Ediná Pinheiro Strehler, também creditada em diferentes fases da carreira como Ediná De Domênico Pinheiro, (, Taquaritinga, SP), é uma pianista e cravista suíço-brasileira. Considerada uma das crianças-prodígio do piano em Piracicaba no final da década de 1940, construiu ao longo de mais de setenta anos uma carreira como pianista solista, cravista e camerista, apresentando-se com incontáveis orquestras e conjuntos de câmara, participando de cursos internacionais de aperfeiçoamento na Europa e recebendo, já no século XXI, títulos honoríficos de diferentes academias brasileiras de música.

Origem e família Ediná nasceu em Taquaritinga, no interior paulista, em 16 de dezembro de 1938, filha do médico Dr. Oswaldo Pinheiro e da professora Josefina De Domênico Pinheiro. Ainda muito pequena, a família se estabeleceu em Piracicaba, cidade que Ediná passou a considerar sua terra de adoção e onde viveu a infância e a juventude. A imprensa local da época registra que a família residia na rua da Boa Morte (atual rua Boa Vista), no centro de Piracicaba.

Infância e primeiros estudos musicais (1946–1951) Ediná começou a estudar piano por volta dos sete anos de idade, tendo como primeira professora sua madrinha, Chiquita Arruda, uma das mais conhecidas professoras de piano de Piracicaba à época, e mais tarde a professora Irene Sirezin. Em novembro de 1947, ainda no início dos estudos, apresentou-se publicamente pela primeira vez ao lado de outra colega no Colégio Piracicabano, executando peças de Beyer, Burgmüller e Clementi; a crítica do Diário de Piracicaba já a descrevia como a mais tecnicamente desenvolvida das duas jovens pianistas.

Nos anos seguintes, ainda criança, Ediná multiplicou apresentações em Piracicaba e cidades vizinhas — Capivari, Santa Bárbara d'Oeste, Penápolis — sempre sob orientação de Chiquita Arruda, executando obras de Villa-Lobos, Chopin, Schumann, Mozart e compositores brasileiros como Francisco Mignone e Lorenzo Fernandez. Em novembro de 1949, obteve um voto de louvor da comissão julgadora do V Concurso Pianístico Infantil e Concurso Juvenil de Piano, promovido pela Casa Euclides da Cunha de São José do Rio Pardo em conjunto com o Serviço de Fiscalização Artística da Secretaria do Governo de São Paulo.

Em fevereiro de 1950, realizou um recital beneficente em Penápolis em prol do Lactário "Dilia Ribeiro", elogiado pela crítica local pela maturidade técnica incomum para a idade.

Formação e consagração em Piracicaba (1951–1958) Em 21 de maio de 1951, Ediná realizou no Teatro Santo Estêvão, em Piracicaba, um recital solo em benefício das obras da Catedral de Santo Antônio, com um programa que incluía Scarlatti, Bach, Mozart, Schubert, Brahms, Chopin, Dussek, Carlos Gomes e compositores brasileiros como Lorenzo Fernandez e Francisco Mignone; o concerto teve grande repercussão na imprensa piracicabana. No mesmo ano, apresentou-se pela Rádio Excelsior e pela Rádio Gazeta, esta última no programa "Sala de Concertos Schwartzmann", patrocinado pela fabricante de pianos Schwartzmann.

Em 1952, foi inscrita no concurso anual de piano promovido pela Indústria de Pianos Schwartzmann, cuja fase eliminatória exigia a interpretação das 32 Variações em dó menor de Beethoven e cuja final incluía a Grande Polonaise Brillante de Chopin.

Paralelamente à música, Ediná seguiu os estudos regulares, concluindo o curso no Instituto de Educação "Sud Mennucci", em Piracicaba: na cerimônia de formatura de sua turma, em janeiro de 1955, foi escolhida oradora dos formandos.

Em agosto de 1957, a revista mensal piracicabana Mirante a trouxe na capa e dedicou-lhe uma reportagem de página inteira, "Ediná De Domênico Pinheiro fala de sua arte", assinada por José Lino Amado, com fotos de Cantarelli. Na entrevista, Ediná falou de suas preferências musicais (Bach, Beethoven, Mozart, Chopin e Brahms, mas também samba, choro, Noel Rosa e Zequinha de Abreu) e declarou pretender seguir estudando piano até se tornar concertista.

São Paulo, Fritz Jank e o aperfeiçoamento europeu Desde 1954, Ediná passou a estudar em São Paulo com o pianista germano-brasileiro Fritz Jank, professor do Conservatório Dramático e Musical "Dr. Carlos de Campos" em Tatuí, e do Conservatório Carlos Gomes em São Paulo, radicado no Brasil desde 1934, reconhecido intérprete beethoveniano e acompanhador de solistas internacionais. Formou-se pelo Instituto Musical de São Paulo, tendo participado da colação de grau da turma de 1951 no Theatro Municipal de São Paulo.

