A classe Orka é uma futura classe de submarinos planejada para a Marinha Real Neerlandesa (RNLN). Os submarinos substituirão os navios envelhecidos da classe Walrus. Serão os primeiros submarinos da RNLN construídos em um estaleiro estrangeiro. Em 2024, previa-se que as embarcações entrariam em serviço a partir de 2035. Em março de 2024, foi anunciado que a empresa francesa Naval Group havia vencido a concorrência internacional para o fornecimento da classe.

História Início do processo de substituição Em 2013, a Marinha Real Neerlandesa iniciou a fase preparatória para a substituição dos submarinos da classe Walrus. Naquele mesmo ano, o ministro da Defesa dos Países Baixos assinou cartas de intenções com a Noruega e a Alemanha para o desenvolvimento conjunto de novos submarinos, ao mesmo tempo em que foram realizadas reuniões com autoridades norueguesas sobre uma cooperação futura de submarinos. Planos oficiais foram divulgados pela ministra da Defesa dos Países Baixos, Jeanine Hennis-Plasschaert, em novembro de 2014, prevendo a substituição da classe Walrus por quatro novos submarinos em 2025. Mais tarde naquele ano, foi anunciado que os Países Baixos manteriam a cooperação com a Noruega no processo de compras, mas que as negociações com a Alemanha não prosseguiriam devido a diferenças nos cronogramas de urgência operacional. Em 2015, a ministra da Defesa encaminhou à Tweede Kamer um documento de visão de longo prazo sobre o Serviço de Submarinos da força naval, sublinhando a necessidade de aquisição de novas embarcações e da busca por parcerias internacionais. Paralelamente, o estaleiro neerlandês Damen anunciou em janeiro que atuaria em parceria com o consórcio sueco Saab para projetar e construir novos submarinos. Outras companhias internacionais, como a francesa Naval Group e a alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS), também formalizaram interesse no programa de substituição. A "Carta A", documento oficial que inaugura formalmente o programa de compras perante o parlamento, era aguardada para 2015 e, posteriormente, adiada para abril de 2016. Embora a carta não tenha sido enviada nesse intervalo, sucederam-se discussões técnicas sobre a quantidade, requisitos e cooperação industrial. Em junho de 2016, a Carta A foi finalmente remetida, estipulando quatro requisitos fundamentais que os futuros submarinos deveriam cumprir. Paralelamente, estabeleceu-se que na etapa seguinte seriam analisadas quatro alternativas estruturais: submarinos oceânicos expedicionários, submarinos costeiros, veículos submarinos não tripulados (drones) ou outros sistemas de armas (sem aquisição de novos submarinos).

Atrasos contínuos Até 2017, permanecia sem consenso político a quantidade, o tipo de embarcação a ser encomendada e o escopo exato das missões a cumprir. Contudo, a renovação da frota era dada como certa, motivada pela percepção da ameaça naval russa como incentivo aos investimentos. A ministra da Defesa, contudo, adiou a previsão de substituição em dois anos, para 2027. O parlamento neerlandês dividiu-se basicamente em duas alas: uma defendendo a aquisição de submarinos diesel-elétricos expedicionários de grande porte com capacidade análoga à dos Walrus, e outra partidária de modelos menores e mais econômicos, semelhantes aos projetos costeiros alemães e suecos. Restava em aberto o local de fabricação, uma vez que o histórico estaleiro neerlandês RDM (único do país com experiência na construção de submarinos) havia encerrado suas atividades operacionais. A publicação da Defensienota (diretriz de defesa) em março de 2018 reafirmou a decisão de substituir a classe Walrus, alocando uma dotação orçamentária superior a 2,5 bilhões de euros para o programa. Informações detalhadas sobre o prosseguimento da aquisição eram esperadas para o final de 2018 com a apresentação da "Carta B" pela ministra da Defesa Ank Bijleveld. A ministra destacou em entrevista que as futuras embarcações deveriam conservar o nicho operacional singular da classe Walrus: capacidade para coletar inteligência tanto em águas litorâneas rasas quanto em profundidades oceânicas em mar aberto. Em dezembro de 2019, a Carta B foi formalmente submetida ao parlamento, estipulando a compra de quatro submarinos multifuncionais convencionais de longo alcance. Em meados de 2021, o cronograma revisado previa uma decisão sobre o modelo em 2022, com a primeira unidade comissionada em 2028 e as duas primeiras entregues até 2031. Contudo, em outubro de 2021, o Ministério da Defesa reconheceu que essas metas não eram mais exequíveis e que os prazos sofreriam alterações substanciais. Em abril de 2022, foi anunciado que as duas primeiras embarcações só entrariam em serviço ativo entre 2034 e 2037. Como consequência, os dois submarinos mais antigos da classe Walrus foram desativados para fornecer peças sobressalentes e estender a vida útil das duas unidades mais novas. O objetivo dessa medida era assegurar a prontidão operacional de ao menos dois barcos e evitar uma lacuna nas capacidades submarinas da esquadra.

Em 16 de novembro de 2022, o processo avançou com o envio pelo Comando de Material de Defesa (DMO) do pedido formal de cotação (RfQ) aos três estaleiros finalistas. As propostas vinculantes deveriam ser entregues até 28 de julho de 2023, com a decisão final da Marinha prevista para o final de 2023 ou início de 2024.

