Alfinde Azimani (), cujo nome era Xal ibne Xaibane ibne Rebia Azimani (), foi um poeta e cavaleiro árabe da Jailia, pertencente aos zimanitas, um ramo dos becritas estabelecido em Iamama e estreitamente associado aos hanifaítas. É contado entre os destacados cavaleiros dos rebiaítas, e sua alcunha, Alfinde, foi tradicionalmente relacionada tanto à sua compleição física quanto à reputação adquirida como guerreiro.
Em idade já muito avançada, participou da Guerra de Albaçus entre becritas e taglibitas. As tradições apresentam-no próximo ou acima dos cem anos durante o conflito e associam seu valor militar à expressão de que equivaleria sozinho a mil homens. Teve atuação destacada no Dia de Quida, também conhecido como Dia do Raspar das Cabeças, no qual é apresentado como chefe becrita. Entre os feitos que lhe são atribuídos está uma estocada com que teria atravessado simultaneamente o taglibita Maleque ibne Aufe ibne Alharite e outro homem que o acompanhava, episódio celebrado em versos transmitidos sob seu nome.
Alfinde figura também entre os poetas pré-islâmicos cuja obra continuou a circular na tradição literária e filológica árabe. Embora nenhuma reunião antiga de sua poesia tenha chegado integralmente à atualidade, seus versos foram preservados por antologistas, gramáticos e lexicógrafos e utilizados como testemunhos linguísticos. Uma coleção moderna preparada por Ḥātim Ṣāliḥ al-Ḍāmin reuniu 188 versos transmitidos sob seu nome, distribuídos por nove composições ou fragmentos. O corpus conservado inclui poemas relacionados à Guerra de Albaçus, composições guerreiras, máximas e peças de orgulho tribal, embora a tradição apresente variantes textuais e atribuições concorrentes para parte desse material.
Vida
Alfinde pertencia aos zimanitas (Banu Zimane), um ramo dos becritas, e sua genealogia é registrada como Xal ibne Xaibane ibne Rebia ibne Zimane ibne Maleque ibne Sabe ibne Ali ibne Becre ibne Uail. Os zimanitas eram um grupo pouco numeroso estabelecido em Iamama junto dos hanifaítas, entre os quais eram contabilizados, circunstância que levou alguns autores a atribuí-lo diretamente a Hanifa. Seu nome, Xal (Shahl), sofreu corrupções na transmissão das fontes, aparecendo em algumas delas como Sal (Sahl), enquanto variantes também foram registradas para o nome de seu pai. Alfinde é descrito como poeta da Jailia e um dos destacados cavaleiros dos rebiaítas. Sua alcunha, Alfinde (al-Find), deriva de um termo empregado para uma grande porção de uma montanha. Uma tradição atribui a designação à sua grande compleição física, enquanto outra a relaciona à sua participação na Guerra de Albaçus. Segundo esta última, quando já se encontrava em idade avançada e foi enviado para auxiliar os becritas, teria afirmado que os aliados poderiam apoiar-se nele como num find. A tradição também lhe atribuiu a designação de "equivalente a mil", associada à reputação de que seu valor em combate correspondia ao de mil homens.
Alfinde participou da Guerra de Albaçus em idade muito avançada. As tradições divergem quanto à sua idade exata: enquanto uma narrativa preservada no Kitab al-Aghani de Abu Alfaraje Alisfaani afirma que já ultrapassara os cem anos no Dia de Quida, Ibne Munquide registra que se aproximava dos cem anos quando participou da guerra entre becritas e taglibitas. Durante a guerra, os xaibanitas solicitaram auxílio aos hanifaítas contra os taglibitas. Segundo uma tradição preservada por Abu Alfaraje Alisfaani, os hanifaítas enviaram Alfinde acompanhado por setenta homens, mas anunciaram aos xaibanitas que lhes haviam enviado mil, expressão destinada a representar o valor militar atribuído ao velho guerreiro. Outra tradição, preservada por Ibne Munquide, apresenta os hanifaítas enviando o próprio Alfinde como reforço a Becre no Dia de Quida e declarando terem enviado mil homens.
