Hugo José Azancot de Menezes (Conceição, 2 de fevereiro de 1928 — Amadora, 1 de maio de 2000) foi um médico, militar e político santomense-angolano.

Foi importante pensador da descolonização africana, do conceito de internacionalismo proletário e do socorro médico-humanitário. Foi, ainda, um organizador extremamente eficaz.

Biografia Hugo nasceu em 2 de fevereiro de 1928, na freguesia da Conceição, localidade atualmente localizada em Caué, em São Tomé e Príncipe. Hugo é filho do médico e político nacionalista Ayres de Sacramento Menezes e de Aida Ramos Azancot de Menezes, tendo outros 5 irmãos. Em função da ascendência materna, era judeu. Pouco após seu nascimento, sua família mudou-se para Chibia, em Angola.

Após a conclusão do ensino primário, foi para o Liceu Diogo Cão, no Lubango. Após a morte de seu pai Ayres, mudou-se com sua mãe e seus irmãos para Lisboa. Enquanto os irmãos mais velhos ingressaram na universidade, Hugo foi concluir seus estudos no Liceu Camões, em Lisboa.

Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e participou ativamente da Casa dos Estudantes do Império (CEI), onde interagiu com a diáspora africana na capital portuguesa, formando sua forte consciência anticolonial.

Em fevereiro de 1959, após concluir sua licenciatura em medicina, rumou para Londres para observar o trabalho do Comité das Organizações Africanas (CAO) e construir uma rede política anticolonial, chegando a conhecer a jornalista Marga Holness — com quem trabalharia anos depois em Angola. Em julho de 1959 realizou o mesmo trabalho em Paris, filiando-se ao Movimento Anticolonial (MAC).

Em agosto de 1959 recebe um convite para trabalhar em Conacri, na Guiné. Na cidade, torna-se o médico pessoal do Presidente guineense Ahmed Sékou Touré. A grande amizade que mantinha com Sékou Touré permitiu que o governo da Guiné concordasse com sua proposta de estabelecimento, em Conacri, de uma entidade comum de luta anticolonial das então colônias portuguesas. Em janeiro de 1960, participou da II Conferência do Povos Africanos, em Tunes. Ao final do evento, juntamente com Amílcar Cabral, Lúcio Lara e Viriato da Cruz converte o MAC na "Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas" (FRAIN). Em Tunes, colabora no processo de reorganização do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), se filiando ao partido neste momento, passando a integrar seu Comité Diretor.

Ainda em 1960, Menezes conseguiu instalar a sede da FRAIN em Conacri, e foi o nome-chave que organizou o Movimento de Libertação dos Territórios Africanos sob Domínio Português (MLTADP), instituição fundamental para dar suporte à luta anticolonial nas então colónias portuguesas, para o estabelecimento de redes de contactos internacionais comuns e para servir de base de apoio africana aos líderes nacionalistas Amílcar Cabral, Lúcio Lara, Viriato da Cruz, Marcelino dos Santos, Miguel Trovoada e Mário Pinto de Andrade, e suas respectivas famílias, lhes fornecendo refúgio contra as perseguições políticas. Hugo de Menezes integrou o primeiro Comité Diretor tanto da FRAIN quanto do MLTADP. Em 1961 a FRAIN e o MLTADP são fundidos para surgir a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), com Menezes sendo o líder do Comité Diretor. Montou uma extensa rede de coordenação, de apoios e de financiamento externo às organizações da CONCP, que incluía os nomes de Luís de Almeida e Sietse Bosgra. Neste período, organizou os primeiros documentos norteadores das lutas anticoloniais das então colónias portuguesas, trabalhando com Ruth Lara, Salette de Menezes, Mário Pinto de Andrade, Amílcar Cabral, Viriato da Cruz, Eugénia Cruz, Eduardo Macedo dos Santos, Judith Mariazinha, Américo Boavida, Conceição Boavida, Gentil Viana e Marcelino dos Santos.

Enquanto trabalhava como médico e líder anticolonial na capital guineense, conheceu e casou-se com Maria de La Salette Guerra de Menezes. Nesta cidade nasceu sua primeira filha, Awa Guerra de Menezes.

