O Partido Nacional (PN) foi um partido político chileno, fundado em 1966 mediante a fusão do Partido Conservador Unido, do Partido Liberal e da Ação Nacional. Esta última havia sido fundada em 1963 por Jorge Prat Echaurren, que fora ministro das Finanças em 1954 no governo de Carlos Ibáñez del Campo.
O PN representava a direita do espectro político chileno e se opunha tanto ao centrista Partido Democrata Cristão do Chile quanto à coalizão de esquerda Unidade Popular.
O Partido Nacional foi criado em 11 de maio de 1966 mediante a fusão do Partido Conservador Unido, do Partido Liberal e da Ação Nacional. A fusão tinha como objetivo unificar a direita chilena em uma única força política capaz de fazer frente à crescente influência dos movimentos de centro e de esquerda.
O candidato apoiado pelo Partido Nacional, Jorge Alessandri, foi derrotado na eleição presidencial no Chile em 1970. Posteriormente, o partido se opôs ao governo de Salvador Allende e à sua coalizão, a Unidade Popular. Em agosto de 1973, em meio à crescente polarização política, o Partido Nacional se uniu aos democrata-cristãos no Congresso contra o governo Allende. No mês seguinte, o general Augusto Pinochet, recém-nomeado comandante-em-chefe do Exército, liderou o golpe de Estado no Chile em 1973 contra Allende.
Após o golpe militar de 11 de setembro de 1973, o Partido Nacional declarou seu apoio à derrubada do governo e dissolveu-se voluntariamente em 21 de setembro de 1973.
As tentativas de reconstituir o Partido Nacional a partir de 1983 não conseguiram reunificar a direita chilena, cujos integrantes se distribuíram entre novas organizações como a Renovação Nacional (RN) e a União Democrática Independente (UDI). Após maus resultados eleitorais, o enfraquecido partido foi definitivamente dissolvido em 1994.
História
Fundação miniatura|esquerda|Primeiro emblema do Partido Nacional, 1966–1971.
O Partido Nacional surgiu em 1966 após conversações entre membros do Partido Conservador Unido, do Partido Liberal, da Ação Nacional e um número significativo de independentes. Seus fundadores buscavam unificar a direita chilena em uma única organização e atrair setores que até então haviam permanecido à margem dos partidos tradicionais. A existência de um partido unificado também era considerada eleitoralmente vantajosa, pois o sistema eleitoral favorecia organizações políticas maiores.
Uma comissão formada por Carlos Ruiz, Jaime Silva Silva, Sergio Onofre Jarpa e Gabriel Cuevas elaborou os estatutos do partido, enquanto Víctor García Garzena foi escolhido por consenso como seu primeiro presidente. O partido foi formalmente constituído em 10 de maio de 1966. Para efeitos legais, sua criação ocorreu mediante a mudança do nome do Partido Liberal para Partido Nacional, enquanto o Partido Conservador Unido foi dissolvido e seus membros incorporaram-se à nova organização.María Bernardita Walker Rodríguez, El Partido Nacional: 1966-1969, tese para obtenção do grau de Licenciado em História, Pontifícia Universidade Católica do Chile, Santiago, 1995.
Apesar de sua origem em uma fusão, o Partido Nacional apresentou-se como uma nova organização política e não como uma simples continuação dos partidos Liberal e Conservador.Revista PEC, 6 de setembro de 1966, p. 8.
Governo Frei e eleição presidencial de 1970 Durante o governo de Eduardo Frei Montalva, o Partido Nacional tornou-se um forte opositor de suas reformas econômicas e sociais. Criticava a expansão da intervenção estatal e da burocracia, a reforma agrária e o que considerava uma crescente orientação à esquerda do Partido Democrata Cristão.Partido Nacional, Ha llegado la hora de defender la libertad, Santiago, 1969.
O partido também adotou uma estratégia parlamentar mais confrontacional que a direita chilena tradicional. Ocorreram, contudo, conflitos internos, incluindo a saída de Jorge Prat, enquanto figuras como Sergio Onofre Jarpa e Mario Arnello permaneceram no partido. Nas eleições municipais de 1967, o Partido Nacional obteve 14,61% dos votos; nas eleições parlamentares de 1969, aumentou sua votação para 20,82%.
Na eleição presidencial no Chile em 1970, o partido apoiou o ex-presidente Jorge Alessandri. Durante a campanha, elaborou um programa político denominado La Nueva República, que propunha, entre outras medidas, fortalecer os poderes presidenciais, limitar a intervenção parlamentar em assuntos administrativos, criar um Conselho Econômico e Social, promover o investimento estrangeiro e a descentralização e reformar o sistema previdenciário.Partido Nacional, La Nueva República, 1970.
Alessandri terminou a eleição em segundo lugar, atrás de Salvador Allende.
Oposição a Salvador Allende miniatura|Manifestação em apoio ao Partido Nacional durante as eleições parlamentares de 1973.|222x222px
No início do governo Allende, o Partido Nacional adotou inicialmente uma posição relativamente aberta e apoiou a nacionalização do cobre chileno. Com o aumento da polarização política, contudo, passou a exercer uma oposição mais firme ao governo da Unidade Popular.
Nas eleições municipais de 1971, o partido recebeu 18,36% dos votos. Após a morte de Rolando Matus naquele ano, a juventude do partido organizou o Comando Rolando Matus, cujos membros participaram de confrontos de rua com partidários da Unidade Popular.Sergio Onofre Jarpa, Creo en Chile, Santiago, 1973. O partido também intensificou sua ênfase no nacionalismo e na mobilização de massas, bem como sua cooperação com os democrata-cristãos contra o governo. Nesse período, fundou o jornal Tribuna, que adotou um tom mais agressivo e populista que os jornais tradicionais da direita.Patricia Arancibia, Claudia Arancibia e Isabel de la Maza, Jarpa. Confesiones políticas, La Tercera-Mondadori, 2002.
Em 1972, o Partido Nacional uniu-se à Democracia Radical na Federação Nacional-Democracia Radical, que por sua vez integrou a coalizão oposicionista Confederação da Democracia (CODE). Nas eleições parlamentares de 1973, o partido obteve 21,5% dos votos.
Nos últimos meses da presidência de Allende, o Partido Nacional passou a defender cada vez mais o término antecipado do governo, apoiou uma mobilização mais ampla da oposição, rejeitou as negociações entre os democrata-cristãos e o governo e recusou-se a conceder poderes extraordinários a Allende após o Tanquetazo. Em setembro de 1973, convocou uma greve nacional por tempo indeterminado com o objetivo de forçar a saída do governo.
Candidatos presidenciais Os seguintes candidatos presidenciais foram apoiados pelo Partido Nacional:
1970: Jorge Alessandri (derrotado) Plebiscito de 1988: apoio a Augusto Pinochet (derrotado) 1989: Francisco Javier Errázuriz (derrotado) 1993: Arturo Alessandri Besa (derrotado)
Referências
Categoria:Partidos políticos do Chile Categoria:Partidos políticos fundados em 1966 Categoria:Partidos políticos extintos em 1994 Categoria:Partidos políticos conservadores Categoria:Anticomunismo