Hixame ibne Urua (), cujo nome completo era Abu Almondir Hixame ibne Urua ibne Azobair ibne Alauame Alcoraixi (; –), foi um tradicionalista muçulmano da geração dos tabis, natural de Medina. Filho de Urua ibne Azobair e neto de Azobair ibne Alauame, teve contato com vários companheiros de Maomé e recebeu hádices de importantes estudiosos medinenses, sobretudo de seu pai. Tornou-se uma das autoridades do hádice de sua geração e teve entre os numerosos estudiosos que transmitiram por sua autoridade Maleque ibne Anas, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina e Abedalá ibne Almubaraque.
Hixame foi geralmente considerado um transmissor confiável pelas autoridades posteriores, embora algumas fontes distinguissem entre suas transmissões medinenses e aquelas realizadas após suas viagens ao Iraque, consideradas menos rigorosas. Seus hádices foram incorporados às seis principais coleções canônicas, e parte de suas transmissões foi posteriormente reunida numa obra dedicada a seus hádices com cadeias de transmissão elevadas. Durante o reinado do califa abássida Almançor, viajou diversas vezes ao Iraque e morreu em Baguedade em 146 A.H. (763), durante uma visita ao califa.
Vida
Hixame ibne Urua nasceu em Medina em Moarrão de 61 A.H. (outubro de 680). Era filho de Urua ibne Azobair e neto de Azobair ibne Alauame, sendo também conhecido pelas nisbas Alaçadi e Azobairi. Teve contato ainda jovem com vários companheiros de Maomé, entre eles Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, Sal ibne Sade, Jabir ibne Abedalá e Anas ibne Maleque. Quando tinha cerca de dez anos, foi levado à presença de Abedalá ibne Omar, que lhe acariciou os cabelos e orou por ele. Hixame recebeu hádices sobretudo de seu pai, mas também de seu tio Abedalá ibne Azobair, , , , Ibne Xiabe Azuri, Abu Azinade e de sua esposa, . Esta, que era sua prima e treze anos mais velha que ele, havia recebido tradições de Asma binte Abi Becre, Ume Salama e .
Entre os numerosos tradicionalistas que transmitiram hádices por autoridade de Hixame estiveram Aiube Açaquetiani, Mamar ibne Raxide, Ibne Juraije, Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, , Maleque ibne Anas, Abedalá ibne Almubaraque, Sufiane ibne Uiaina e Iáia ibne Saíde Alcatane. Durante o reinado do califa abássida Almançor , que o tinha em grande estima, Hixame viajou três vezes a Cufa, provavelmente com o objetivo de encontrar-se com o califa. Essas viagens permitiram que estudantes de hádice cufanos recebessem tradições diretamente dele. Em uma dessas visitas, teria pedido ajuda a Almançor para pagar dívidas que alcançavam 100 mil dirrãs. Questionado pelo califa sobre como um estudioso como ele contraíra uma dívida tão elevada, respondeu que, confiando em Deus — ou, segundo outra versão, em Deus e no comandante dos crentes —, havia casado seus filhos e comprado uma casa para cada um deles. Almançor teria então quitado a dívida e lhe concedido outros 10 mil dirrãs.
Hixame foi considerado um transmissor confiável por estudiosos como Ibne Sade, e Abu Hatime Arrazi, que também destacaram o grande número de hádices que transmitiu. Ali ibne Almadini estimou seu repertório em cerca de quatrocentos hádices, enquanto Adaabi afirmou que ultrapassava mil. , embora também o considerasse confiável, afirmou que suas transmissões anteriores às viagens ao Iraque eram aceitas sem reservas, mas que posteriormente Hixame se tornou menos rigoroso, passando a transmitir como se tivesse ouvido diretamente de seu pai alguns hádices que, embora provenientes dele, não recebera pessoalmente. A circunstância foi atribuída ao fato de não ter levado consigo para Baguedade os livros que continham suas tradições, razão pela qual as transmissões de Hixame preservadas por medinenses eram consideradas mais confiáveis.
foi o único estudioso a afirmar que Hixame, em idade avançada, passou a confundir suas transmissões. Adaabi e Ibne Hajar Alascalani, contudo, rejeitaram essa alegação, sustentando que, embora sua memória possa ter enfraquecido em certa medida, ele não chegou a misturar os hádices. As tradições transmitidas por Hixame foram incorporadas às seis principais coleções canônicas de hádice, enquanto algumas de suas transmissões com cadeias de transmissão elevadas foram reunidas na obra al-ʿAwālī min ḥadīth Hishām ibn ʿUrwa. Em 146 A.H. (763), Hixame viajou a Baguedade para visitar Almançor e morreu na cidade. Os anos de 145 e 147 A.H. também são registrados para sua morte. Sua oração fúnebre foi conduzida pelo próprio califa, e Hixame foi sepultado no .
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Naturais de Medina Categoria:Açaditas (coraixitas) Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Pessoas do Califado Abássida