Paulo Roberto Teixeira (Álvares Machado, 2 de novembro de 1948 – São Paulo, 19 de setembro de 2026) foi um médico sanitarista brasileiro, especializado em dermatologia e saúde pública.
Ficou conhecido por sua atuação na formulação das políticas públicas brasileiras de enfrentamento ao HIV e à AIDS. Foi responsável pela organização, em 1983, da primeira resposta governamental estruturada à epidemia de AIDS no Brasil e posteriormente coordenou o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo e o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Também atuou na Organização Mundial da Saúde (OMS) e participou da criação do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária.
Biografia Paulo Roberto Teixeira nasceu em Álvares Machado, no interior do estado de São Paulo, em 1949. Ingressou em 1968 no curso de medicina da Faculdade de Medicina de Botucatu, então vinculada à Universidade Estadual Paulista (UNESP). Durante o período universitário, participou do movimento estudantil e de atividades políticas de oposição à ditadura militar brasileira. Participou de greves, manifestações de rua e ocupações durante os anos de 1968 a 1973. Em 1968, no final do primeiro ano do curso, foi preso e permaneceu durante trinta dias no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
Teixeira participou da Ação Popular até 1974. Durante o período de repressão à organização, foi novamente preso e permaneceu durante oito dias no DOI-CODI. Posteriormente, voltou a participar de atividades relacionadas ao movimento pela anistia e, na década de 1970, aproximou-se do movimento sindical do ABC Paulista. Também participou do grupo que esteve na origem do Partido dos Trabalhadores.
Em 1974, mudou-se para São Paulo para realizar residência em dermatologia na Escola Paulista de Medicina, atualmente pertencente à Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Interessado em dermatologia sanitária e nas doenças ocupacionais da pele, participou de um programa desenvolvido em conjunto com a Fundacentro, órgão vinculado ao Ministério do Trabalho. Também realizou curso de especialização em medicina do trabalho na instituição.
Carreira Paulo Roberto Teixeira iniciou sua trajetória profissional na área da saúde pública no final da década de 1970. Em 1978, ingressou, por concurso, na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, sendo designado para a Divisão de Hansenologia e Dermatologia Sanitária do Instituto de Saúde. No mesmo período, passou a se dedicar à saúde pública e às políticas de prevenção e assistência em saúde.
Em 1983, diante da identificação dos primeiros casos de AIDS no estado de São Paulo, Teixeira foi convidado a coordenar a primeira estrutura governamental brasileira criada especificamente para enfrentar a epidemia. À frente do programa estadual, participou da organização de ações de vigilância epidemiológica, prevenção, assistência e informação sobre a doença. Exerceu a coordenação do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo em diferentes períodos: de 1983 a 1987, de 1990 a 1991 e de 1995 a 1996.
Em 1994, atuou como consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Entre 1996 e 1999, foi consultor técnico do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) para a América Central e o Cone Sul, participando de atividades relacionadas às políticas de enfrentamento do HIV/AIDS na região.
Em 2000, assumiu a coordenação do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, função que exerceu até 2003. Durante esse período, esteve envolvido na política brasileira de ampliação do acesso aos medicamentos antirretrovirais e na defesa da redução dos preços dos medicamentos utilizados no tratamento do HIV/AIDS. A atuação do programa brasileiro nesse período recebeu reconhecimento internacional, incluindo o Prêmio Bill e Melinda Gates para a Saúde Global em 2002.
Entre 2001 e 2003, Teixeira representou a América Latina e o Caribe na criação do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária e integrou o seu Conselho de Administração.
Em 2003, deixou a coordenação nacional e assumiu, em Genebra, a direção do programa de HIV/AIDS da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na organização, participou das iniciativas internacionais destinadas à ampliação do acesso à terapia antirretroviral nos países de baixa e média renda. Entre as iniciativas de que participou esteve a estratégia denominada 3 by 5, que estabeleceu a meta de disponibilizar tratamento antirretroviral a três milhões de pessoas vivendo com HIV até o final de 2005.
Após sua passagem pela OMS, retornou ao Brasil e continuou sua atuação na área de saúde pública em São Paulo. Posteriormente, esteve vinculado ao Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, participando de atividades relacionadas à formulação, avaliação e pesquisa sobre políticas públicas de enfrentamento ao HIV/AIDS.
Ao longo da carreira, Teixeira também participou de estudos e publicações sobre a história e a formulação das políticas brasileiras de enfrentamento ao HIV/AIDS. Em conjunto com Lindinalva Laurindo Teodorescu, publicou trabalhos sobre a construção da resposta governamental à epidemia no estado de São Paulo e sobre a evolução das políticas públicas brasileiras no período inicial da epidemia.