Alfinde participou do Dia de Quida, também conhecido como Dia do Raspar das Cabeças, um dos principais confrontos da Guerra de Albaçus. Uma tradição preservada no Kitab al-Aghani apresenta-o como chefe becrita no confronto, ao lado de Jadar ibne Dubaia, seu cavaleiro, Sade ibne Maleque ibne Dubaia, seu poeta, Alharite ibne Ubade, apresentado como seu árbitro, e Aufe ibne Maleque, responsável por bloquear a passagem na qual os becritas enfrentaram seus perseguidores. Durante o combate, Alfinde encontrou o taglibita Maleque ibne Aufe ibne Alharite, que havia atravessado com sua lança um jovem becrita e o erguia na ponta da arma. Maleque estava acompanhado por outro homem quando Alfinde o alcançou e atravessou ambos com uma única estocada de lança. A tradição atribui a Alfinde versos compostos imediatamente após o feito, nos quais contrapunha sua condição de ancião à energia juvenil demonstrada no combate e descrevia o ferimento produzido pela lança. Ibne Munquide preserva igualmente a tradição da participação de Alfinde em Quida e de sua estocada contra Maleque ibne Aufe e o homem que o acompanhava.
Poesia
Alfinde é contado entre os poetas da Jailia, embora não se conheça uma reunião de sua poesia que tenha chegado integralmente à atualidade. Sua poesia, contudo, alcançou circulação considerável entre antologistas, gramáticos e lexicógrafos. Há notícia de que Abu Zaíde Alançari reuniu seus versos em um volume de cerca de vinte folhas e de que uma cópia dessa coleção foi posteriormente utilizada por , que dela transcreveu cerca de cinquenta versos. Maomé ibne Almubaraque, autor do Muntahā al-ṭalab min ashʿār al-ʿArab, também parece ter conhecido uma coleção de sua poesia e preservou integralmente três de suas composições mais extensas, enquanto uma referência posterior menciona dezoito versos transmitidos expressamente a partir de um Divã de Alfinde. A partir do material conservado em diferentes fontes literárias e filológicas, Ḥātim Ṣāliḥ al-Ḍāmin reuniu 188 versos atribuídos ao poeta, distribuídos por nove composições ou fragmentos. O estudioso observa que, apesar da pequena quantidade de poesia conservada, a notoriedade de Alfinde lhe assegurou lugar entre os poetas cujos versos eram empregados como testemunhos, sendo sua poesia citada por autores de coletâneas de hamasa, linguistas e gramáticos.
Atribuições confirmadas
1.ª Composição
Uma breve composição de três versos atribuída a Alfinde foi preservada especificamente no contexto da Guerra de Albaçus. Ḥātim Ṣāliḥ al-Ḍāmin registra como fonte para o fragmento uma obra sobre a guerra e reproduz os três versos integralmente. Neles, o poeta utiliza a imagem da guerra como uma mó já posta em movimento, convoca os becritas a alimentá-la e apresenta a si próprio como aquele em torno de quem os demais combatentes poderiam avançar.
2.ª Composição
Uma das mais extensas composições de Alfinde relacionadas à Guerra de Albaçus foi transmitida como uma resposta poética a Almualhil. Ḥātim Ṣāliḥ al-Ḍāmin preserva integralmente 28 versos e registra como principal testemunho uma obra dedicada à Guerra de Albaçus, além de ocorrências parciais em outras fontes. Os cinco primeiros versos tratam da partida dos companheiros, do vinho e da lembrança de Laila; a partir do sexto, o poeta dirige-se diretamente ao conflito, compara a sorte dos taglibitas à destruição do antigo povo de Ade e afirma que os adversários haviam sido advertidos antes de experimentar os cavalos, espadas e lanças becritas. A composição menciona nominalmente os combates de Uaridate e Adanaibe, evoca a captura de um Adi e passa depois à morte de Bujair ibne Alharite, apresentada como cometida sem que ele houvesse praticado uma falta contra os taglibitas. O poema reproduz ainda a afirmação de que Bujair valeria apenas a correia da sandália de Culaibe ibne Rebia, motivo igualmente preservado nas tradições em prosa sobre a entrada de Alharite ibne Ubade na guerra. Nos versos finais, Alfinde celebra a retaliação becrita, descreve mulheres e crianças taglibitas deixadas em luto e encerra dirigindo-se ao "Zir", designação associada a Almualhil.