Concorrentes O Ministério da Defesa selecionou previamente três grupos industriais:

O consórcio formado pela Damen Group e pela Saab Group formalizou parceria a partir de 2015 para conceber e construir uma embarcação capaz de suceder à classe Walrus. Em 1 de junho de 2018, anunciaram que o projeto derivaria do submarino sueco A26. O submarino proposto media cerca de de comprimento por de boca, com deslocamento de aproximadamente e guarnição de 34 a 42 militares. O armamento previa seis tubos de torpedo e uma escotilha multimissão estanque para inserção de forças especiais. Em 28 de julho de 2023, submeteram formalmente a proposta com o modelo designado C718, incluindo transferência ampla de tecnologia para que a Marinha Real Neerlandesa executasse manutenções e modernizações de forma autônoma ao longo de todo o ciclo de vida. O estaleiro francês Naval Group ofertou a família de submarinos Barracuda. A proposta baseou-se na variante convencional diesel-elétrica "Shortfin", batizada de Blacksword, em detrimento da versão de propulsão nuclear adotada pela Marinha Nacional Francesa. A alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) participou da disputa com o projeto do submarino Type 212CD.

O projeto espanhol S-80 Plus da Navantia foi desclassificado após a Carta B em 2019. Em 2022, o Ministério da Defesa da Espanha remeteu uma solicitação à DMO neerlandesa pedindo a reinclusão da Navantia no processo de cotação com base em alterações de requisitos, pedido que acabou rejeitado.

Proposta vencedora Em 15 de março de 2024, o secretário de Estado de Defesa Christophe van der Maat anunciou oficialmente o Naval Group como vencedor da licitação internacional. Os dois primeiros submarinos serão entregues dentro de dez anos a contar da assinatura do contrato principal. A divulgação do vencedor vazou previamente na imprensa, gerando reações no meio político pela escolha de um estaleiro estrangeiro em detrimento do consórcio nacional da Damen. Em abril de 2024, foram anunciadas as dez empresas e os dois centros de pesquisa neerlandeses integrados à cadeia produtiva dos submarinos da classe Orka.

Em 10 de setembro de 2024, os Países Baixos e o Naval Group firmaram o Acordo de Cooperação Industrial (ICA). Esse termo vinculante assegura a participação direta dos setores naval e de defesa locais na construção dos barcos, resultando em encomendas para a indústria neerlandesa avaliadas em aproximadamente um bilhão de euros. Em 30 de setembro de 2024, o Contrato de Fornecimento do programa de Substituição da Capacidade de Submarinos dos Países Baixos (RNSC) foi formalmente assinado entre o Ministério da Defesa e o Naval Group, assinalando o início oficial da execução do projeto.

Contratos industriais Em 16 de junho de 2025, o Naval Group e a empresa neerlandesa Royal IHC celebraram contrato para o fornecimento de módulos estruturais para os submarinos da classe Orka. A Royal IHC assumiu a responsabilidade pela engenharia e entrega de módulos de alta precisão e seções estruturais de aço para as quatro embarcações. O início da fabricação desses componentes foi previsto para o segundo semestre de 2026. Em 25 de setembro de 2025, a Naval Group e a RH Marine assinaram contrato no qual esta última ficou encarregada dos sistemas de distribuição de energia, automação de plataforma e soluções de integração elétrica. Durante a Feira de Defesa e Segurança NIDV (NEDS), em novembro de 2025, as empresas Nevesbu e Van Halteren Technologies (VHT) foram formalmente contratadas. A VHT fornecerá sistemas de refrigeração e congelamento, unidades de potência hidráulica, cabrestantes e guinchos de ancoragem, enquanto a Nevesbu assumiu o projeto de engenharia de subsistemas complexos.

Em 16 de junho de 2026, o Ministério da Defesa dos Países Baixos e a Naval Group firmaram o contrato definitivo de fornecimento de torpedos pesados F21 Mk2 para equipar a futura frota. Esse acordo tornará a RNLN a primeira força de submarinos convencionais (SSK) no âmbito da OTAN a operar o torpedo F21.

Projeto Armamento Os submarinos da classe Orka estão projetados para receber a variante de lançamento submarino do míssil Joint Strike Missile (JSM), o JSM-SL. Inicialmente, o planejamento previa a incorporação dos torpedos norte-americanos Mark 48 MOD 7AT. Todavia, em março de 2026, foi formalizada a decisão de equipar os submarinos desde o início com o modelo francês F21 Mk2.

Sensores e sistemas de processamento Os submarinos contarão com uma suíte de sonares fornecida pela Thales, compreendendo sonares de proa, de flanco e de detecção de obstáculos e minas, sistema de telefonia subaquática, arranjo cilíndrico de interceptação acústica, sonar passivo rebocado e bastidores de processamento digital. Os elementos receptores derivam diretamente dos sensores instalados nos submarinos nucleares franceses da classe Suffren. Por sua vez, a antena linear rebocada passiva incorporará a tecnologia óptica OptiArray, desenvolvida pela companhia neerlandesa Optics11.

Embarcações + Lista de embarcações N.º Nome Construtor Situação Contrato Corte de aço Batimento de quilha Lançamento Comiss. Notas – 4 encomendados A definir Naval Group, Cherburgo, França Encomendado 30 de setembro de 2024 – – – 2033 A definir Encomendado – – – 2035 A definir Encomendado – – – 2036 A definir Encomendado – – – 2037

Os nomes atribuídos aos novos submarinos foram divulgados oficialmente pelo secretário de Estado de Defesa Van der Maat. A série será designada como classe Orka, com os navios batizados como Orka (Orca), Zwaardvis (Peixe-espada), Barracuda (Barracuda) e Tijgerhaai (Tubarão-tigre).

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