagonistas da política paraense durante os primeiros anos da república no estado. Com o auge do ciclo da borracha, a cidade de Belém iniciou um processo de avanços que ficou conhecido como belle époque paraense. A partir de 1912, o ciclo da borracha começou a diminuir, causando uma crise no estado, gerando tensões e eclodindo conflitos entre as familias que faziam parte da política do estado e a população em geral. Durante a Revolução de 1930, as principais oligarquias foram enfraquecidas, e um governador seria apontado pelo governo federal, até o Estado Novo, quando o federalismo seria formalmente abolido, fazendo o Pará, como uma administração e instituição, ser dissolvido até 1945 com a renuncia de Vargas e o fim do regime. Durante o Estado Novo, entre 1942 e 1945, o ciclo da borracha havia sido revivido temporariamente, devido a Segunda Guerra Mundial e a necessidade de abastecer os Aliados, com enfase para os Estados Unidos que se encontrava geograficamente mais próximo do Brasil.

Desde 1946 o Pará se manteve em processo de desenvolvimento, procurando suprir a necessidade de infraestrutura para toda sua extensão territorial, como a Rodovia Transamazônica durante a ditadura militar brasileira e o breve crescimento industrial e econômico do inicio dos anos 2000 nas principais cidades, e o aumento de garimpos ilegais e desmatamento.

América pré-colombiana Os arqueólogos dividem os antigos habitantes da pré-história brasileira em três grupos, de acordo com o modo de vida e ferramentas. Assim, temos os povos: caçadores-coletores, do litoral e os agricultores. Estes grupos foram, posteriormente, denominados pelos colonizadores europeus como "índios", atualmente chamados "povos indígenas".

Desde cerca de 12 mil a.C. a região da bacia amazônica já era habitada pelos caçadores-colectores. Na região do atual estado do Pará, os registros arqueológicos comprovam a presença humana real no arquipélago do Marajó (inicialmente região Marinatambal) e na região de Santarém (inicalmente aldeia de Tapajós) em 3 mil a.C..Guías visuales El País - Aguilar: Brasil. Madri. Santillanes Ediciones Generales. 2009. p. 47. E nesta região da Amazônia Paraense por volta do ano 1000 a.C. a 1000 d.C. floresceram as sociedades complexas/civilização (caracterizada basicamente por construção de comunidades fixas), desde o Tapajós até a foz do rio Amazonas. Estas sociedades se destacavam pelo alto nível de hierarquia social, produção de cerâmica, os corantes, compostos medicinais naturais, praticavam a coivara (queimadas para limpar a terra) e a agricultura (particularmente a plantação de mandioca).

No Marajó, os agricultores habitavam em cabanas ou casas subterrâneas. A mais conhecida cultura deste grupo é a cerâmica marajoara, que possui decoração e tamanho peculiares. O período de 500 a 1300 foi o auge da cultura marajoara.Guías visuales El País - Aguilar: Brasil. Madri. Santillanes Ediciones Generales. 2009. p. 47. A sociedade marajoara (termo global) subdividia-se em fases distintas de acordo com níveis de ocupação e desenvolvimento social: Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Acauã, Alta Marajoara e, Aruã. Nas duas últimas, desenvolveu-se o que chama-se de civilização chamada de Cacicados Amazônidas. No período de 400 a 1400 d.C., principalmente na ilha do Marajó, essas sociedades indígenas levantavam suas casas sobre morros artificiais, estrutura elevada que protegia das inundações, chamados de teso. Ocupação portuguesa

