Zuair ibne Janabe Alcalbi (; ) foi um chefe tribal e poeta árabe semilendário dos calbitas, considerado o mais célebre chefe da tribo durante a Jailia. Exerceu grande influência entre os beduínos do norte da Arábia e, segundo algumas tradições, sua autoridade teria abrangido toda a confederação dos cudaaítas. Em meados do , aparece associado a Abramo, governante axumita do Iêmem, em cujo nome teria exercido autoridade sobre os taglibitas e os becritas. A rebelião dessas tribos resultou num conflito durante o qual Zuair teria capturado os chefes taglibitas Culaibe ibne Rebia e Almualhil.
Zuair também é lembrado por sua guerra contra os gatafanitas, que haviam estabelecido em um harame destinado a rivalizar com a Caaba de Meca. Segundo a tradição, derrotou os gatafanitas e destruiu o santuário, feito que teria sido posteriormente elogiado por Maomé. Sua memória permaneceu particularmente importante entre os calbitas e os cudaaítas durante os primeiros séculos do islão, e entre seus descendentes estava Maiçune, esposa de e mãe do califa . Zuair foi igualmente lembrado como poeta da Jailia, do qual sobreviveram composições breves, e figura nas tradições literárias entre os poetas de uma geração anterior associados à formação de Inru Alcaice ibne Hujer.
Vida
Zuair ibne Janabe foi um chefe tribal e poeta semilendário, ativo no . Pertencia aos calbitas e tornou-se epônimo de um grupo da tribo. Segundo algumas tradições, teria exercido autoridade sobre toda a confederação dos cudaaítas, à qual os calbitas pertenciam. Sua posição na tradição tribal foi excepcional: Fück o considera o mais célebre chefe calbita do período pré-islâmico e assinala a grande influência que exerceu entre os beduínos do norte da Arábia. Em meados do , Zuair aparece associado a Abramo, governante axumita do Iêmem. Segundo a tradição, Abramo colocou sob sua autoridade duas tribos setentrionais, os taglibitas e os becritas. Zuair comandou uma expedição contra ambas em nome do governante axumita. Os taglibitas e becritas rebelaram-se contra ele e, durante o conflito, Zuair atacou o chefe taglibita Culaibe ibne Rebia e seu irmão Almualhil, conseguindo capturá-los.
Em período posterior, Zuair aderiu aos , grupo religioso associado a Meca, e atacou os gatafanitas, que haviam construído um santuário rival. A guerra é situada em meados do e teria sido motivada pela construção, em , de um harame ("recinto sagrado") destinado a emular a Caaba de Meca, então um dos principais centros religiosos da Arábia pagã. A iniciativa provocou a oposição das tribos vizinhas, entre elas os calbitas, e Zuair derrotou decisivamente os gatafanitas e destruiu o santuário. A tradição gatafanita associa o local ao culto da deusa Aluzá, atribuindo-lhe um templo e um guardião encarregado do culto, e situa sua destruição por Zuair na primeira metade do . Segundo uma tradição preservada por Lecker, Maomé teria posteriormente elogiado Zuair pela destruição do santuário.
As tradições sobre sua morte afirmam que Zuair se suicidou ingerindo vinho não diluído depois de ser desobedecido. Entre seus descendentes figurava Maiçune, que se casou com e foi mãe do califa . A importância atribuída a Zuair na memória tribal dos calbitas é refletida pela proeminência de Ibne Alcalbi entre os transmissores das narrativas a seu respeito. Segundo Lecker, essa circunstância demonstra a posição ocupada por Zuair nas tradições dos calbitas e dos cudaaítas como um todo durante pelo menos dois séculos da era islâmica. Além de chefe tribal, Zuair foi lembrado como poeta da Jailia. Fragmentos de sua poesia sobreviveram na tradição literária árabe, e a TDV o inclui entre os antigos poetas dos quais foram preservadas composições breves. Sua reputação poética também aparece nas tradições relativas à formação de Inru Alcaice ibne Hujer. Segundo relatos resumidos por Makki, Zuair teria sido amigo e companheiro de bebida de Hujer Aquil Almurar, pai de Inru Alcaice, e figuraria entre os poetas de uma geração anterior associados à formação deste.
Bibliografia
Categoria:Poetas árabes do século VI Categoria:Calbitas