Esticócitos são células glandulares especializadas e altamente volumosas que se dispõem em fila indiana ao longo da porção posterior do esófago de certos nematodes parasitas pertencentes à ordem Trichinellida — onde se incluem géneros de grande relevância clínica e veterinária, tais como o Trichuris, o Trichinella e o Capillaria —, cujo conjunto organizado e longitudinal forma um órgão maciço multinucleado conhecido como esticossoma. Caracterizados do ponto de vista ultraestrutural por possuírem um núcleo de grandes dimensões, um retículo endoplasmático rugoso profuso, complexos de Golgi desenvolvidos e uma abundância de grânulos secretores citoplasmáticos (classificados morfologicamente como alfa e beta), os esticócitos ligam-se individualmente ao lúmen esofágico através de finos ductos coletores intracelulares para verterem os seus produtos de excreção-secreção (ES). Estas substâncias secretadas exercem papéis biológicos cruciais na sobrevivência e no parasitismo do nematode, atuando ativamente na degradação e lise dos tecidos do hospedeiro para facilitar a ingestão de nutrientes, na modulação e evasão do sistema imunitário através da libertação de glicoproteínas antigénicas complexas (como as da família TSL-1, ricas em açúcares invulgares como a tivelose) que promovem uma resposta anti-inflamatória, e até mesmo na reprogramação celular drástica do organismo parasitado, como se observa na indução e manutenção das chamadas células-ama (nurse cell) na musculatura esquelética durante o ciclo de vida da Trichinella spiralis. Devido à sua forte antigenicidade e especificidade, as proteínas e enzimas geradas no interior dos esticócitos constituem não só a base para o desenvolvimento de ensaios de imunodiagnóstico laboratorial (como técnicas de ELISA e western blot), mas também o foco principal de investigações contemporâneas que visam a síntese de vacinas recombinantes protetoras contra as infeções causadas por estes parasitas.
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