Pedro Carneiro da GrãAnuário da nobreza de Portugal. Lisboa: Instituto Português de Heráldica, 1985, 3, tomo 2, p. 491.REIS, José Manuel de Seabra da Costa — Genealogias dos Carneiro da Grã e dos Costa Reis: memórias de morgados e de enfiteutas da freguesia de Santa Eulália de Balasar. Porto: Edição de autor (sob patrocínio da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim), 2020 (Porto cerca de 1600 – Póvoa de Varzim, Balasar, Casa dos Carneiro da Grã, 21 de julho de 1679) foi um opulento fidalgo português, membro das linhagens medievais dos Carneiro e dos Grã, que viveu no século XVII entre o Porto, Vila do Conde e Balasar (Póvoa de Varzim), sendo um dos representantes da elite aristocrática local, constituída por terratenentes, detentores de cargos públicos, clérigos e mercadores.

A sua biografia e relações de propriedade com o património histórico classificado da sua família, documentam os circuitos culturais e sociais que existiam entre o Porto e diversas localidades do Vale do Ave no século XVII.

Biografia

Pedro Carneiro da Grã era filho João CarneiroGAYO, Manuel José da Costa Felgueiras – Nobiliário de famílias de Portugal. Braga: Edição de Carvalhos de Basto, 1989, vol. 3, p. 339. e de sua mulher D. Antónia da Grã, fidalgos moradores numa quinta no antigo concelho de Benviver (Marco de Canaveses), descendentes de diversas linhagens nobiliárquicas medievais nomeadamente dos CarneiroZÚQUETE, Afonso – Armorial Lusitano, genealogia e heráldica. Lisboa: Representações Zairol, 1987, p. 139., Grã, Costa, Sousa de Arronches, Castro, Tavares, Avilez, Brito, etc. Nasceu cerca de 1600 no Porto onde possuía uma “morada de casas” na histórica rua da Reboleira, junto à Porta Nova das Muralhas Fernandinas do Porto. Contudo, residiu, pelo menos até 1648, na sua casa na freguesia de São João Batista de Vila do Conde, onde a sua família mandara construir a Capela de Nossa Senhora do Socorro, classificada atualmente como Imóvel de Interesse Público. Era também nesta localidade que recebia, provavelmente num celeiro particular, os seus foreiros aquando do pagamento das suas rendas transportadas em carros de bois e a pé. Mais tarde, mudou-se para a sua casa na freguesia de Balasar, Póvoa de Varzim, onde morreu a 21.07.1679, tendo sido realizados três ofícios fúnebres de quinze padres cada um. No século XVIII, esta residência veio a ser reconstruída e ampliada por seus descendentes tendo ficado conhecida como “Quinta de Dona Benta”FERREIRA, José – Balasar no século de D. Benta. Balasar: Edição de autor, 2015. e também como Solar dos Carneiro da Grã. Por herança de seu tio paterno o beneficiado de Vila do Conde padre Manuel Carneiro, foi senhor do morgadio dos Carneiro que reunia numerosos bens entre eles os trinta e um casais pertencentes à Capela da Santíssima Trindade (dos Carneiro) na Igreja de São Francisco do Porto, da qual Pedro Carneiro da Grã foi 6.º administrador.

Casamento e descendência

Pedro Carneiro da Grã casou na freguesia de São João Batista de Vila do Conde a 10 de setembro de 1634 com sua prima coirmã D. Benta Carneiro Magriço (? – Póvoa de Varzim, Balasar, 10 de maio de 1675), proprietária do prazo “Bento Teixeira”, em Balasar. Era filha de Bento Teixeira Magriço e de sua mulher D. Catarina Carneiro. Apesar de casado, Pedro Carneiro da Grã teve três filhos de “sua amiga” (amante) Maria da Costa (Vila Nova de Famalicão, Gondifelos, 20 de janeiro de 1619 – Vila Nova de Famalicão, Gondifelos, Casa de Reparade, 25 de outubro de 1709), mulher solteira residente com seus filhos na sua Casa de Reparade. Era filha de Baltasar da Costa e de sua mulher Catarina Martins, moradores na referida Casa de Reparade. De ambas as relações, descendem numerosos indivíduos e famílias de diferentes estatutos sociais e regiões de Portugal, destacando-se os Carneiro da Grã Magriço, a 1.ª condessa de Azevedo, senhora da Casa dos Carneiro da Grã, na Póvoa de Varzim (atual Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim), os Ferreira de Macedo Faria Gaio (da Casa da Portela nas Carvalhas, Barcelos), os Carneiro de Vilhena de Abreu e Lima, os Costa Reis (da Quinta da Torre (Casais)), os Felgueiras Gaio (dos viscondes da Fervença), os Costa Félix, os Campos Trocado, os Trocado Freitas do Amaral, os Fezas Vital Trocado, Maia Correia, etc., assim como personalidades como Diogo Freitas do Amaral, Joaquim Torres da Costa Reis, Francisco Torres da Costa Reis, João Francisco Falcão da Costa Reis, José Manuel de Seabra da Costa Reis e a beata Alexandrina de Balazar, entre outros.

Referências

Categoria:Fidalgos de Portugal