Em 1961, mudou-se para Quinxassa, sendo o principal responsável pela organização do Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados (CVAAR), a instituição oficial e o "rosto" do partido MPLA no Congo-Léopoldville. O CVAAR prestava auxílio aos refugiados angolanos que chegavam ao Congo. Após estabelecer sua família, em Quinxassa nasceu seu filho Ayres Guerra de Menezes.

Em 1962, por iniciativa de Viriato da Cruz, os elementos mestiços e brancos foram substituídos majoritariamente por elementos negros na liderança do partido. Menezes foi contrário a essa remodelação e a derrota do seu posicionamento pesou na decisão de abandonar Quinxassa. Em meados de 1962, Menezes mudou-se com a família para Acra, no Gana. Nesta cidade, nasceu a terceira filha, Aida Guerra de Menezes. A chegada de Agostinho Neto reequilibrou o ambiente interno do MPLA, mas Hugo optou por permanecer em Acra. Nesta cidade esteve ligado à organização de escritórios internacionais do Comitê pela Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP) a partir de 1965.

Hugo de Menezes permaneceu em Acra até ao golpe de estado que depôs Kwame Nkrumah, em 1966. Mudando-se para o Togo, no ano seguinte um golpe derrubou o governo togolês de Nicolas Grunitzky. Nesse mesmo ano, mudou-se com a família para o Congo-Brazavile para trabalhar como médico.

Em 1968, Agostinho Neto, presidente do MPLA, convidou Hugo de Menezes a retornar ao partido e assumir a direção dos Serviços Médicos da II Região Político-Militar do MPLA. No período de 1972-1974, porém, o MPLA passava por uma intensa disputa política interna. As discussões eram instigadas por puristas anticoloniais em Brazavile, no ano de 1972, e giravam em torno da temática racista, que dominava os rumos do partido naquela altura. Grandes porções do partido identificavam as recentes e constantes derrotas militares no Leste angolano como emanadas de uma liderança branco-mestiça, a qual identificavam como maiores representantes Lúcio Lara, sua esposa Ruth Lara, Iko Carreira, Adolfo Maria, a esposa de Agostinho Neto, Maria Eugénia Neto e, em menor dimensão, também a Hugo de Menezes. Diante de tal cenário crítico, em 1972 deixou suas funções na direção dos Serviços Médicos da II Região Político-Militar do MPLA, e tornou-se um dos signatários do manifesto da Revolta Activa em 1974.

Após afastar-se mais uma vez do MPLA, passa a ser funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Brazavile, mudando-se, a trabalho, para Acra. Nesta cidade, em 1972, encontra-se com Guadalupe de Ceita que lhe informa que o CLSTP estava desorganizado, pois Miguel Trovoada, seu Secretário-Geral, havia abandonado as funções. Ceita tomou a frente como Presidente da Comissão Provisória e, numa reunião em Acra, juntamente com Hugo de Menezes, Virgilio Carvalho e António Tomás Medeiros, delineou a retomada do CLSTP, convertendo-o em Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP).

O MPLA participou do Governo de Transição do Alvor, com Menezes se mudando para Luanda a partir de agosto de 1975. A amizade que Hugo de Menezes conservava com Agostinho Neto possibilitou o seu retorno à Angola. Na formação do primeiro governo independente angolano, Hugo de Menezes assumiu como diretor do Hospital Josina Machel. Também trabalhou no Centro de Saúde da Samba. Na cidade de Luanda nasceu o seu último filho, Hugo Antunes de Brito Azancot de Menezes.

Ao final da década de 1980 participou da reestruturação da Liga Angolana de Amizade e Solidariedade com os Povos (LAASP), trabalhando com o conceito de internacionalismo proletário em Angola.

Em 1996, mudou-se para Portugal e ali continuou a trabalhar na medicina. Morreu no Hospital Fernando da Fonseca, na Amadora, no dia 1 de maio de 2000. Na data de sua morte, estava escrevendo e editando um livro de memórias.

Obras Em fevereiro de 2018, quase 18 anos após sua morte, foi lançado seu livro de memórias, editado pelo historiador Carlos Pacheco e publicado pela Nova Vega, intitulado "Percursos da Luta de Libertação Nacional – Viagem ao Interior do MPLA – Memórias Pessoais".

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