Abedalá Camil Paxá (; m. Meca, ) foi um xarife dos aúnidas (Du Aune) e emir de Meca de 1858 até sua morte. Filho e sucessor de Maomé ibne Abede Almuine, seu governo de aproximadamente dezenove anos coincidiu com o fortalecimento da presença administrativa do Império Otomano no Hejaz. Abedalá manteve estreitas relações com a Sublime Porta, recebeu a dignidade de vizir e a de primeira classe e integrou o . Como emir, esteve envolvido na administração do haje, na segurança das rotas de peregrinação e nas relações entre o governo otomano e as tribos da região. Em 1871, participou diretamente da campanha otomana contra a revolta de Assir, acompanhando as forças de e contribuindo para a mobilização de recursos no Hejaz. Permaneceu no emirado até morrer em 1877 e foi sucedido por seu irmão Huceine ibne Maomé, mantendo-se o governo de Meca nas mãos dos Du Aune.

Vida

Abedalá era filho do emir Maomé ibne Abede Almuine e pertencia aos aúnidas (Du Aune), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era o filho mais velho de Maomé e irmão, entre outros, de Huceine ibne Maomé, Aune Arrafique e Abede Alilá. Durante o período em que sua família esteve ligada à corte otomana, estabeleceu relações estreitas com a administração imperial e recebeu o título de paxá. Após a morte de seu pai, em 13 de Xabã de 1274 A.H. (29 de março de 1858), foi nomeado pelo sultão para sucedê-lo no Emirado de Meca. Chegou ao Hejaz naquele ano e assumiu o governo, que conservaria por dezenove anos. O governo de Abedalá coincidiu com o fortalecimento da presença administrativa otomana no Hejaz. A autoridade regional permanecia repartida entre o emir de Meca e os representantes do governo imperial, e uma das principais funções atribuídas ao primeiro era garantir a segurança do haje, proteger as rotas de peregrinação e exercer influência sobre as tribos da região. Abedalá manteve relações particularmente estreitas com o governo central. Em documento de 1275 A.H. (1859), aparece com a dignidade de vizir e como portador da de primeira classe; a partir de 1276 A.H. (1860), a documentação otomana também o identifica como membro do . Essa proximidade com a Sublime Porta distinguiu seu governo e contribuiu para restabelecer o prestígio dos Du Aune junto ao governo otomano.

A posição do emir também o envolvia na administração da peregrinação e na proteção dos muçulmanos estrangeiros que visitavam os Lugares Santos. Ordens enviadas durante seu governo reiteravam sua responsabilidade de garantir a segurança dos peregrinos e das rotas do haje e, em particular, de proteger os peregrinos iranianos, impedir cobranças indevidas e assegurar que fossem tratados de acordo com os acordos existentes entre os governos otomano e iraniano. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da administração imperial no Hejaz reduzia progressivamente a distância entre Meca e o governo central, processo favorecido pela melhoria das comunicações e, depois de 1869, pela abertura do Canal de Suez, que facilitou o envio de forças e recursos otomanos ao mar Vermelho e à Arábia.

Abedalá desempenhou papel direto na campanha otomana contra a revolta de Assir. Em 1870, , emir de Assir, rebelou-se novamente contra o governo otomano e ameaçou as posições imperiais no sul da Arábia. Abedalá manteve o governo informado sobre seus movimentos, enquanto a Sublime Porta organizou uma grande expedição sob o comando de , posteriormente acompanhada por . Quando Radife chegou a Gidá, reuniu-se com Abedalá e ambos decidiram utilizar Alcunfuda como base da campanha. O emir acompanhou as forças até a região e, em março de 1871, partiu com Radife e a primeira coluna do exército em direção às posições dos rebeldes. Tribos das proximidades de Meca forneceram cerca de mil camelos à expedição, enquanto outros animais, materiais de construção e suprimentos foram enviados de Meca para o acampamento militar. A campanha prolongou-se pelos anos seguintes e terminou com a derrota dos rebeldes, a morte de Maomé ibne Aide em 1872 e o restabelecimento da autoridade otomana sobre Assir. A participação de Abedalá no conflito foi lembrada por autores do Hejaz; o estudioso e historiador , seu contemporâneo, compôs inclusive um poema em louvor ao emir e a Radife Paxá pela campanha contra Maomé ibne Aide.

Nos últimos anos de seu governo, Abedalá continuou a atuar como intermediário entre a administração otomana e os interesses xarifianos do Hejaz. Procurou também fortalecer a posição de seus irmãos junto ao governo imperial. Em 1288 A.H. (1871–1872), solicitou que Huceine fosse empregado em Constantinopla, argumentando que assim poderia adquirir experiência nos assuntos do Estado e fornecer informações sobre a situação do Hejaz; Huceine foi nomeado membro do Conselho de Estado em abril de 1872. Depois da morte de seu irmão mais velho Ali, em 1874, Abedalá solicitou novamente que Huceine ocupasse a posição anteriormente exercida por ele, pedido atendido no início de 1875. Abedalá morreu em Meca em 26 de junho de 1877, ainda no exercício do emirado. Seu governo havia durado aproximadamente dezenove anos. A boa relação que mantivera com o governo central contribuiu para que os Du Aune recuperassem o prestígio que haviam perdido durante o período de Maomé Ali Paxá, e seu irmão Huceine foi escolhido pela Sublime Porta como sucessor sem que houvesse uma disputa prolongada pela sucessão. Em 9 de julho, Huceine foi formalmente nomeado emir de Meca.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século XIX Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Aúnidas