O Sultanato Hamedânida foi um Estado árabe que governou Saná e partes do norte do Iêmem entre o final do século XI e 1174-1175. Surgiu durante o declínio dos e foi governado sucessivamente por três famílias oriundas da tribo dos hamedanitas: duas linhagens hatímidas, separadas pelo governo dos cubaíbidas. O sultanato foi estabelecido por , que tomou Saná em 1098-1099. Sob a segunda linhagem hatímida, os hamedânidas expandiram sua autoridade por grande parte do norte do Iêmem e entraram em conflito com os zaiditas de Sadá. Seu último sultão, , abandonou Saná diante da invasão aiúbida comandada por Turã Xá, que conquistou a cidade em 1174-1175, embora Ali tenha continuado a resistir aos aiúbidas a partir de suas fortalezas nas regiões montanhosas.

História

upright=1.1|miniatura|Império Aiúbida em 1193

Os hamedânidas eram oriundos da tribo dos hamedanitas, cujos membros constituíam um grupo numeroso e poderoso no Iêmem. Muitos deles professavam o xiismo, sobretudo nas vertentes zaidita e ismaelita. A dinastia surgiu durante o enfraquecimento do domínio dos , que governavam grande parte do país desde meados do século XI. Nos últimos anos do emir sulaiída , o poder efetivo estava nas mãos de sua esposa, Aruá Açulaii. Em 481 A.H. (1088-1089), ela transferiu a capital de Saná para , deixando em Saná dois governadores: , tio materno de Almucarrame Amade, e , um dos chefes hamedanitas. Após a morte do emir sulaiída em 492 A.H. (1098-1099), , conhecido também como Ali, aproveitou o declínio do poder central para tomar Saná e seus arredores e proclamar-se sultão. Com isso teve início o governo hamedânida independente na cidade. A primeira família reinante passou a ser conhecida como hatímida (Banu Hatime), em referência a Hatime.

Hatime ibne Algaxime morreu quatro anos depois de assumir o poder e foi sucedido por seu filho , que adotou o epíteto de Aladil. Seu reinado coincidiu com o agravamento das divergências sectárias e das disputas internas em Saná. Em 504 A.H. (1110), o cádi , filho de um antigo governador sulaiída da cidade, depôs Abedalá, que posteriormente foi envenenado, e colocou em seu lugar o irmão dele, . Mane permaneceu no poder durante cerca de seis anos. Em 510 A.H. (1116), Amade ibne Inrane voltou a intervir na sucessão, depôs o sultão e colocou no trono , iniciando o governo de uma segunda família hamedânida em Saná, os cubaíbidas. Hixame ibne Cubaibe foi sucedido, em 518 A.H. (1124), por seu irmão . Com a morte deste, em 527 A.H. (1133), o trono passou para seu filho . O novo governante permaneceu no poder até sua morte, em 533 A.H. (1138). A ausência de uma sucessão consensual provocou então uma disputa entre os grupos tribais de hamedanitas pelo controle de Saná.

A crise terminou quando uma assembleia tribal apoiou , neto de Inrane ibne Alfadle, o governador que os sulaiídas haviam deixado em Saná quando transferiram a capital para Du Jibla. Sua ascensão encerrou o governo dos cubaíbidas e inaugurou uma terceira linhagem hamedânida, que, assim como a primeira, ficou conhecida como hatímida. Nos primeiros doze anos de seu governo, Hamide Adaulá concentrou seus esforços na consolidação de sua autoridade sobre o norte do Iêmem. Em 545 A.H. (1150-1151), conseguiu impor seu domínio sobre grande parte da região e estendeu sua autoridade pelo país, com exceção de Sadá, principal centro dos zaiditas. Sua expansão colocou-o em conflito direto com o imame zaidita . Em uma das campanhas contra os zaiditas, Hatime foi capturado e levado perante o imame, sendo obrigado a aceitar um tratado de paz, embora as hostilidades entre os dois lados tenham prosseguido posteriormente.

Hamide Adaulá morreu em 556 A.H. (1161) e foi sucedido por seu filho . Sob o novo sultão, os hamedânidas retomaram a expansão territorial. Ali avançou para o norte e conquistou Sadá e , além de territórios situados mais a oeste. Ao mesmo tempo, o Iêmem encontrava-se fragmentado entre diversos poderes locais e religiosos, entre os quais os hamedânidas, os , os zaiditas e os , situação que favorecia conflitos e alianças variáveis entre os governantes regionais. Ali ibne Hatime aliou-se aos zuraiídas contra os mádidas, que haviam conquistado Zabide e procuravam expandir seu domínio pelo Iêmem. Entretanto, a intervenção dos aiúbidas alterou definitivamente o equilíbrio político da região. Em 569 A.H. (1173-1174), Saladino enviou seu irmão Turã Xá ao Iêmem à frente de um exército. Diante do avanço aiúbida, Ali abandonou Saná e retirou-se para a fortaleza de , deixando a cidade aberta aos invasores. Saná foi ocupada e o domínio hamedânida sobre a cidade chegou ao fim em 570 A.H. (1174-1175). A conquista de Saná, contudo, não significou o desaparecimento imediato dos hamedânidas. Ali ibne Hatime conservou algumas fortalezas nas regiões montanhosas e continuou a combater os aiúbidas, tentando expulsá-los do Iêmem. Ainda controlava algumas posições em 599 A.H. (1202-1203), enquanto outros membros da família mantiveram poderes locais em diferentes áreas durante anos após o fim do sultanato hamedânida de Saná.

Bibliografia

Categoria:Estados extintos da Ásia da Idade Média Categoria:Estados extintos do Iêmen Categoria:Hamedanitas