Em 1500, o navegador e explorador espanhol Vicente Yañez Pinzón foi o primeiro europeu a passar pela foz do rio Amazonas no oceano Atlântico.BUENO, Eduardo. A viagem do descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral. Rio de Janeiro. Objetiva. 1998. p. 132 - resumo. DOI: 10.4000/cal.6507. ISSN: 1141-7161. Seguido em 26 de agosto de 1542, pelo também espanhol Francisco de Orellana, que chegou também à foz do Amazonas por via fluvial partindo da cidade equatoriana Quito.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 158-159. Em 28 de outubro de 1637, o português Pedro Teixeira partiu de Belém, foi até Quito e voltou, durante a expedição, ele fincou um marco de pedra na confluência dos rios Aguarico e Napo, na atual fronteira entre Equador e Peru, assegurando, para Portugal e, posteriormente, para o Brasil, a posse da maior parte da Amazônia, incluindo a totalidade do atual território paraense.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 161. miniaturadaimagem|348x348px|Vista da Vila de Cametá. Pará 1782. Ilustração da expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira. A Capitania do Grão-Pará, ou apenas Pará, tem sua origem no contexto da conquista do rio das Amazonas e da Amazônia Oriental em 1580, período de conflito com forças estrangeiras que disputavam as drogas do sertão. Primeiramente a região foi denominada com a terminologia Conquista do Pará, também conhecida como Império das Amazonas, contendo como entreposto o povoado colonial Feliz Lusitânia.Pereira, Carlos Simões (28 de outubro de 2020). Das origens da Belém seiscentista e sua herança Tupinambáhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/historia/heranca-tupinamba Consultado em 05 de Junho de 2022. O documento mais antigo que faz menção ao termo capitania, para denominar a região da conquista, é posterior ao ano de 1620. Por seguinte a legitimação do território como Capitania só ocorre em paralelo a criação do Estado do Maranhão, no ano de 1621.Atlas Digital da América Lusa. http://lhs.unb.br/atlas/Capitania_do_Gr%C3%A3o-Par%C3%A1 Consultado em 05 de Junho de 2022. Em 1639, o povoado Feliz Lusitânia foi elevado à categoria de município com nome de Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará. Posteriormente, em 1751, a cidade de Belém se tornou a capital do Estado do Grão Pará e Maranhão. Em 1774, com o fim do Estado do Grão Pará e Maranhão, a Capitania do Grão-Pará passa a integrar o Estado do Brasil, subordinada ao vice-rei do Brasil, com sede no Rio de Janeiro. miniaturadaimagem|300x300px|Uniformes militares dos Terços Auxiliares da Capitania do Grão Pará. 1782. Nesta época o cacau nascia abundantemente na mata de modo natural, que a partir de 1678, uma ordem régia informou que o cacau manso deveria ser plantado na região. O arroz silvestre também nascia abundantemente, era usado no consumo interno (não adequado para exportação), também foram iniciadas plantações de arroz branco. O Pará também foi pioneiro na plantação de café no Brasil, desde a década de 1720, usando sementes e mudas da cidade de Caiena, assim na década de 1730, ocorreu a primeira exportação desde produto para Lisboa, no navio Santa Maria, uma pequena amostra da qualidade. Na década de 1750, a frota paraense levou a Lisboa um carregamento de 4835 arrobas de café, pois havia sido cultivados mais de dezessete mil pés (porém a atividade foi encerrada na década de 1860).

Alguns gêneros serviam como moeda de troca na exploração do trabalho e no comercio de mercadorias entre as cidades e as áreas rurais e aldeias; no século XVIII, o açúcar era a moeda de troca popular, junto com o cravo, cacau e o algodão. Considerando o comércio com Portugal, na contabilidade anual a metrópole sempre devia à colônia, pois a importava mais gêneros do que exportava ao porto de Belém. Assim durante muitos anos, a Capitania do Pará movimentou fortemente a economia de Portugal. miniaturadaimagem|320x320px|O Palácio dos Governadores (atual Palácio Lauro Sobre) foi construído entre 1680 e 1771, usado inicialmente como sede do governo. Atualmente é ocupado pelo Museu do Estado do Pará. Na década de 1780, ocorre a criação de pequenas indústrias tecidos de algodão, cerâmicas e velas, manufatura de cordoalhas, manteiga de tartaruga e outras agriculturas como tabaco, milho, mandioca, cacau, arroz, algodão, cana-de-açúcar e a pecuária no vale do rio Branco.Amazônia de A a Z - Drogas do Sertão. http://www.portalamazonia.com.br/secao/amazoniadeaz/interna.php?id=822 Consultado em 05 de Junho de 2022. Em 1804, em Belém havia vários hortos com caneleiras plantadas na "Estrada das Caneleiras" (atual Avenida 16 de Novembro), com aproximadamente mil pés que forneciam de 200 arrobas ao ano.

Com a elevação do Estado do Brasil à Reino, em 1821 as capitanias passaram a ser denominadas de províncias. Em 1822, é proclamada a independência do Brasil do Reino Unido. O Estado do Grão-Pará e Rio Negro viveu um período de incerteza sobre se permaneceria unida a Portugal, juntar-se-ia ao Brasil ou se tornaria um país independente. Os paraenses criam, então, a 1ª Junta de Governo Independente. No período, houve repressão a movimentos rebeldes por parte das tropas fiéis a Portugal, e que também envolveram as províncias do Maranhão e Bahia. Somente em 15 de agosto de 1823, o Pará é finalmente integrado ao Brasil Independente.

Língua geral setentrional e nheengatu