Ainda jovem, obteve bolsa de estudos da Pró Arte de Piracicaba para um curso de férias em Teresópolis (RJ), estudando com Hans-Joachim Koellreutter e George Kuhlmann, dois dos nomes centrais da renovação da música contemporânea no Brasil. Mais tarde, ampliou a formação na Espanha, na Universidade de Santiago de Compostela, participando do curso internacional "Música en Compostela" (1962), onde estudou com a pianista catalã Alicia de Larrocha, o musicólogo Antonio Iglesias e o compositor catalão Federico Mompou, apresentando um recital dedicado a compositores brasileiros e argentinos — entre eles Villa-Lobos, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Lorenzo Fernandez e Cláudio Santoro.

Cravista e música de câmara: L'Estro Armonico A partir do final da década de 1970 e ao longo dos anos 1980, Ediná Pinheiro Strehler expandiu sua atuação para o cravo, tornando-se solista da Orquestra de Câmara "L'Estro Armonico", regida pelo violinista Oscar Lafer. Com esse conjunto, apresentou-se em concertos beneficentes na Escola Suíço-Brasileira de São Paulo e em edições do Festival de Inverno de Campos do Jordão, interpretando os Concertos de Brandemburgo de Bach, concerti grossi de Händel e de Vivaldi (da série L'Estro Armonico, op. 3) e obras de Leclair, muitas vezes ao lado da também cravista Helene Hollnagel. Em janeiro de 1980, integrou como cravista o conjunto Circulus Musicae Rarae, dirigido por Osvaldo Colarusso, na inauguração da Capela do Morumbi, em São Paulo.

Nesse período, também esteve ligada ao Instituto de Artes do Planalto (IAP), vinculado à então recém-criada Universidade Estadual Paulista (UNESP), participando de festivais universitários de música, como o I e o II Festival Aberto de Música Popular, em São Carlos (1980).

Carreira madura e atuação recente Ediná Pinheiro Strehler manteve atividade concertística contínua nas décadas seguintes. Em 2013, apresentou-se como solista do Concerto para piano de Giordani com a orquestra L'Estro Armonico no Museu Paulista (Museu do Ipiranga). Em setembro de 2014 e em abril de 2016, apresentou-se no projeto "Quintas Musicais", promovido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo no Palacete Conde de Sarzedas — sede do Museu do Tribunal de Justiça —, com um programa que incluiu obras de Amaral Vieira, Dvořák, Charles Williams, Arnaldo Rebello e do maxixista Ernesto Nazareth. Em junho de 2017, ao lado da pianista Maria Cecília Schnetzler Truffi, realizou um recital de piano a quatro mãos no 81º "Concerto aos Domingos", promovido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), em São Paulo, em benefício do lar Yassuragui Home.

Como professora, chegou a manter registro formal de atividade de ensino de música em São Paulo desde 2015.

Reconhecimentos e títulos honoríficos Ao longo da vida, Ediná recebeu prêmios e menções em concursos de piano na infância e juventude (Schwartzmann, 1952; São José do Rio Pardo, 1949). Já no século XXI, seu percurso artístico passou a ser reconhecido por academias brasileiras de música com títulos honoríficos e cadeiras acadêmicas, entre os quais:

Imortal da Música no Brasil — Academia de Música do Brasil (AMUB), Cadeira nº 153, cujo patrono é o pianista e pedagogo Luigi Chiaffarelli (Rio de Janeiro, maio de 2023). Medalha Acadêmica Especial "Guiomar Novaes" — Academia de Música do Brasil (Rio de Janeiro, dezembro de 2023). Imortal da Música Erudita — Academia de Música de São Paulo (AMSP), Cadeira nº 84, cujo patrono é justamente seu antigo professor, Fritz Jank (São Paulo, novembro de 2024). Imortal da Música Erudita — Academia de Música do Rio de Janeiro (AMRJ), Cátedra nº 107, também sob o patronato de Fritz Jank (Rio de Janeiro, janeiro de 2025).

Repertório Ao longo da carreira, o repertório documentado de Ediná Pinheiro Strehler passou por autores como Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Johannes Brahms, Frédéric Chopin, Franz Liszt, Antonio Vivaldi, George Frideric Händel e Jean-Marie Leclair, ao lado de compositores brasileiros como Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Lorenzo Fernandez, Ernesto Nazareth, Arnaldo Rebello e Amaral Vieira.

Vida pessoal Ediná nasceu Ediná de Domênico Pinheiro e assinou suas primeiras décadas de carreira com esse nome. Ao se casar com Roberto Arnaldo von Becker Strehler, passou a adotar o sobrenome do marido, tornando-se Ediná Pinheiro Strehler — nome pelo qual é creditada a partir da década de 1970/1980 em diante, inclusive nos programas de concerto da orquestra "L'Estro Armonico".

Referências