Rau ibne Zinba Aljudami (; m. ) foi um chefe tribal, comandante militar e conselheiro árabe dos judamitas que serviu ao Califado Omíada. Membro dos uailitas, tornou-se um dos principais chefes dos judamitas da Palestina e aparece pela primeira vez nas fontes em 657, quando comandou membros de sua tribo na Batalha de Sifim ao lado de . Durante os reinados de Moáuia e , exerceu funções militares e políticas na Síria e no Hejaz, incluindo o comando do contingente do Junde da Palestina na campanha que culminou na Batalha de Harra. Na crise que se seguiu à morte de Iázide, permaneceu fiel aos omíadas, apesar da adesão de parte dos judamitas ao califado rival de Abedalá ibne Azobair.

Rau desempenhou papel destacado na restauração da autoridade omíada durante a Segunda Fitna. Na assembleia de Gabita, em 684, defendeu a escolha de Maruane ibne Aláqueme como califa e, posteriormente, combateu ao seu lado na Batalha de Marje Raite, após a qual foi nomeado vice-governador da Palestina. Sob Abedal Maleque , tornou-se um de seus mais próximos conselheiros e auxiliares. As fontes medievais chegaram a caracterizar sua posição como equivalente à de um vizir, embora o cargo ainda não existisse formalmente, e historiadores modernos consideram sua atuação um precedente dessa função administrativa. Algumas tradições também o incluem entre os companheiros de Maomé e o mencionam como transmissor de hádices.

Vida Origens

Rau era filho de Zimba ibne Rau ibne Salama, um nobre dos judamitas, uma tribo árabe que se concentrava na Palestina antes da conquista muçulmana da Síria, na década de 630. Durante esse período, Zimba supervisionava um entreposto comercial para mercadores que atravessavam a Palestina em direção ao Império Bizantino ou a seus clientes gassânidas. Antes do advento do Islã, nas décadas de 620–630, uma caravana de mercadores coraixitas de Meca, entre os quais Omar, tentou atravessar o posto de Zimba escondendo ouro no estômago de um de seus camelos. Zimba desconfiou, abateu o camelo, confiscou parte do ouro e insultou Omar, que ameaçou retaliá-lo. Segundo essa anedota, cuja transmissão remonta a Maomé ibne Açaíbe Alcalbi (m. 763), Zimba atuava sob a autoridade do filarco gassânida . O irmão de Rau, Salama, participou de um conselho de guerra na propriedade de Bersebá de Anre ibne Alas. Rau, contudo, tornou-se o membro mais influente de sua família e rivalizou com o principal chefe dos judamitas, o mais velho Natil ibne Caice. Este último pertencia ao clã dos saditas da tribo, enquanto Rau pertencia aos uailitas; os ancestrais epônimos de ambos os clãs eram filhos do chefe judamita .

Serviço sob os omíadas

Rau aparece pela primeira vez no registro histórico em 657, durante a Batalha de Sifim, quando comandou um contingente de judamitas do Junde da Palestina (distrito militar da Palestina) no exército do governador da Síria, , contra as forças do califa Ali . Era também o porta-estandarte dos judamitas como um todo, honra normalmente reservada ao nobre mais destacado de uma tribo árabe. Em algum momento não determinado depois de Moáuia se tornar califa em 661, ele pode ter nomeado Rau governador de Balbeque. Embora o califa omíada tenha em determinado momento questionado a lealdade de Rau, enviou-o em 681 como membro de uma comitiva encarregada de obter o juramento de fidelidade do rebelde Abedalá ibne Azobair, do Hejaz (oeste da Arábia). A missão fracassou, e Rau foi novamente enviado em 682–683, desta vez como comandante no exército de Muslim ibne Uqueba, incumbido de sufocar a rebelião no Hejaz. Durante essa campanha, na qual o exército omíada derrotou os rebeldes na Batalha de Harra, Rau comandou o contingente do Junde da Palestina.

De volta à Palestina, Rau empenhou-se em persuadir os judamitas a mudar sua origem genealógica de Catã (árabes meridionais) para Maade (árabes setentrionais), com o objetivo de aproximá-los dos aliados de Rau, os calbitas, de cudaaítas, que à época reivindicavam descendência de Maade. Essa iniciativa encontrou a oposição de Natil. Quando Iázide e seu sucessor, , morreram em rápida sucessão no final de 683 e início de 684, Natil abandonou sua lealdade aos omíadas e aderiu ao recém-proclamado califado de ibne Azobair. Os governadores dos distritos militares de Hómece, Quinacerim e Damasco, bem como as tribos árabes que compunham suas tropas, também juraram fidelidade a ibne Azobair. O governador calbita da Palestina, Ibne Badal, partiu para reunir apoio a um novo califa omíada no distrito da Jordânia, deixando Rau como seu substituto na Palestina. Pouco depois, contudo, Natil expulsou Rau, que permaneceu leal aos calbitas e aos omíadas.

Na assembleia das tribos favoráveis aos omíadas realizada em Gabita por Ibne Badal em 684, atribui-se a Rau um discurso em defesa da ascensão de Maruane ibne Aláqueme ao califado, em detrimento de outros candidatos omíadas, como , favorecido por Ibne Badal, e . Rau seria recompensado por sua posição quando os delegados escolheram Maruane como califa. Na Batalha de Marje Raite, em 684, Rau e seus partidários entre os judamitas combateram ao lado das forças tribais favoráveis aos omíadas e derrotaram decisivamente as tribos caicitas partidárias de ibne Azobair. O domínio omíada foi posteriormente restabelecido em toda a Síria, obrigando Natil a fugir da Palestina, onde Rau foi nomeado vice-governador. Após a morte de Maruane, em abril de 685, Rau tornou-se conselheiro próximo e auxiliar de seu filho e sucessor, o califa Abedal Maleque . Nas fontes medievais, é descrito como equivalente ao vizir do califa, embora esse cargo ainda não existisse naquele período. Rau morreu em 703. Seus descendentes voltam a ser mencionados no registro histórico durante as convulsões que acompanharam o fim do Califado Omíada, em 750.

Avaliação Abedal Maleque elogiou Rau como sírio por sua lealdade, iraquiano por sua sagacidade, hejazita por seu conhecimento da lei islâmica e persa por sua habilidade caligráfica. Segundo o historiador Moshe Gil, Rau era conhecido como um conselheiro "muito talentoso" de Abedal Maleque. Gil e Hawting consideram seu papel na administração do califa um precedente do posterior cargo de vizir. Algumas fontes medievais incluem Rau entre os companheiros de Maomé, e ele também era conhecido como transmissor de hádices.

Bibliografia

Categoria:Judamitas Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Generais do Califado Omíada