As enchentes de São Miguel são uma conhecida expressão da cultura popular do Rio Grande do Sul para se referir às fortes cheias de rios, principalmente nos vales do Caí e do Taquari, que ocorrem historicamente por volta de 29 de setembro (entre meados de setembro e meados de outubro), data em que se celebra o dia do arcanjo São Miguel.

Embora o termo carregue uma forte mística religiosa, o fenômeno é explicado pela ciência: setembro marca a transição do inverno para a primavera, um período meteorológico em que o aumento do calor e da umidade favorece a formação de tempestades e volumes severos de chuva no Sul do Brasil.

Duas enchentes de São Miguel estão entre os três piores desastres naturais do estado, a de 1959 e a de 2023.

Etimologia O termo é de cunho religioso e o portal do jornal Diário Gaúcho explica: "essa chuvarada comprometia a realização das festas religiosas no passado. Com a repetição desses eventos, criou-se uma associação entre as cheias e o dia de São Miguel, em setembro".

História No passado, as intensas chuvas do início da primavera costumavam alagar estradas e comprometer a realização da tradicional festa rural em honra ao santo, o chamado kerb de São Miguel, realizada em cidades fundadas por migrantes alemãs que chegaram ao Brasil em meados dos anos 1800. A repetição anual desses episódios consolidou o ditado no imaginário dos gaúchos, sobretudo nas regiões do Vale do Caí e do Vale do Taquari, duas regiões, justamente, com forte presença de descendentes de migrantes alemães.

Meteorologia Setembro costuma ser o mês mais chuvoso no Rio Grande do Sul devido à mudança das estações: as massas de ar frias do inverno se chocam com massas de ar mais quentes e úmidas, causando chuvas que costumam ser fortes.

El Niño e mudanças climáticas Em anos de El Ninõ as enchentes podem ser ainda mais intensas. Além disso, as mudanças climáticas nos anos 2000 já aumentaram em 15% as chances de enchentes de fortes a intensas no estado.

Enchentes de São Miguel notáveis 1926: em setembro de 1926 Porto Alegre enfrentou uma enorme "enchente de São Miguel" que deixou grande parte do Centro e do bairro Menino Deus submersos

1959: em setembro de 1959, uma intensa enchente no Rio Pardo inundou, diversas cidades, mas principalmente Candelária e Sobradinho, na região do Vale do Rio Pardo; 94 mortes foram registradas; é o segundo pior desastre natural do Rio Grande do Sul (era o primeiro até as enchentes generalizadas de 2024)

2000: em 12 de outubro de 2000, uma enchente de São Miguel tardia atingiu diversas cidades do Vale do Rio Caí

2023: no início de setembro de 2023, uma grande enchente atingiu principalmente o Vale do Rio Taquari, matando ao menos 54 pessoas; é o terceiro pior desastre natural do estado

Referências

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