3.ª Composição
Uma composição de oito versos atribuída a Alfinde trata de relações entre seu grupo e outros membros dos rebiaítas. Ḥātim Ṣāliḥ al-Ḍāmin a preserva a partir do al-Fuṣūṣ, sem associá-la a um episódio histórico determinado. O poema inicia-se com uma interpelação a Ume Sauda e Ume Abade e com a pergunta sobre a existência de provisões para um estrangeiro, mas passa em seguida a uma queixa acerca da falta de equidade nas relações entre os grupos. O poeta pede que sua mensagem seja transmitida a toda Rebia, exalta a hospitalidade de seu próprio grupo e afirma rejeitar condições de vizinhança que considera humilhantes.
Atribuições disputadas
4.ª Composição
A mais extensa composição reunida sob o nome de Alfinde por Ḥātim Ṣāliḥ al-Ḍāmin é uma cássida de 78 versos transmitida como uma nácida contra . Al-Ḍāmin tomou como principal testemunho o Muntahā al-ṭalab min ašʿār al-ʿArab, registrando também a transmissão independente de partes da composição em outras obras. Os versos iniciais apresentam uma breve evocação das moradas abandonadas e uma sequência de máximas sobre a passagem do tempo, a censura, a coragem e a necessidade de responder à agressão; posteriormente, a composição passa ao ataque contra Alafua e amplia progressivamente o orgulho tribal e genealógico atribuído ao lado do poeta. Fāṭima Ḥasan ʿAbd al-Fattāḥ analisa a peça como uma nácida contra Alafua, observando que seus 78 versos conservam o metro, a rima e a consoante rimante da composição adversária e que a invectiva progride do próprio Alafua para seu grupo e, posteriormente, para Catã.
A abertura parte da evocação das moradas e daqueles que anteriormente as habitavam, mas rejeita a permanência no lamento pelo que já passou. O poeta afirma que a censura posterior aos acontecimentos não produz benefício e associa-a à ignorância, à tristeza e à perplexidade, passando então a defender decisão e firmeza diante da adversidade. Nos versos seguintes, o discurso deixa as máximas e assume caráter diretamente polêmico contra Alafua Alaudi, a quem al-Ḍāmin identifica como o destinatário da nácida: surge uma designação depreciativa associada aos , e a descrição poética do combate pelo adversário é contraposta à experiência efetiva da luta.
A invectiva amplia-se progressivamente do adversário individual para os grupos aos quais a composição o associa. Depois de ridicularizar a fuga de Alafua e comparar seu comportamento ao de um cão que se refugia ensanguentado, o poeta dirige-se aos Banu Taima e recorda-lhes uma derrota militar. O ataque é então estendido a Catã, apresentado como destinado à ruína, enquanto os versos finais do bloco exaltam Nizar: Deus o teria elevado e reunido, e seus membros são comparados a uma lâmpada que ilumina quando os demais homens se encontram nas trevas e a um fogo cujas centelhas são temidas.
A enumeração de feitos militares prossegue com referências a chefes mortos, cativas e prisioneiros e à utilização das lanças de Cate contra os adversários. O poeta invoca como testemunhas os remanescentes de Himiar e menciona sucessivamente Cazar e Cazazi, afirmando ter seu grupo matado e capturado numerosos inimigos neste último confronto. A composição passa então aos chefes adversários: nove reis teriam sido levados como prisioneiros, cada qual portando os atributos de sua dignidade, enquanto Du Huraite teria encontrado a morte. Os versos finais do bloco apresentam Aude como derrotada e Madije como tendo escapado mediante fuga enquanto a poeira cobria os cavalos.