Sua trajetória profissional foi afetada pela repressão política durante a ditadura. Após a identificação de seu histórico político pelos órgãos de segurança, foi demitido da Fundacentro e chegou a ser alvo de tentativa de desligamento da Escola Paulista de Medicina. Concluiu a residência em dermatologia entre 1974 e 1977 e, em 1978, ingressou por concurso na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, sendo designado para a Divisão de Hansenologia e Dermatologia Sanitária do Instituto de Saúde. No mesmo ano, iniciou o curso de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).
Atuação no enfrentamento à AIDS No início da década de 1980, Teixeira atuava na área de hanseníase e dermatologia sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Com a identificação dos primeiros casos de AIDS no estado, passou a participar da organização da resposta governamental à nova epidemia. Em 1983, aos 34 anos, foi chamado para coordenar o primeiro programa governamental brasileiro especificamente voltado à AIDS.
A proposta apresentada por Teixeira e pelo grupo de trabalho que o acompanhava previa uma atuação que combinava vigilância epidemiológica, informação à população, prevenção, assistência aos pacientes e orientação aos profissionais de saúde. A Divisão de Dermatologia Sanitária do Instituto de Saúde foi designada para coordenar as atividades relacionadas à nova doença no estado de São Paulo.
Teixeira coordenou o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo em diferentes períodos: de 1983 a 1987, de 1990 a 1991 e de 1995 a 1996. A experiência paulista foi estruturada sobre a combinação de prevenção e assistência e sobre a defesa dos direitos das pessoas afetadas pela epidemia. O Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, criado posteriormente, tornou-se uma das instituições associadas à continuidade desse trabalho.
Em 1988, foi criado o Centro de Referência e Treinamento de AIDS de São Paulo, instituição cuja trajetória esteve relacionada à concepção de Teixeira de que a resposta à epidemia deveria envolver simultaneamente pesquisa, assistência, educação e prevenção.
Atuação nacional e internacional Em 1994, Teixeira realizou trabalhos de consultoria para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Entre 1996 e 1999, atuou como consultor técnico do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) para a América Central e o Cone Sul.
Entre 2000 e 2003, coordenou o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Durante sua gestão, defendeu a redução dos preços dos medicamentos antirretrovirais e a possibilidade de quebra de patentes quando os preços dos medicamentos importados impedissem a manutenção do acesso universal ao tratamento. Também sustentou internacionalmente a integração entre prevenção e assistência, em contraposição às políticas que, naquele período, priorizavam a prevenção sem a correspondente ampliação do acesso aos medicamentos nos países pobres e em desenvolvimento.
Durante sua gestão no programa nacional, a política brasileira de enfrentamento à AIDS recebeu o Prêmio Bill e Melinda Gates de US$ 1 milhão, em 2002. Segundo entrevista publicada pela revista Interface, o prêmio foi concedido ao programa brasileiro em reconhecimento à sua atuação no enfrentamento da epidemia.
Entre 2001 e 2003, Teixeira representou a América Latina e o Caribe na criação e no Conselho de Administração do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária.
Em 2003, assumiu a direção do Programa de HIV/AIDS da Organização Mundial da Saúde, em Genebra. Nessa função, participou do esforço internacional para ampliar o acesso à terapia antirretroviral em países de baixa e média renda e esteve entre os idealizadores da estratégia denominada 3 by 5, que estabelecia a meta de proporcionar tratamento antirretroviral a três milhões de pessoas vivendo com HIV até o final de 2005.
Atuação posterior Após sua passagem pela OMS, Teixeira continuou ligado à política de saúde pública e ao Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo. Em publicação do Instituto de Saúde, foi identificado como consultor sênior do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids. Também participou de trabalhos acadêmicos sobre as políticas brasileiras de enfrentamento ao HIV/AIDS e integrou estudos publicados pela Revista de Saúde Pública e pela revista Saúde e Sociedade.
Em conjunto com a socióloga Lindinalva Laurindo Teodorescu, Teixeira publicou trabalhos sobre a história da resposta brasileira à epidemia. Os autores participaram da elaboração de Histórias da AIDS no Brasil – 1983-2003, obra dedicada à reconstrução da trajetória das políticas públicas brasileiras no período inicial da epidemia.
Morte Teixeira morreu em 19 de setembro de 2026, aos 77 anos, na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada.
Legado A trajetória de Paulo Roberto Teixeira esteve diretamente relacionada à formação da resposta brasileira à epidemia de HIV/AIDS. Sua atuação combinou políticas de prevenção, assistência, vigilância epidemiológica, participação social e defesa do acesso ao tratamento. O Ministério da Saúde o descreveu, após sua morte, como um dos nomes fundamentais da resposta brasileira à epidemia e destacou sua contribuição para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a ampliação do acesso aos medicamentos antirretrovirais.
A Fundação Oswaldo Cruz também registrou que Teixeira participou da organização da primeira resposta governamental à AIDS no Brasil em 1983 e posteriormente atuou no Programa Nacional de DST/Aids e na OMS, destacando sua defesa do acesso universal ao tratamento e dos direitos humanos.
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