A Luta do Povo de Alagamar foi como ficou conhecido um dos mais célebres conflitos fundiários no Nordeste brasileiro durante o período da ditadura militar. O confronto, ocorrido no agreste da Paraíba entre os anos 1975 a 1981, tornou-se um símbolo nacional de auto-organização comunitária, apoio pastoral da Igreja Católica progressista e resistência popular contra o avanço do latifúndio especulativo e a grilagem de terras, resultando em uma das primeiras grandes vitórias camponesas por meio da desapropriação pública da terra antes da redemocratização.Araújo et al. (2010, p. 468)
O conflito teve início quando as terras do complexo da Fazenda Alagamar (área situada entre os municípios paraibanos de Salgado de São Félix e Itabaiana), historicamente ocupada por centenas de famílias de foreiros, posseiros e pequenos agricultores foram adquiridas por um grupo empresarial com vistas à implantação de um grande projeto agropecuário voltado à criação extensiva de gado. Para viabilizar o empreendimento, os novos proprietários recorreram à destruição forçada de benfeitorias, à derrubada de roçados, ao corte de cercas e à queima de moradias, utilizando capangas armados e intimidação policial para expulsar violentamente os trabalhadores rurais que residiam e cultivavam aquelas terras há várias gerações.
Em resposta à violência latifundiária, as famílias camponesas organizaram uma forte rede de resistência pacífica e defesa de suas posses, atuando de maneira coletiva na reconstrução de cercas e na proteção comunitária de suas plantações. O movimento contou com a assessoria jurídica e pastoral decisiva da Comissão Pastoral da Terra e o apoio público de setores progressistas da Igreja Católica, liderados por Dom José Maria Pires (arcebispo da Paraíba, conhecido como "Dom Pelé"), cuja articulação nacional e internacional denunciou os abusos e pressionou os órgãos governamentais.Neves (2022, p. 24) A persistência dos trabalhadores culminou, no início dos anos 1980, na desapropriação judicial das terras de Alagamar pelo governo federal por interesse social, assentando legalmente as famílias camponesas e consolidando o local como um marco pioneiro da reforma agrária na Paraíba.Silva et al. (201?, p. 164)
Bibliografia Araújo, P. C. A. et al. A "Luta do Povo de Alagamar" (1975-1981): Histórias e experiências de vida que educam. In: II Colóquio Internacional de História: fontes históricas, ensino e história da educação. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). De 18 a 22 de outubro de 2010. ISBN: 978-85-8001-025-1. Neves, G. F. Movimentos sociais do campo, práticas educativas e (re)configurações do território: leituras a partir da luta do povo de Alagamar. Tese (doutorado). Centro de Educação, UFPB, João Pessoa, 2022. Silva. L. M. et al. Nos territórios da "Luta do Povo de Alagamar": memórias e narrativas tecidas na história. In: Anais da VII Semana Nacional de História do CFP/UFCG. 201?.
Categoria:Movimentos sociais